Arroz: a “moeda verde do futuro”



 IRGA apresenta o conceito de “arroz climaticamente inteligente” no II Seminário Regional Agropecuário


Em meio aos desafios impostos pelas mudanças climáticas, o conceito de “arroz climaticamente inteligente” ganha cada vez mais relevância no setor agrícola, especialmente no Rio Grande do Sul, principal produtor do grão no Brasil.

Com o tema “Lavoura de Arroz – Sustentabilidade, eficiência e sequestro de carbono”, o IRGA levou ao debate, durante o II Seminário Regional Agropecuário — realizado em 30 de abril, em Mostardas —, uma nova forma de enxergar a produção orizícola. A abordagem foi apresentada pela pesquisadora do Instituto, Dra. Mara Grohs, que destacou o potencial do arroz como a “moeda verde do futuro”.

Segundo a pesquisadora, o conceito se baseia na adoção de práticas que “aumentam a produtividade ao mesmo tempo em que reduzem a emissão de gases de efeito estufa”. O arroz irrigado, cultivado em áreas alagadas, é tradicionalmente associado à emissão de metano — um dos principais gases responsáveis pelo aquecimento global. No entanto, avanços em manejo e melhoramento genético já permitem uma “redução significativa dessas emissões” no estado.

Entre as principais estratégias adotadas estão o plantio direto, o uso de cultivares com alto potencial produtivo, o manejo eficiente da água e a rotação de culturas — práticas que “integram sustentabilidade ambiental e eficiência produtiva”.

Um dos principais destaques é a rotação de culturas com soja. Estudos conduzidos na Estação Experimental do Arroz, em Cachoeira do Sul, indicam que essa prática pode reduzir “em mais de 54%” a emissão de gases de efeito estufa em áreas tradicionalmente destinadas ao cultivo de arroz. Atualmente, “mais de 50% da área arrozeira do Rio Grande do Sul” já adota esse sistema, ampliando de forma expressiva o impacto positivo na redução das emissões.

Além dos ganhos ambientais, o “arroz climaticamente inteligente” abre novas oportunidades de mercado. Produtores que adotam essas práticas começam a acessar o “mercado de créditos de carbono”, com empresas interessadas na aquisição desses ativos como forma de compensar emissões.

Mara ressalta que o conceito vai além da sustentabilidade e se consolida como uma alternativa economicamente viável. O “arroz climaticamente inteligente” combina alta produtividade, menor impacto ambiental e inserção em mercados emergentes ligados à economia verde — reforçando o protagonismo do setor na construção de uma agricultura mais resiliente e conectada ao futuro.

“Ações como essa fazem com que o IRGA, além de gerar conhecimento por meio de pesquisas, também o transfira à comunidade e à sociedade, garantindo acesso às informações produzidas e orientando sua aplicação nas lavouras”, finaliza Mara.

Por Margarete Ludwig - Coordenadora da Assessoria de Comunicação do Irga 
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