Onça-pintada Ibaca morre após resgate no Pantanal e deixa filhote órfão

 

A onça-pintada Ibaca (  Foto: Rodrigo Chavez Noriega)


Conhecida por pesquisadores, fotógrafos e turistas, a felina foi encontrada extremamente debilitada, com pouco mais de 30 quilos. Animal era monitorado havia quase dez anos e sua morte será investigada por necropsia.

Data: 1º de novembro de 2026

Redação Correio Gaúcho

Uma das onças-pintadas mais conhecidas do Pantanal de Mato Grosso morreu após ser encontrada em estado grave de debilidade. Identificada como Ibaca, também conhecida como Tina, a fêmea foi resgatada na noite de sexta-feira (30), mas não resistiu e morreu no sábado (31).

O animal chamou a atenção de biólogos, guias de turismo e fotógrafos de natureza porque era acompanhado na região desde 2016. No momento do resgate, segundo informações do biólogo e guia de turismo Marcos Ardevino, Ibaca pesava pouco mais de 30 quilos e apresentava sinais de desnutrição.

A onça seria encaminhada para Cuiabá, onde passaria por exames e atendimento especializado. Entretanto, morreu antes de conseguir se recuperar.

A causa da morte ainda não foi esclarecida. Uma necropsia deverá investigar o que provocou o rápido emagrecimento e o agravamento do estado de saúde da felina.

Uma história de quase dez anos no Pantanal

Ibaca conquistou reconhecimento entre os observadores da vida selvagem por sua presença constante na região de Porto Jofre, no Pantanal Norte.

De acordo com o Projeto Jaguar ID, a fêmea foi observada em dez temporadas consecutivas, entre 2016 e 2025. Os registros permitiram acompanhar diferentes fases de sua vida, incluindo a reprodução, os cuidados com os filhotes e encontros com outras espécies.

Seu nome tem origem tupi-guarani e significa, segundo o projeto, “um céu com estrelas”.

Ao longo dos anos, Ibaca tornou-se um dos animais mais conhecidos pelos profissionais que trabalham com observação de onças na região.

Encontros com sucuris e ariranhas marcaram sua trajetória

Entre os registros mais conhecidos de Ibaca está um confronto com uma sucuri, em 2022, no Rio Três Irmãos, no Parque Estadual Encontro das Águas.

O episódio foi filmado pelo guia turístico Branco Arruda e chamou a atenção pela interação entre os dois animais.

Naquele mesmo ano, a onça também foi registrada durante uma aproximação de um grupo de ariranhas. Os animais reagiram coletivamente, fazendo com que a felina desistisse da investida.

Essas imagens ajudaram a tornar Ibaca conhecida entre pesquisadores, fotógrafos e admiradores da fauna brasileira.

Filhote Jasy fica sem a mãe

A morte de Ibaca deixa uma preocupação adicional: a sobrevivência de sua filhote Jasy, que tem aproximadamente um ano a um ano e meio de idade.

Em novembro de 2025, imagens da mãe atravessando um rio com a pequena onça agarrada à sua cauda ganharam destaque entre os observadores da vida selvagem.

O registro mostrou um momento de aprendizado da filhote, que acompanhava a mãe durante a travessia.

Segundo informações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), filhotes de onça-pintada podem permanecer com a mãe por até dois anos, período importante para aprender a caçar e desenvolver habilidades necessárias à sobrevivência.

A situação de Jasy exige atenção, já que ainda está em uma fase de desenvolvimento em que a presença materna pode ser fundamental.

O que pode ter provocado a morte?

A perda acentuada de peso apresentada por Ibaca levantou questionamentos entre os profissionais que acompanhavam o animal.

Guias e observadores estão reunindo vídeos registrados em diferentes datas para tentar reconstruir a evolução do quadro físico da onça e identificar quando começaram os sinais de debilidade.

Até o momento, não existe confirmação sobre a causa da morte. A investigação depende dos resultados da necropsia.

É importante destacar que não há comprovação de envenenamento, ataque de outro animal ou qualquer outra causa específica. Essas hipóteses não devem ser tratadas como fatos antes da conclusão dos exames.

A importância de proteger as onças-pintadas

A onça-pintada é um dos maiores símbolos da biodiversidade brasileira e exerce papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas.

Como predadora de topo da cadeia alimentar, ajuda a regular populações de outras espécies e contribui para a manutenção do equilíbrio ambiental.

O Pantanal é um dos principais ambientes de ocorrência desse felino no Brasil e também um dos destinos mais conhecidos internacionalmente para observação de animais em vida livre.

A trajetória de Ibaca mostra a importância do monitoramento científico e dos registros feitos por pesquisadores e profissionais que acompanham a fauna.

Sua morte representa uma perda para a biodiversidade pantaneira e deixa uma questão importante: qual será o futuro de Jasy, a jovem onça que ainda estava aprendendo a viver ao lado da mãe?


Redação Correio Gaúcho

Editor: Cassiano Cortez

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