Justiça torna sete PMs réus por morte de agricultor no RS

 

Marcos Daniel Nörnberg, de 48 anos, morreu durante uma ação da Brigada Militar na zona rural de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Foto: Reprodução/Arquivo pessoal.



Policiais são acusados de homicídio qualificado e tentativa de homicídio contra a esposa de Marcos Daniel Nörnberg, morto durante uma operação da Brigada Militar em Pelotas. Processo entra na fase de produção de provas.

Data de publicação: 29 de outubro de 2026
Redação Correio Gaúcho
Editor: Cassiano Cortez

A Justiça do Rio Grande do Sul recebeu a denúncia contra sete policiais militares investigados pela morte do agricultor Marcos Daniel Nörnberg e pela tentativa de homicídio da esposa dele, durante uma operação da Brigada Militar em Pelotas, na região sul do Estado. A decisão foi tomada na quarta-feira (28), pelo juiz Régis Adriano Vanzin, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Pelotas.

Com o recebimento da denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), os policiais passaram à condição de réus. Eles responderão por homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificada, segundo informações divulgadas pela imprensa a partir da decisão judicial.

O recebimento da denúncia não representa condenação. O processo entra agora na fase de instrução, quando serão produzidas provas e ouvidas as partes para que a Justiça avalie as responsabilidades individuais.

Fonte: GZH — Sete PMs viram réus pela morte de agricultor em Pelotas.

Agricultor foi morto dentro de casa

O caso ocorreu na madrugada de 15 de janeiro, na localidade da Cascata, zona rural de Pelotas. Marcos Nörnberg, de 48 anos, estava em casa com a esposa quando houve a entrada de policiais militares na propriedade.

Conforme a denúncia do Ministério Público, a operação foi direcionada ao endereço errado. A investigação apura a responsabilidade dos agentes pela morte do agricultor e pelos disparos contra a mulher, que sobreviveu.

Segundo informações publicadas pelo UOL, o agricultor foi atingido por oito disparos de fuzil. A investigação também incluiu uma reprodução simulada da ocorrência, cujo resultado, de acordo com a reportagem, contrariou a versão apresentada pelos policiais sobre a sequência dos disparos.

Fonte: UOL — Justiça torna réus sete PMs por morte de agricultor.

Três policiais teriam identificado o endereço

Segundo o Ministério Público, três dos sete denunciados participaram da identificação do local que seria alvo da operação, enquanto os outros quatro atuaram diretamente na ação policial que terminou com os disparos.

A operação buscava suspeitos de integrar um grupo criminoso investigado por roubos na região. Informações obtidas com pessoas presas no Paraná teriam contribuído para a indicação do endereço, mas a investigação apontou falha na identificação da propriedade rural.

O então comandante-geral da Brigada Militar, coronel Cláudio Feoli, classificou o episódio como um grande equívoco, conforme relatos publicados após o caso.

A apuração busca determinar como ocorreu o erro e qual foi a participação de cada agente na preparação e na execução da operação.

Ministério Público pede julgamento pelo Tribunal do Júri

Além da responsabilização criminal, o Ministério Público solicitou que os sete policiais sejam submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri. Também pediu a perda dos cargos públicos e o pagamento de indenização aos familiares da vítima.

Esses pedidos ainda dependem da análise judicial e do andamento do processo. A decisão de receber a denúncia permite que a ação penal prossiga, mas não antecipa o resultado do julgamento.

As qualificadoras aceitas nesta fase incluem o recurso que teria dificultado a defesa das vítimas e o emprego de armas de fogo de uso restrito, conforme as informações divulgadas sobre a decisão.

O que acontece agora?

Com a abertura da ação penal, a Justiça deverá conduzir a fase de instrução, com a produção de provas, depoimentos e demais atos processuais. Ao longo dessa etapa, acusação e defesa poderão apresentar seus argumentos.

O caso também mantém em discussão os procedimentos de identificação de endereços e de verificação de informações antes de operações policiais em áreas residenciais.

A responsabilização criminal dos agentes dependerá das provas e das decisões judiciais ao longo do processo. Até o momento, os sete policiais são réus, e não condenados.

Fontes:

Redação Correio Gaúcho
Editor: Cassiano Cortez

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