Tecnologia reduz custos e é caminho da longevidade dos tambos




A adesão de tecnologias e projetos de inovação na rotina dos tambos leiteiros é o caminho base para reduzir custos da atividade e manter as novas gerações conectadas com o campo. Projetos sustentáveis de reuso de materiais, adoção de biodigestores que convertem dejetos em energia e a gestão de áreas verdes para assegurar o bem-estar animal são ações práticas que serão apresentadas pelo engenheiro florestal Jackson Brilhante durante palestra no dia 15 de outubro, no Milk Summit Mercosul, em Ijuí (RS).

Coordenador do Plano ABC+,  programa que reúne oito tecnologias voltadas à produção de baixa emissão de carbono no Rio Grande do Sul, Brilhante defende que manejos sustentáveis e mais eficientes são a forma de manter o campo atrativo para os filhos de produtores, garantindo assim uma sucessão tranquila. 

Novidades que ganham força em tempos de desafios climáticos, aumento do custo de mão de obra e alta concorrência no mercado. Optar por reforço tecnológico na propriedade tem sido o caminho adotado por quem decide se manter na atividade mesmo em um período caracterizado por alta evasão.

Segundo dados do Relatórios Socioeconômicos da Cadeia Produtiva do Leite da Emater/RS-Ascar, 55.253 famílias deixaram de produzir leite entre 2015 e 2025, passando de 84.199 produtores para 28.946. Por outro lado, a produção estadual se manteve relativamente estável em aproximadamente 4 bilhões de litros/ano, o que sinaliza que há menos produtores operando no Rio Grande do Sul mas com produção maior por unidade.

“A cadeia produtiva do leite no Rio Grande do Sul atravessa um processo de reconfiguração estrutural marcado pela intensificação tecnológica, pela maior exposição à concorrência externa e pelo aumento da vulnerabilidade climática”, diz o assistente técnico da Emater, Jaime Ries, que também fará apresentação de estudo de campo durante o Milk Summit. 

Apesar de o aumento na eficiência ser positivo, Ries menciona que manter o produtor no campo e estimular a atividade leiteira também é uma forma de pulverizar a renda no campo e movimentar a economia de inúmeros municípios.

“É um processo multifatorial de transformação. “A permanência na atividade não depende exclusivamente da estrutura produtiva ou da capacidade tecnológica da propriedade. Ela também está relacionada à disponibilidade de pessoas e à disposição da família para manter uma atividade que exige trabalho contínuo e presença cotidiana”.


Mas a escolha da tecnologia empregada em cada propriedade rural não é receita pronta. Segundo Brilhante, a adoção de tecnologias precisa estar associada às características de cada propriedade. Medidas que podem ir da instalação de complexas usinas de geração de energia ao simples plantio de árvores.

“Os bovinos de leite são muito sensíveis às altas temperaturas. Adotar algumas linhas de eucalipto pode melhorar o conforto térmico, e isso interfere diretamente na produção de leite”, exemplifica.

CARBONO
Outro assunto a ser abordado durante o Milk Summit é a medição de carbono. O Plano ABC+ RS dispõe de equipamentos capazes de avaliar gases de efeito estufa e a quantidade de carbono estabilizada no solo, permitindo realizar o balanço de carbono das propriedades.

Tema que, segundo Brilhante, vem ganhando destaque em um momento em que a tecnologia é ferramenta para conciliar produção e conservação dos recursos naturais.

“O Plano ABC+ RS é uma política de Estado em que buscamos reduzir as emissões de gases de efeito estufa no setor agropecuário do Rio Grande do Sul, trazendo mais eficiência e resiliência para o produtor rural. Ou seja, ter também a produção e a conservação dos recursos naturais caminhando lado a lado”, completa.


Oito bases do Plano ABC+ RS 
1. Práticas de recuperação de pastagens degradadas
2. Sistemas agroflorestais
3. Bioinsumos
4. Integração lavoura-pecuária-floresta
5. Florestas plantadas
6. Manejos de resíduos da produção animal 
7. Sistemas irrigados
8. Terminação intensiva

O Milk Summit Mercosul 2026 é uma realização conjunta do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Estado do Rio Grande do Sul (Seapi), da Prefeitura Municipal de Ijuí, da Emater/RS-Ascar, Sebrae/RS, Suport D’ Leite e Impulsa Ijuí.

O evento conta com o patrocínio Diamante de Fecoagro/RS, Italac, Lactalis, Piracanjuba e Tetra Pak; Ouro: Sicredi das Culturas RS/MG e Sistema FIERGS; Prata: Unianálises/Univates; Bronze: Launer Química, Santa Clara, Senar e Suifarma. Apoio Plus: Laticínios Frizzo e Apoio: Unijuí, SulPasto, VS Lunardi Genética Bovina e Cogent Brasil.

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