Gilmar Mendes reage ao avanço de senadores favoráveis ao impeachment no STF

 

Créditos : Wikipédia 


Decano do Supremo afirmou a interlocutor que não está preocupado com o novo cenário político do Senado

Por Cassiano Cortez | Editor — Correio Gaúcho

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), reagiu sem demonstrar preocupação pública ao avanço de senadores que defendem a possibilidade de impeachment de integrantes da Corte.

A declaração ocorreu após as eleições de 4 de outubro de 2026, que ampliaram significativamente a presença de parlamentares de direita no Senado e colocaram a relação entre Congresso e STF novamente no centro do debate político.

Segundo a colunista Bela Megale, de O Globo, Gilmar disse a um interlocutor do meio político que não está apreensivo com o cenário.

“Sou um enfermeiro que já viu muito sangue. Não me afobo”, afirmou o ministro, segundo a coluna.

Senado terá nova correlação de forças

O resultado das eleições alterou a composição do Senado para a legislatura que começa em fevereiro de 2027.

O PL elegeu 19 senadores no primeiro turno e passará a ter 28 das 81 cadeiras da Casa, segundo levantamentos publicados após a votação.

Além dos parlamentares do PL, outros senadores eleitos por partidos como PP, Republicanos, Novo e MDB também já manifestaram apoio à possibilidade de impeachment de ministros do Supremo.

Um levantamento citado por O Globo apontou inicialmente 51 senadores favoráveis à medida.

Outro levantamento, divulgado posteriormente pelo Ranking dos Políticos e repercutido por CNN Brasil e Poder360, chegou a 54 senadores favoráveis, exatamente dois terços dos 81 integrantes da Casa.

54 votos são o número decisivo

A marca de 54 senadores ganhou importância porque corresponde a dois terços do Senado.

Segundo informações divulgadas após a eleição, o levantamento do Ranking dos Políticos considera declarações públicas de senadores que permanecerão no cargo e daqueles eleitos ou reeleitos em 2026. Entre os 54 nomes classificados como favoráveis, 37 foram eleitos ou reeleitos neste ano.

É importante destacar que esses levantamentos medem posicionamentos políticos declarados. Isso não significa que todos necessariamente votariam da mesma maneira diante de um processo específico.

Gilmar já havia comentado o tema

A reação atribuída ao ministro ocorre em um momento de forte discussão sobre os limites da atuação do Senado em processos contra ministros do Supremo.

Gilmar Mendes já havia se manifestado sobre o assunto durante a campanha eleitoral. Na ocasião, afirmou que promessas de impeachment não o impressionavam.

Após a votação, a nova composição do Senado tornou a discussão mais concreta, principalmente diante do crescimento da bancada do PL.

Relação entre STF e Congresso entra em nova fase

O cenário também é acompanhado dentro do próprio Supremo.

Reportagens publicadas após a eleição mostram que ministros e interlocutores da Corte avaliam que a nova composição do Senado aumenta o risco de abertura de processos de impeachment, embora exista também a avaliação de que diferentes grupos dentro da direita possuem posições distintas e que o comportamento parlamentar poderá mudar depois da posse.

A eleição do próximo presidente do Senado será outro ponto importante para definir a relação entre o Legislativo e o Supremo a partir de 2027.

O que muda a partir de 2027?

O resultado eleitoral não significa, por si só, que haverá impeachment de ministros do STF.

O que mudou foi a composição política do Senado e, segundo diferentes levantamentos, o número de parlamentares que já declararam apoio à possibilidade de abertura de processos.

Enquanto um levantamento aponta 51 senadores, outro chega a 54. A diferença ocorre em razão dos critérios utilizados para classificar as posições dos parlamentares.

O cenário deverá ser acompanhado de perto durante a formação da nova Mesa Diretora do Senado e a definição das prioridades legislativas para 2027.

A frase de Gilmar

A declaração atribuída ao ministro resume sua reação diante da mudança na composição política da Casa:

“Sou um enfermeiro que já viu muito sangue. Não me afobo.”

A frase foi dada, segundo O Globo, em conversa com um interlocutor do meio político após o resultado das eleições.

Fontes: O Globo/Bela Megale, CNN Brasil, Poder360 e Folha de S.Paulo.

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