Oficina na Expointer ensina consumidor a reconhecer azeite extravirgem de qualidade

Degustação de Azeites - Crédito Nestor Tipa Júnior AgroEffective Divulgação


 Degustação guiada na Casa Ibraoliva mostrou diferenças entre cultivares, terroirs e atributos sensoriais dos azeites produzidos no Rio Grande do Sul


Reconhecer um azeite extravirgem de qualidade exige atenção a características que vão além do sabor. Uma oficina realizada neste sábado (5), na Casa do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), no Parque de Exposições Assis Brasil, durante a 49ª Expointer, em Esteio (RS), apresentou ao público os principais atributos sensoriais do produto e as diferenças encontradas entre azeites produzidos em regiões distintas do Rio Grande do Sul.

A degustação guiada foi conduzida pela sommelier de azeites Chania Chagas e integrou as ações do Ibraoliva e do Empório do Azeite na feira. Durante a atividade, os participantes conheceram diferentes cultivares de oliveiras, identificaram aromas e sabores e aprenderam quais características devem estar presentes em um extravirgem.

Entre os atributos avaliados estiveram o frutado, o amargor e a picância. “A azeitona é uma fruta, então precisamos encontrar essa característica de fruta fresca. O extravirgem também precisa apresentar amargor e picância. Se não conseguimos identificar essas notas fundamentais, é possível que o azeite esteja em uma categoria inferior”, explicou.

A origem das azeitonas também interferiu no perfil encontrado durante a análise sensorial. Segundo Chania, uma mesma cultivar pode apresentar características diferentes conforme a região onde é produzida, o que permite identificar distintos terroirs dentro do Rio Grande do Sul. “Um Picual plantado na Campanha vai ser diferente de um Picual produzido na Serra ou na Costa Doce. De cada região teremos notas sensoriais diferentes”, afirmou.

Outro aspecto abordado na oficina foi a busca por equilíbrio e complexidade. A complexidade está relacionada à quantidade de notas sensoriais que podem ser identificadas, enquanto o equilíbrio depende da relação entre frutado, amargor e picância, sem que uma característica se sobreponha excessivamente às demais.

Chania relacionou parte desse perfil às práticas adotadas na produção gaúcha, como a colheita antecipada das azeitonas e o uso de equipamentos modernos de extração. “O foco dos produtores é a qualidade. A colheita é feita com o fruto ainda muito verde, o que também faz com que as notas de amargor e picância sejam bastante ressaltadas e resulte em azeites mais intensos”, relatou.

A sommelier também apontou o avanço do interesse por conhecimento sobre análise sensorial entre produtores e consumidores. Para ela, a combinação entre capacitação e modernização dos lagares acompanha a busca por azeites mais complexos e equilibrados. “As pessoas estão interessadas em conhecer mais e entender essa análise sensorial. Acredito que, daqui para frente, teremos um mercado bem diferenciado”, projetou Chania.

Foto: Nestor Tipa Júnior/AgroEffective
Texto: Nestor Tipa Júnior/AgroEffective

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