🧀 Ceará aposta no queijo coalho para ampliar mercado e valorizar produtores de leite

 

Queijo Coalho artesanal de Jaguaribe-CE
Foto crédito: Fernando Mourão


Queijo Coalho artesanal de Jaguaribe-CE

Com mais de 100 mil produtores e uma cadeia leiteira em expansão, estado busca profissionalizar queijarias artesanais e levar o tradicional queijo coalho para novos mercados

O Ceará quer transformar o tradicional queijo coalho em uma das vitrines da sua produção agropecuária. A estratégia passa pela profissionalização das queijarias artesanais, melhoria da qualidade, regularização dos estabelecimentos e utilização de certificações capazes de abrir portas para mercados fora do estado.

O movimento ganha importância em uma cadeia que reúne mais de 100 mil produtores de leite e movimenta bilhões de reais em Valor Bruto da Produção, segundo dados apresentados pelo setor. O Ceará é apontado como um dos principais produtores de leite do Nordeste e busca agregar mais valor à matéria-prima produzida no campo.

A transformação do leite em queijo é vista como uma maneira de aumentar o valor agregado dentro da própria cadeia produtiva.

🥛 Do leite ao queijo: mais valor dentro da propriedade

O queijo coalho faz parte da cultura alimentar nordestina e possui uma forte relação com a agricultura familiar e a produção de leite em diversas regiões do Ceará.

A legislação estadual reconhece queijo coalho, queijo de manteiga e manteiga da terra como produtos lácteos artesanais do Ceará. A legislação também estabelece que a produção artesanal deve preservar métodos tradicionais e características culturais e regionais.

A ideia agora é fazer com que essa tradição consiga alcançar consumidores de outras regiões do Brasil.

Para isso, a profissionalização das queijarias passa a ser fundamental.

🏭 Certificação pode abrir novos mercados

Um dos principais instrumentos nesse processo é o Selo Arte, concedido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária para produtos artesanais de origem animal que atendam aos requisitos estabelecidos na legislação.

No Ceará, a Queijaria Dona Vita, de Limoeiro do Norte, recebeu em abril de 2024 o primeiro Selo Arte do estado, tornando-se um caso de referência para o setor.

A certificação permite diferenciar produtos artesanais e pode facilitar a expansão comercial para outros mercados.

Segundo informações divulgadas na época da concessão do selo, os proprietários da queijaria afirmaram que a certificação era importante justamente para tentar levar o produto para outros mercados brasileiros.

📈 Um mercado que ainda tem espaço para crescer

Apesar da tradição, uma parcela significativa das pequenas queijarias cearenses ainda enfrenta dificuldades para se adequar às exigências sanitárias, administrativas e comerciais.

Em evento do setor realizado no Ceará, foi destacado que o estado possuía cerca de 2 mil queijarias artesanais, evidenciando o tamanho potencial dessa atividade.

O desafio é transformar essa grande quantidade de produtores em uma cadeia mais organizada, com produtos regularizados, padronização, identidade e capacidade de distribuição.

🧀 O queijo como identidade regional

O queijo coalho não é apenas um alimento.

Ele representa tradição, cultura e conhecimento transmitido entre gerações.

A própria legislação cearense estabelece que o produtor artesanal deve preservar a cultura regional e as técnicas tradicionais de fabricação.

Esse vínculo cultural pode se transformar em uma vantagem comercial.

Produtos artesanais com identidade territorial podem conquistar consumidores interessados não apenas no sabor, mas também na história por trás do alimento.

🌎 Do sertão para o Brasil

A estratégia do Ceará é transformar essa identidade em oportunidade econômica.

Com certificação, controle sanitário, melhoria da gestão e profissionalização das propriedades, o queijo produzido no interior pode deixar de depender apenas do mercado local.

O objetivo é alcançar supermercados, restaurantes, empórios, distribuidores e consumidores de outras regiões brasileiras.

Essa expansão, porém, depende da capacidade dos produtores de atender às exigências legais e manter a qualidade do produto em maior escala.

🧪 Qualidade é um dos principais desafios

A busca por novos mercados também exige investimentos em tecnologia e controle de qualidade.

Pesquisas realizadas no Ceará já estudaram formas de melhorar a padronização e a segurança microbiológica do queijo coalho artesanal.

Uma pesquisa apoiada pela Funcap, por exemplo, trabalhou com culturas láticas nativas para melhorar a qualidade e a padronização do produto, preservando características apreciadas pelos consumidores.

A pesquisa também envolveu treinamento de produtores e avaliação das necessidades das queijarias artesanais.

💰 Mais valor para o produtor rural

A industrialização artesanal do leite pode representar uma alternativa importante para aumentar a renda na propriedade.

Em vez de comercializar apenas o leite cru, o produtor pode participar de uma cadeia de maior valor agregado por meio da fabricação de derivados.

Mas isso exige estrutura, conhecimento técnico, regularização e acesso ao mercado.

O próprio modelo de regulamentação adotado pelo Ceará reconhece a produção artesanal como uma alternativa econômica para aproveitamento da produção leiteira do estado.

🐄 O futuro passa pela profissionalização

O movimento em torno do queijo coalho mostra uma transformação que vem ocorrendo em várias regiões produtoras do Brasil: a valorização dos produtos de origem regional como mercadorias de maior valor agregado.

No Ceará, o desafio é fazer com que a tradição consiga caminhar junto com a tecnologia, a segurança alimentar e a gestão empresarial.

A meta não é abandonar o modo tradicional de fazer queijo.

É profissionalizar o processo sem perder a identidade que to

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