Retatrutida: o “Godzilla” dos medicamentos para emagrecer pode trazer outros efeitos à saúde

Imagem : Pixabay

 

Novo estudo de fase 3 aponta perda expressiva de peso, melhora do controle da glicose e redução de fatores de risco cardiometabólico; medicamento ainda não foi aprovado

A corrida por medicamentos capazes de combater a obesidade ganhou um novo capítulo com a retatrutida, molécula experimental da farmacêutica Eli Lilly que vem sendo chamada de “Godzilla” dos medicamentos para emagrecer por causa do potencial de perda de peso observado nos estudos.

Resultados de um grande ensaio clínico de fase 3, divulgado nesta terça-feira (29), indicam que a substância pode produzir efeitos que vão além da redução do peso corporal. O estudo envolveu 2.047 adultos com obesidade e diabetes tipo 2, em oito países, incluindo o Brasil.

Perda de quase 19% do peso em 80 semanas

No estudo, os participantes receberam diferentes doses de retatrutida ou placebo durante 80 semanas.

Na maior dose analisada, de 12 mg, a redução média do peso corporal chegou a 18,8%. Cerca de 47% dos participantes perderam pelo menos 20% do peso inicial, enquanto 31% alcançaram perda de 25% ou mais.

No grupo que recebeu placebo, a redução média foi de 5,1%.

Os resultados colocam a retatrutida entre as moléculas mais potentes atualmente estudadas para o tratamento da obesidade.

Três mecanismos em uma única molécula

Uma das características que diferenciam a retatrutida é seu mecanismo de ação.

A molécula atua simultaneamente sobre três vias hormonais:

  • GLP-1, associado à redução do apetite e ao controle da glicose;
  • GIP, relacionado ao metabolismo e à regulação da glicemia;
  • Glucagon, que participa do controle energético e pode aumentar o gasto de energia.

Medicamentos como semaglutida atuam principalmente sobre o receptor de GLP-1, enquanto a tirzepatida combina GLP-1 e GIP. A retatrutida acrescenta uma terceira via.

Efeito sobre o diabetes

Outro resultado que chamou atenção foi o controle da glicemia.

Entre os participantes que receberam 12 mg, aproximadamente 72% alcançaram hemoglobina glicada (HbA1c) de até 6,5%, contra 29% no grupo placebo.

A HbA1c é utilizada para avaliar a média da glicose no sangue nos últimos meses e também é um dos parâmetros utilizados no diagnóstico do diabetes.

Pressão, colesterol e inflamação também melhoraram

O estudo também encontrou melhora em diferentes fatores de risco cardiometabólico, incluindo pressão arterial e perfil de lipídios.

Outro resultado observado foi a redução da proteína C-reativa ultrassensível (hsCRP), um marcador utilizado para avaliar processos inflamatórios no organismo.

Os pesquisadores destacaram que a retatrutida apresentou redução importante do peso acompanhada de melhora do controle glicêmico e de fatores de risco cardiometabólicos.

Os efeitos não significam que o medicamento já esteja liberado

Apesar dos resultados promissores, existe uma informação fundamental: a retatrutida ainda não recebeu aprovação das principais agências reguladoras para uso comercial.

Isso significa que os resultados dos ensaios clínicos não devem ser confundidos com autorização para uso da substância como tratamento.

A própria literatura médica destaca a necessidade de acompanhar a segurança e os efeitos de longo prazo antes de uma eventual aprovação.

Efeitos colaterais foram principalmente gastrointestinais

Como acontece com outros medicamentos dessa classe, os eventos adversos mais frequentes registrados no estudo foram relacionados ao sistema gastrointestinal.

Na dose de 12 mg, por exemplo, diarreia ocorreu em aproximadamente 34% dos participantes, enquanto náusea foi registrada em cerca de 28%. No grupo placebo, os índices foram menores.

Por isso, os resultados não significam que a substância seja adequada para qualquer pessoa que queira perder peso.

A nova geração de medicamentos está mudando o tratamento da obesidade

Os resultados da retatrutida aparecem em um cenário no qual medicamentos que atuam sobre hormônios intestinais já demonstraram benefícios que ultrapassam a perda de peso.

Um exemplo é a semaglutida. No estudo SELECT, publicado no New England Journal of Medicine, envolvendo 17.604 pessoas com sobrepeso ou obesidade e doença cardiovascular, mas sem diabetes, o medicamento reduziu em 20% o risco relativo do conjunto de morte cardiovascular, infarto não fatal ou AVC não fatal, em comparação com placebo.

A FDA também aprovou uma indicação da semaglutida para reduzir o risco desses eventos cardiovasculares em determinados adultos com doença cardiovascular e sobrepeso ou obesidade.

Outro exemplo é a tirzepatida, que recebeu aprovação da FDA para tratar apneia obstrutiva do sono moderada a grave em adultos com obesidade. Ensaios clínicos publicados no New England Journal of Medicine demonstraram redução significativa dos episódios de apneia, além de redução de peso, pressão arterial e alguns marcadores metabólicos.

O que a retatrutida pode representar

Os resultados reforçam uma mudança na forma como a medicina encara medicamentos contra a obesidade: o objetivo dos tratamentos pode ir além de simplesmente diminuir o número na balança.

Controle da glicemia, pressão arterial, fatores cardiovasculares e marcadores inflamatórios estão entre os efeitos que vêm sendo estudados nessa nova geração de terapias.

No caso da retatrutida, porém, os resultados ainda fazem parte do processo de avaliação científica. A molécula precisa passar pelas etapas regulatórias antes de qualquer conclusão sobre seu uso amplo na população.

Fontes: The Lancet, estudo clínico de fase 3 sobre retatrutida; New England Journal of Medicine; FDA (Food and Drug Administration); Eli Lilly.

SEO: retatrutida, Godzilla dos medicamentos, medicamento para emagrecer, obesidade, retatrutida 2026, Eli Lilly, perda de peso, diabetes, GLP-1, GIP

Meta description: Retatrutida, chamada de “Godzilla” dos medicamentos para emagrecer, apresenta perda de peso expressiva e melhora da glicemia e de fatores cardiometabólicos em estudo de fase 3.

Postar um comentário

0 Comentários