Brasil cai para 65º lugar em ranking mundial de competitividade e expõe desafios estruturais

 

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País perdeu sete posições em 2026; custo do capital, educação e eficiência empresarial estão entre os pontos críticos, enquanto energia renovável e investimento estrangeiro aparecem como vantagens.

Redação Correio Gaúcho
Data: 19 de outubro de 2026

O Brasil caiu para a 65ª posição entre 70 economias no Ranking Mundial de Competitividade de 2026, elaborado pelo centro de competitividade da escola de negócios IMD, em parceria técnica com a Fundação Dom Cabral. O resultado representa uma queda de sete posições em relação ao ano anterior e coloca o país entre os dez últimos colocados do levantamento.

A classificação evidencia dificuldades que vão além do desempenho econômico de curto prazo. Custos de financiamento, qualificação da mão de obra, eficiência das empresas e funcionamento das instituições estão entre os fatores que influenciam a capacidade de um país atrair investimentos, ampliar a produtividade e competir nos mercados internacionais.

O ranking foi divulgado em junho de 2026 e avalia 70 economias a partir de indicadores estatísticos e pesquisas com executivos. Os resultados devem ser interpretados como um retrato de diferentes dimensões da competitividade, e não como uma avaliação isolada de um governo ou de uma política econômica.

Brasil fica atrás de quatro países latino-americanos

Na edição de 2026, o Chile aparece na 43ª posição, a Argentina na 58ª, a Colômbia na 59ª e o Peru na 60ª. O Brasil ocupa o 65º lugar, enquanto a Venezuela fecha a lista na 70ª colocação.

A comparação regional mostra que o tamanho da economia, a disponibilidade de recursos naturais e o potencial de mercado não garantem, por si só, uma posição elevada em competitividade.

O resultado também depende de fatores como ambiente de negócios, capacidade institucional, infraestrutura, educação, produtividade e condições de financiamento. A metodologia do IMD combina essas dimensões para estimar a capacidade de cada economia de sustentar um ambiente favorável às empresas.

Quatro pilares explicam a avaliação

O IMD organiza a análise em quatro grandes fatores:

  • Desempenho econômico: examina aspectos relacionados à atividade econômica, ao comércio, ao investimento e ao mercado de trabalho.

  • Eficiência governamental: considera condições fiscais, políticas públicas e funcionamento das instituições.

  • Eficiência empresarial: avalia aspectos relacionados à produtividade, gestão, mercado de trabalho e ambiente de negócios.

  • Infraestrutura: abrange condições físicas, tecnológicas, científicas, educacionais e de saúde que dão suporte à atividade econômica.

Segundo os resultados divulgados em 2026, o Brasil perdeu posições nos quatro fatores. A queda mais acentuada ocorreu em eficiência empresarial, com recuo de 11 lugares. O desempenho econômico perdeu seis posições.

Esses resultados indicam que os desafios brasileiros não estão concentrados em uma única área. Eles envolvem tanto as condições para produzir e investir quanto a capacidade de transformar recursos econômicos em ganhos sustentados de produtividade.

Custo do capital e educação aparecem entre os principais obstáculos

Entre os indicadores específicos destacados na cobertura do levantamento estão o custo de capital, o endividamento corporativo e os resultados relacionados à educação básica.

O custo de capital é especialmente importante porque influencia a decisão de empresas de financiar projetos, modernizar equipamentos, ampliar instalações e desenvolver novas tecnologias. Quando o financiamento é caro, investimentos potencialmente produtivos podem ser adiados ou se tornar inviáveis.

A educação também tem impacto direto sobre a competitividade. A formação básica e profissional influencia a capacidade de adotar tecnologias, elevar a eficiência e responder às mudanças no mercado de trabalho.

No levantamento de 2026, o Brasil ficou na última posição em alguns indicadores específicos, entre eles custo de capital, endividamento corporativo, educação primária e secundária, produtividade da força de trabalho e habilidades linguísticas e financeiras, conforme os dados repercutidos pela CNN Brasil.

Essas classificações não significam que todas as empresas ou todos os trabalhadores brasileiros apresentem o mesmo desempenho. Elas identificam fragilidades comparativas nos indicadores utilizados pelo estudo.

O país também tem vantagens competitivas

Apesar da posição geral desfavorável, o Brasil apresenta pontos fortes em áreas específicas. Entre os indicadores destacados estão o crescimento de longo prazo do emprego, o fluxo de investimento estrangeiro direto, a participação de energias renováveis e a atividade empreendedora em estágio inicial.

Esses fatores ajudam a explicar por que uma economia pode ter vantagens importantes e, ainda assim, ocupar uma posição baixa no ranking consolidado.

A matriz energética brasileira, por exemplo, possui participação relevante de fontes renováveis. O país também conta com mercado consumidor amplo, recursos naturais, produção agropecuária de escala global e oportunidades em setores ligados à transição energética.

Transformar essas vantagens em competitividade de longo prazo, porém, exige condições para ampliar o valor agregado da produção, melhorar a infraestrutura, desenvolver tecnologia e aumentar a produtividade.

OCDE aponta entraves estruturais ao crescimento brasileiro

O diagnóstico também encontra pontos de convergência no relatório Foundations for Growth and Competitiveness 2026, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A instituição observa que o Brasil registrou crescimento do Produto Interno Bruto após a pandemia de Covid-19, mas continua enfrentando uma diferença significativa de renda por habitante em relação às economias mais desenvolvidas da organização. O relatório também destaca a estagnação do crescimento da produtividade e o baixo investimento.

Entre as áreas que exigem atenção, a OCDE aponta barreiras regulatórias, limitações à concorrência, integração restrita às cadeias globais de valor, lacunas de infraestrutura e desafios educacionais.

A organização recomenda melhorar a concorrência nos mercados, facilitar o comércio, ampliar investimentos em infraestrutura e promover acesso mais equitativo a uma educação de qualidade.

O diagnóstico reforça que a competitividade depende de um conjunto de políticas e condições estruturais. Medidas isoladas dificilmente resolvem problemas que envolvem educação, logística, financiamento, regulação e inovação ao mesmo tempo.

O que o ranking revela sobre o desenvolvimento do Brasil?

A queda na classificação internacional funciona como um sinal de alerta sobre a capacidade brasileira de criar condições duradouras para o crescimento empresarial e a produtividade. No entanto, o ranking não deve ser interpretado como uma medida única do desenvolvimento do país.

A posição final depende da metodologia, dos indicadores selecionados, da comparação com outras economias e das respostas dos executivos consultados. Além disso, diferentes fatores podem refletir períodos distintos de coleta de dados.

Para avaliar a evolução do Brasil, é necessário acompanhar séries históricas e indicadores específicos, como investimento por setor, produtividade por trabalhador, qualidade da educação, custos logísticos, acesso ao crédito e desempenho das exportações.

Também é importante separar a classificação geral dos resultados individuais. Um país pode avançar em determinadas áreas e recuar em outras, sem que uma única posição consiga explicar toda a trajetória econômica.

Competitividade exige continuidade e previsibilidade

Os dados do IMD e o diagnóstico da OCDE apontam para uma agenda de longo prazo: melhorar a formação da força de trabalho, ampliar a eficiência da infraestrutura, facilitar investimentos, reduzir obstáculos desnecessários à concorrência e fortalecer a previsibilidade das regras.

Para empresas brasileiras, essas condições influenciam os custos de produção, a capacidade de inovar e a disputa por mercados internacionais. Para o país, são fatores relevantes para elevar a produtividade e ampliar as oportunidades de crescimento.

A 65ª posição não resume toda a economia brasileira, mas evidencia desafios que precisam ser avaliados com dados concretos. O avanço dependerá da capacidade de transformar as vantagens nacionais em ganhos sustentados de eficiência, inovação e desenvolvimento.

Fontes consultadas

Editor: Cassiano Cortez — Correio Gaúcho



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