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| Créditos:elpais.com |
Vizinhos transformam porta da antiga casa de Maricarmen em local de homenagem com flores, velas e mensagens
A morte de Maricarmen Abascal, de 87 anos, provocou comoção em Madri e reacendeu o debate sobre a crise habitacional e os despejos na Espanha.
Nos arredores do prédio onde ela viveu durante décadas, moradores passaram a colocar flores, velas, cartazes e mensagens em sua homenagem. Bancos, árvores e até trechos da calçada foram transformados em pequenos memoriais improvisados.
Maricarmen morreu nesta quarta-feira, 7 de outubro de 2026, depois de permanecer internada no Hospital Gregorio Marañón desde o despejo de sua residência, ocorrido em 24 de setembro.
Uma vida inteira no mesmo endereço
Maricarmen vivia no imóvel da rua Alcalde Sainz de Baranda, em Madri, desde os 17 anos.
O contrato de aluguel vinha de sua família e permaneceu por décadas. Depois da morte dos pais, o contrato passou para Maricarmen, que continuou vivendo no apartamento.
Segundo informações do EL PAÍS, o imóvel tinha aproximadamente 90 metros quadrados e o aluguel era de cerca de 500 euros. A propriedade foi adquirida pela empresa Urbagestión S.L. em 2018. Dois anos depois, Maricarmen recebeu a comunicação para deixar o imóvel.
A partir daí começou uma longa disputa judicial que terminou com a decisão favorável à proprietária.
O despejo e a internação
O caso ganhou repercussão nacional quando Maricarmen foi retirada da residência em uma cadeira de rodas, cercada por policiais e ativistas que tentavam impedir o despejo.
Após deixar o imóvel, ela foi levada ao hospital.
A situação mobilizou organizações de defesa dos inquilinos e transformou a idosa em um dos símbolos recentes da luta pelo direito à moradia na Espanha.
Vizinhos deixam homenagens
Depois da confirmação da morte, moradores voltaram ao endereço onde Maricarmen viveu por aproximadamente 70 anos.
Um dos vizinhos contou ao EL PAÍS que ela era uma mulher ativa, enérgica e amável antes de o conflito habitacional consumir parte de sua vida.
Outro morador afirmou que o processo de despejo afetou profundamente a idosa e lamentou que ela não tenha conseguido retornar à residência.
A porta do antigo apartamento passou a receber mensagens de despedida e velas.
“Era uma lutadora”, foi uma das lembranças deixadas pelos moradores durante as homenagens.
Ela poderia voltar para casa
Um dos aspectos mais dramáticos do caso é que, segundo o EL PAÍS, houve uma mudança de posição por parte da empresa proprietária.
Representantes de Maricarmen chegaram a um acordo para que ela pudesse retornar ao apartamento mediante um novo contrato de aluguel.
O acordo, entretanto, não chegou a ser formalizado antes da morte da idosa.
Caso provoca pressão política
A morte de Maricarmen também ultrapassou o debate sobre seu próprio despejo.
O caso passou a ser associado à discussão de novas medidas de proteção aos inquilinos e contra despejos na Espanha.
Entre as propostas apresentadas pelo governo estão medidas relacionadas à proteção contra despejos até 2030, restrições à compra de imóveis por determinados fundos, mudanças nos contratos de aluguel e regras para locações temporárias.
O episódio também impulsionou manifestações e uma acampada na Puerta del Sol, em Madri, organizada por movimentos ligados à defesa do direito à moradia.
Símbolo da crise habitacional
Para os movimentos de defesa dos inquilinos, a história de Maricarmen representa um problema maior: o conflito entre idosos e famílias que vivem há décadas em imóveis alugados e as transformações do mercado imobiliário.
A morte da idosa transformou o caso em um símbolo nacional e aumentou a pressão sobre o governo espanhol em torno das políticas de habitação.
Ao mesmo tempo, o episódio abriu uma discussão sobre os limites dos despejos e sobre como proteger pessoas em situação de vulnerabilidade.
O que aconteceu com Maricarmen
87 anos: idade da idosa;
cerca de 70 anos: período em que viveu no imóvel;
24 de setembro de 2026: data do despejo;
7 de outubro de 2026: data da morte;
Madrid: cidade onde ocorreu o caso;
Hospital Gregorio Marañón: onde Maricarmen permaneceu internada após o despejo.
Editor Cassiano Cortez — Correio Gaúcho
Fonte
EL PAÍS — reportagem sobre as homenagens a Maricarmen
EL PAÍS — reportagem sobre os vizinhos e a história do despejo
RTVE — homenagem dos moradores

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