Ovinocultura busca mais produtividade e mercado para voltar a crescer

 

Debate Ovinocultura - Crédito Tamires de Moraes AgroEffective Divulgação

SIA e Arco reuniram produtores e especialistas para discutir geração de renda, organização da cadeia e valorização da carne e da lã


Uma das atrações do sétimo dia da 49° Expointer foi o "Encontro da Ovinocultura" promovido pelo Serviço de Inteligência em Agronegócios (SIA) em parceria com a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco). O encontro aconteceu nesta sexta-feira (4), na casa da Associação Gaúcha de Professores Técnicos de Ensino Técnico Agrícola (Agptea) no Parque de Exposições Assis Brasil em Esteio (RS), dentro da programação da feira, que vai até domingo (6).

A atividade reuniu produtores, técnicos e representantes do setor para discutir oportunidades, desafios e perspectivas da ovinocultura, com foco em temas como produção, comercialização, gestão e agregação de valor à atividade. A programação também destacou a necessidade de fortalecer a cadeia produtiva e ampliar a participação da carne e da lã ovina no mercado.

O gerente de Projetos da SIA, Gustavo Heissler, falou sobre o potencial de geração de renda da ovinocultura e a necessidade de maior integração entre os diferentes elos da cadeia produtiva.  Segundo Heissler, as oportunidades estão presentes em toda a cadeia, desde a produção da matéria-prima até o beneficiamento, a indústria e a comercialização de produtos de origem ovina. “Temos oportunidades em todos os elos da cadeia, desde a originação, ou seja, da produção da matéria-prima, seja ela laneira, leite ou carne, até a indústria, o beneficiamento e o aproveitamento de forma geral”, afirmou.

O gerente de Projetos da SIA ressaltou que o Rio Grande do Sul enfrenta uma redução histórica do rebanho ovino. De acordo com ele, nos últimos 30 a 35 anos, o efetivo estadual caiu 68%. Apesar da retração, Heissler avalia que a atividade apresenta potencial para voltar a ganhar espaço, especialmente pela capacidade de gerar capital ao produtor. “Nos últimos 30, 35 anos, nós reduzimos em 68% o nosso rebanho ovino. Hoje, esse processo já está um pouco mais estabilizado, mas cada vez mais se vê que essa é uma atividade com um potencial de geração de capital bárbaro desde a originação”, disse.

Heissler também apontou que, em determinadas condições, a ovinocultura pode apresentar resultados econômicos competitivos com outras atividades do agronegócio. “Em muitos casos, existe um potencial maior de deixar dinheiro em caixa para o produtor rural em comparação com uma lavoura de soja, que hoje é um grande driver do nosso ecossistema aqui no Rio Grande do Sul”, afirmou.

O gerente da SIA também destacou a existência de uma demanda reprimida no mercado brasileiro por carne ovina e outros produtos derivados da atividade. Segundo ele, mudanças no comportamento do consumidor abrem espaço para a expansão do setor. “Existe uma demanda reprimida hoje no Brasil por carne ovina, por produtos de origem ovina e, de forma geral, a ideia é que consigamos dar início a um encaixe entre cada um desses elos para fomentar a cadeia”, afirmou.

O presidente da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), Edemundo Gressler, defendeu o aumento dos índices de produtividade dos rebanhos e uma maior organização da cadeia da ovinocultura para aproveitar o crescimento da demanda por produtos ovinos. Para Gressler, não é possível que a atividade mantenha índices considerados baixos de fertilidade, nascimento e desmame diante do potencial de mercado existente para a ovinocultura. “Não é concebível que nós, produtores, tenhamos taxas de fertilização, de nascimento de cordeiro e de desmama tão tímidas como temos. Não é possível”, afirmou.

Na avaliação do presidente da Arco, a ovinocultura pode ser definida como uma “espécie das oportunidades”, diante da demanda existente tanto no Rio Grande do Sul quanto em outras regiões do país. “A espécie que nós criamos é a espécie das oportunidades. Está aí o mercado. E o mercado é o astro-rei, é quem está batendo à porta, não só dentro do Estado, como no Brasil inteiro”, disse.

Gressler destacou ainda a importância de ampliar a atuação da Arco para além do registro genealógico dos animais. A atuação nacional da entidade, segundo Gressler, permite acompanhar de perto diferentes realidades da produção ovina brasileira. Ele citou viagens recentes aos Estados do Maranhão, Piauí e Pernambuco, onde constatou o potencial da atividade na região Nordeste. “É avassalador o quanto representa a ovinocultura nos Estados do Nordeste”, afirmou.

Para o presidente da Arco, a experiência observada em outros Estados pode contribuir para a construção de uma cadeia mais organizada no Rio Grande do Sul. Ele citou como exemplo a estrutura apresentada por Santa Catarina durante o encontro e defendeu que iniciativas semelhantes sejam estimuladas em outras regiões.

Gressler também apresentou iniciativas desenvolvidas pela Arco no Rio Grande do Sul e anunciou uma parceria com o governo estadual para aplicação de recursos destinados ao fomento da ovinocultura. Segundo ele, recursos provenientes de taxas pagas por empresas gaúchas ligadas à cadeia da carne e da lã foram direcionados para um fundo estadual. A Arco firmou uma parceria com o Estado para utilizar esses recursos em ações de desenvolvimento do setor, por meio de edital. “O recurso do Fundovinos é 100% oriundo das empresas gaúchas”, destacou.

Entre as iniciativas citadas pelo dirigente está o programa Selo do Cordeiro Gaúcho. Gressler lembrou que, em 2014, o programa contabilizava 14 toneladas de carne ovina comercializadas, com acompanhamento técnico dos criadores. O presidente também destacou a criação, nos últimos anos, do programa de certificação da lã gaúcha. A iniciativa busca agregar valor ao produto e aproximar a produção no campo dos demais elos da cadeia. “A lã é um produto. Eu tenho uma origem no campo e na lavoura”, afirmou Gressler, ao defender a necessidade de valorização e organização da cadeia produtiva.

Foto: Tamires de Moraes/AgroEffective
Texto: Artur Chagas/AgroEffective

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