Mesmo com a alta na comparação anual, os preços recuaram 5,2% frente ao segundo trimestre de 2026, após a redução da demanda por caminhões com o fim do pico da safra.
21 de outubro de 2026 · Horário de Brasília
Por Redação Correio Gaúcho
O transporte rodoviário de cargas ficou mais caro no Brasil no terceiro trimestre de 2026. O preço do frete registrou alta de 13,1% em relação ao mesmo período de 2025, sob influência do aumento do diesel, da demanda associada ao escoamento da safra de soja e da fiscalização do piso mínimo do transporte.
Os dados são do Índice Frete.com de Preços (IFP), conforme informações divulgadas pelo Valor Econômico e reproduzidas pela Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis). Na comparação com o segundo trimestre deste ano, entretanto, o frete apresentou queda de 5,2%.
Diesel acumula alta de 15,1%
O preço médio do diesel subiu 15,1% no terceiro trimestre, na comparação com o mesmo período do ano passado. Já em relação ao segundo trimestre de 2026, o combustível apresentou relativa estabilidade, com recuo de 0,6%.
O diesel é um dos principais componentes do custo operacional dos caminhões. Quando o combustível encarece, transportadoras e caminhoneiros enfrentam maior pressão sobre as despesas, o que pode ser repassado aos preços dos serviços.
Outro fator apontado pelo setor é o cumprimento do piso mínimo do frete. Segundo Charles Monteux, diretor de receita da Frete.com, uma fiscalização mais intensa pode elevar os valores praticados nos períodos em que o mercado operaria abaixo do mínimo estabelecido.
Fim do pico da soja reduz procura por caminhões
A queda trimestral de 5,2% tem relação com a sazonalidade do agronegócio. Depois do período de maior movimentação da soja, cujo pico ocorreu em agosto, a procura por caminhões diminuiu.
Com mais veículos disponíveis para transportar cargas, os preços tendem a sofrer pressão de baixa. Monteux explica que a maior oferta de caminhões para o escoamento contribui para reduzir o valor do frete.
O movimento mostra que os preços não dependem apenas do diesel: a relação entre oferta de veículos e demanda por transporte também influencia diretamente o mercado.
Sul registra mudanças no volume de fretes
De acordo com os dados fornecidos no levantamento, todas as regiões brasileiras apresentaram queda no volume de fretes em relação ao terceiro trimestre de 2025. O Sul teve a maior retração, de 36%.
Na comparação com o segundo trimestre de 2026, porém, o cenário foi diferente. Com exceção do Norte, que registrou queda de 13%, as demais regiões tiveram aumento no volume de fretes. Sul e Nordeste lideraram a expansão trimestral, com crescimento de 28% cada.
Os números indicam que a atividade logística varia conforme o período de colheita, a disponibilidade de cargas e as necessidades de abastecimento de cada região.
Agronegócio responde por quase metade dos anúncios
Apesar de uma queda anual de 27,1%, o agronegócio respondeu por 47,3% dos anúncios de fretes registrados no levantamento no terceiro trimestre.
A movimentação do setor apresentou sinais de recuperação após o encerramento do pico da supersafra de soja. Entre os destaques, os anúncios relacionados ao transporte de milho aumentaram 165,3%, enquanto os de fertilizantes avançaram 108,2%.
A indústria ficou em segundo lugar, com 20,8% dos anúncios, seguida pela construção, com 7,7%.
A participação do agronegócio reforça a importância das safras e dos insumos agrícolas para o transporte rodoviário brasileiro. No Rio Grande do Sul, onde a logística da produção agrícola depende fortemente das rodovias, o comportamento do frete é um indicador relevante para produtores, cooperativas, transportadoras e compradores de grãos.
Transportadoras buscam reduzir custos por viagem
Diante da pressão sobre as despesas, empresas do setor estão adotando estratégias para melhorar a eficiência das operações. Entre elas está o uso de veículos com maior capacidade de carga, quando permitido pelas condições da rota e pela regulamentação.
Roberto Junior Batista, gerente de inteligência de negócios da Frete.com, afirma que a utilização de combinações maiores, como rodotrens de nove eixos, pode ajudar a diluir o custo do transporte por quilômetro.
A estratégia, contudo, depende de fatores como infraestrutura rodoviária, limites legais de peso e dimensões, condições de acesso aos terminais e disponibilidade de carga.
Eleições e El Niño entram no radar do setor
As perspectivas para os próximos meses também dependem de decisões econômicas e condições climáticas. Charles Monteux avalia que o resultado das eleições pode influenciar o mercado, especialmente diante das incertezas sobre a continuidade de subsídios ao diesel após o período eleitoral.
Outro ponto de atenção é o fenômeno El Niño. Segundo o executivo, os efeitos não devem ter impacto significativo no último trimestre de 2026, mas podem se refletir no próximo ano.
Eventuais alterações no regime de chuvas podem afetar a produtividade agrícola, o calendário das safras e os fluxos de transporte. A intensidade desses efeitos, porém, dependerá da evolução das condições meteorológicas e de sua influência sobre cada região produtora.
O que acompanhar nos próximos meses
A evolução do preço do diesel e seus efeitos sobre o custo operacional.
A demanda por caminhões após o período de maior escoamento da soja.
A fiscalização do piso mínimo do frete.
A movimentação de milho e fertilizantes.
As condições climáticas e seus possíveis impactos sobre as próximas safras.
Fontes
Fecombustíveis — Diesel pesa, e frete rodoviário fica 13% mais caro no terceiro trimestre
Valor Econômico — matéria sobre a alta do frete no terceiro trimestre de 2026
Redação Correio Gaúcho

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