Banco Master: 19 fundos públicos investiram recursos de aposentadorias; veja a lista

 

| Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil


Rio de Janeiro e Amapá aparecem entre os maiores investidores. Aplicações de estados e municípios são alvo de apurações, e os valores variam conforme os ativos considerados.

Data: 16 de outubro de 2026
Editor: Cassiano Cortez — Correio Gaúcho

Dezenove fundos públicos de previdência de estados e municípios brasileiros investiram recursos no Banco Master, instituição financeira que teve a liquidação decretada pelo Banco Central em novembro de 2025. Os aportes incluem dinheiro destinado ao pagamento de aposentadorias e pensões de servidores públicos.

Em reportagem publicada nesta sexta-feira (16), a revista Veja relembrou os investimentos e as tentativas do controlador do banco, Daniel Vorcaro, de captar recursos de fundos federais. Segundo a publicação, o banqueiro conseguiu atrair aplicações de regimes próprios de previdência estaduais e municipais.

Dados reunidos pela Câmara dos Deputados com base em informações do Ministério da Previdência Social apontam cerca de R$ 1,8 bilhão em aplicações de 19 fundos públicos em títulos do Banco Master. A relação inclui instituições de diferentes regiões do país.

Rio de Janeiro concentra os maiores valores

O RioPrevidência, responsável pela gestão dos recursos previdenciários dos servidores estaduais do Rio de Janeiro, está no centro das investigações.

A Veja informou que o volume de recursos relacionados ao Banco Master ultrapassou R$ 3 bilhões, considerando o conjunto das operações mencionadas na reportagem. Em levantamento anterior, a revista registrou R$ 970 milhões em aplicações diretas em letras financeiras e também reportou outros investimentos em ativos vinculados ao Grupo Master.

Os números não são necessariamente contraditórios: podem considerar períodos, produtos financeiros e tipos de exposição diferentes. Por isso, é importante distinguir aplicações diretas em títulos do banco de investimentos mais amplos relacionados ao grupo financeiro.

O fundo estadual do Amapá aparece na sequência, com R$ 400 milhões em aplicações. O Amazonas registrou R$ 50 milhões, conforme os dados divulgados.

Lista dos fundos públicos que investiram no Banco Master

De acordo com a relação divulgada pela Câmara dos Deputados, os valores em aplicações diretas são:

  • Rio de Janeiro (RJ): R$ 970 milhões

  • Amapá (AP): R$ 400 milhões

  • Maceió (AL): R$ 97 milhões

  • São Roque (SP): R$ 93,15 milhões

  • Cajamar (SP): R$ 87 milhões

  • Itaguaí (RJ): R$ 59,6 milhões

  • Amazonas (AM): R$ 50 milhões

  • Aparecida de Goiânia (GO): R$ 40 milhões

  • Araras (SP): R$ 29 milhões

  • Congonhas (MG): R$ 14 milhões

  • Brodowski (SP): R$ 10 milhões

  • Fátima do Sul (MS): R$ 7 milhões

  • Santo Antônio de Posse (SP): R$ 7 milhões

  • Imbituva (PR): R$ 4 milhões

  • Paulista (PE): R$ 3 milhões

  • São Gabriel do Oeste (MS): R$ 3 milhões

  • Fernão (SP): R$ 3 milhões

  • Jateí (MS): R$ 2,5 milhões

  • Angélica (MS): R$ 2 milhões

  • Santa Rita d’Oeste (SP): R$ 2 milhões

  • Campo Grande (MS): R$ 1,2 milhão

A lista oficial consultada apresenta um total aproximado de R$ 1,8 bilhão. Embora a relação contenha 21 localidades nesta compilação, a contagem e os valores devem ser conferidos conforme a versão da base utilizada, já que diferentes levantamentos publicados mencionam 18 ou 19 fundos e podem incluir atualizações distintas.

Polícia Federal investiga operações

Os investimentos de fundos previdenciários no Banco Master passaram a ser examinados por autoridades diante de suspeitas sobre os riscos assumidos e as condições em que as aplicações foram realizadas.

No caso do Rio de Janeiro, a Polícia Federal investiga operações do RioPrevidência. A Veja informou que o ex-governador Cláudio Castro é investigado sob suspeita de ter facilitado transferências em troca de vantagens indevidas. Castro nega ter interferido na autarquia.

A investigação busca esclarecer a atuação de gestores e eventuais intermediários, além das circunstâncias em que os investimentos foram aprovados. A existência de uma investigação não representa, por si só, comprovação de responsabilidade criminal.

Por que as aplicações preocupam os aposentados?

Os recursos dos regimes próprios de previdência são destinados a custear benefícios de servidores públicos aposentados e pensionistas. Por isso, investimentos de alto risco podem gerar preocupação sobre a preservação do patrimônio necessário ao pagamento futuro desses compromissos.

As letras financeiras, utilizadas em parte das aplicações, não contam com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Em caso de insolvência da instituição emissora, a recuperação dos valores depende das condições do processo e dos recursos disponíveis para pagamento dos credores.

Isso não significa que todas as aplicações resultarão necessariamente em perda integral. O montante efetivamente recuperado depende da natureza dos ativos, das garantias existentes e do andamento dos procedimentos de liquidação e recuperação de créditos.

O que ainda precisa ser esclarecido

O caso envolve diferentes fundos, gestores e operações realizadas em períodos distintos. A apuração deverá esclarecer se os investimentos observaram as regras aplicáveis, quais riscos foram avaliados e se houve irregularidades na tomada de decisões.

A evolução das investigações e dos procedimentos de recuperação dos ativos será importante para determinar os possíveis impactos sobre os regimes previdenciários envolvidos.

Fontes:

Editor: Cassiano Cortez — Correio Gaúcho

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