Por que tantos produtores estão deixando a atividade do leite no RS

 

Imagem IA

O leite está ficando pelo caminho em muitas propriedades gaúchas. Na última Expointer, a Emater divulgou que mais de 55,2 mil famílias deixaram de produzir a matéria-prima no Rio Grande do Sul nos últimos 10 anos. Agora, nesta terça-feira (1°), a instituição apresentou os motivos que ajudam a explicar a debandada. Entre eles, o preço baixo e a falta de previsibilidade, o custo dos insumos, o peso do trabalho e a dificuldade de sucessão familiar foram fatores que pesaram na decisão de cada um.


O levantamento, que ouviu, em julho deste ano, 1% de todos os produtores que abandonaram a atividade leiteira no período, revela que 30,8% tinham entre 21 e 30 anos de trajetória na produção de leite. A média era de 25 anos de dedicação.

— Dados que mostram que são famílias com tradição que estão abandonando a atividade — frisa Jaime Ries, zootecnista e assistente técnico estadual em Bovinocultura de Leite da Emater.

A maior parte da mão de obra dessas propriedades, 93,2%, era predominantemente familiar.

Os motivos
Quando perguntados sobre os fatores externos que contribuíram para a saída, os produtores apontaram principalmente a baixa remuneração do leite e a falta de estabilidade e previsibilidade nos preços, citadas por 79,3% dos entrevistados. Na sequência aparecem o custo de aquisição dos insumos, com 66,7%, e a dificuldade de contratar mão de obra, mencionada por 30,3%. No estudo, vale lembrar, eram aceitas múltiplas respotas.

O dinheiro, porém, não explica tudo. Entre os fatores internos, 66,4% citaram a penosidade da atividade. A falta de mão de obra apareceu para 61,3%, enquanto 37,8% apontaram o desinteresse dos filhos.

Outro dado chama atenção. A saída da atividade não parece estar diretamente relacionada à falta de estrutura produtiva. A maior parte das propriedades utilizava entre cinco e 10 hectares, com média de 12,5 hectares. 

Além disso, a produção média era de 18,7 litros de leite por vaca por dia, com aproximadamente 21,6 vacas por propriedade e uma produção média de 402 litros por dia.

E isso não significa necessariamente que o produtor tenha abandonado o campo. Quando perguntados sobre o destino da área, 59,4% passaram a produzir grãos e 35,2% migraram para a pecuária de corte.

Para Darlan Palharini, secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul (Sindilat-RS), o importante agora é que esses números não aumentem:

— Precisamos pensar em um planejamento, já que se sabe que aquele produtor que abandona a atividade dificilmente retorna.

Ainda segundo o estudo, 79,8% dos entrevistados afirmaram que não pretendem retornar à produção de leite.

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