Acordo Mercosul-União Europeia impulsiona exportações do agronegócio brasileiro, que crescem quase 15%

 

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Vendas para o bloco europeu alcançaram US$ 12,21 bilhões entre maio e setembro de 2026. Soja, carnes, mel e frutas estão entre os principais destaques.

REDAÇÃO CORREIO GAÚCHO

O agronegócio brasileiro registrou crescimento de 14,8% nas exportações destinadas à União Europeia nos primeiros cinco meses de aplicação provisória do acordo comercial entre Mercosul e o bloco europeu. Entre maio e setembro de 2026, as vendas alcançaram US$ 12,21 bilhões, resultado superior aos US$ 10,64 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

Os números foram divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com base nas informações do sistema Agrostat, e demonstram o fortalecimento da presença dos produtos brasileiros no mercado europeu.

Além do crescimento em valor, o volume exportado também apresentou resultado positivo. Foram embarcadas 17,74 milhões de toneladas de produtos agropecuários e agroindustriais, aumento de 8,1% em comparação com os cinco meses correspondentes do ano anterior.

Entre os segmentos que mais contribuíram para o desempenho estão o complexo soja, as carnes, os produtos apícolas, especialmente o mel, e as frutas.

Soja e carnes lideram crescimento

O complexo soja permaneceu como o principal segmento das exportações brasileiras para a União Europeia. As vendas passaram de US$ 3,12 bilhões para US$ 4,19 bilhões, crescimento de 34,2%.

A soja em grãos apresentou avanço ainda maior, com aumento de 49% em valor e 35,1% em volume. O farelo de soja também registrou desempenho positivo, com crescimento de 22,5% em valor.

Outro destaque foi o setor de carnes, cujas exportações aumentaram 103,5% em valor e 170% em volume. Os embarques passaram de 101 mil para 272 mil toneladas.

Os produtos apícolas também chamaram a atenção, com crescimento de 367% nas vendas. Já as frutas, incluindo nozes e castanhas, tiveram expansão de 15%.

Entre os produtos individuais, o abacate apresentou crescimento expressivo de 421,2% em valor nas exportações para o mercado europeu.

Acordo abre novas oportunidades comerciais

A aplicação provisória do acordo Mercosul-União Europeia começou em 1º de maio de 2026. O tratado estabelece condições para ampliar o comércio entre os dois blocos, incluindo reduções e eliminações graduais de tarifas de importação para diferentes produtos.

As condições variam conforme o produto, com cronogramas específicos e, em determinados setores, limites de cotas de importação.

Entre os produtos brasileiros que podem se beneficiar das novas condições comerciais estão café, abacate, carnes bovina, suína e de aves, açúcar, etanol, arroz, mel, milho e sorgo.

Para o café torrado e o solúvel, por exemplo, a redução tarifária será gradual, com previsão de eliminação completa em 2030. No caso do abacate, o primeiro corte tarifário correspondeu a 20% da tarifa-base.

Rio Grande do Sul também acompanha oportunidades

Para o agronegócio gaúcho, a ampliação das relações comerciais entre Mercosul e União Europeia representa uma oportunidade de diversificação de mercados e valorização da produção agropecuária.

O Estado possui participação importante na produção nacional de soja, arroz, carnes, produtos florestais e outros segmentos que integram a pauta exportadora brasileira.

A possibilidade de ampliar o acesso ao mercado europeu reforça a importância da competitividade, da qualidade dos produtos e da organização das cadeias produtivas.

Entretanto, a entrada nesse mercado exige atenção às exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade. Os compradores europeus possuem critérios rigorosos relacionados à origem dos produtos, à sustentabilidade e à regularidade da produção.

Superávit comercial chega a US$ 10,54 bilhões

Mesmo com o aumento das importações de produtos agropecuários e agroindustriais europeus, o Brasil manteve saldo comercial favorável.

Entre maio e setembro de 2026, as importações brasileiras provenientes da União Europeia somaram US$ 1,67 bilhão, enquanto as exportações alcançaram US$ 12,21 bilhões.

Com isso, o superávit comercial do agronegócio brasileiro com o bloco europeu chegou a US$ 10,54 bilhões, crescimento de 17% em relação ao mesmo período de 2025.

Os resultados indicam um cenário positivo para o comércio agropecuário brasileiro, embora ainda seja cedo para atribuir todo o crescimento exclusivamente ao acordo. Preços internacionais, câmbio, demanda externa e disponibilidade de produtos também influenciam o desempenho das exportações.

O aproveitamento das oportunidades comerciais dependerá da capacidade dos produtores e das empresas brasileiras de atender às exigências do mercado europeu e ampliar a competitividade dos produtos nacionais.

REDAÇÃO CORREIO GAÚCHO


FONTES

  • Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) – dados oficiais do Agrostat, publicados em 1º de novembro de 2026.
  • Agência Gov – informações sobre os resultados dos primeiros cinco meses do acordo.
  • CNN Brasil – análise dos setores beneficiados, condições tarifárias e desempenho das exportações.
  • Globo Rural – reportagem original: Exportações do agro subiram 15% após início do acordo UE-Mercosul, publicada em 2 de novembro de 2026.

Referências para consulta:

  1. https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/noticias/2026/acordo-mercosul-uniao-europeia-completa-seis-meses-com-alta-de-14-8-nas-exportacoes-do-agronegocio-brasileiro
  2. https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202611/acordo-mercosul-uniao-europeia-completa-seis-meses-com-alta-de-14-8-nas-exportacoes-do-agronegocio-brasileiro
  3. https://www.cnnbrasil.com.br/agro/exportacoes-do-agro-a-ue-crescem-148-nos-cinco-primeiros-meses-de-acordo/
  4. https://globorural.globo.com/economia/noticia/2026/11/exportacoes-do-agro-subiram-15percent-apos-inicio-do-acordo-ue-mercosul.ghtml

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