ARGENTINA E URUGUAI AVANÇAM NO LEITE MUNDIAL — E O BRASIL ENTRA NO RADAR

 

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Mercosul ganha espaço no comércio global de lácteos enquanto Europa perde participação; crescimento argentino pode aumentar a disputa pelo mercado brasileiro

O mercado mundial de lácteos está mudando — e o Mercosul está ganhando espaço.

Argentina e Uruguai passaram de aproximadamente 3% para 4,3% do comércio mundial de lácteos entre 2017 e 2025, em um avanço que coloca os dois países em posição cada vez mais relevante no cenário internacional.

Os dados fazem parte do World Dairy Map 2026, elaborado pelo RaboResearch, e mostram uma transformação que merece atenção dos produtores e da indústria brasileira.

Para o Brasil, o movimento é particularmente importante. O país aumentou significativamente suas importações de lácteos nos últimos anos e se tornou um mercado cada vez mais relevante para os exportadores da região.

O MAPA MUNDIAL DO LEITE ESTÁ MUDANDO

O comércio internacional de lácteos cresceu de 91,1 milhões para 101,2 milhões de toneladas equivalentes de leite líquido entre 2017 e 2025.

Mas o crescimento não aconteceu de maneira uniforme.

Enquanto alguns países ampliaram sua participação, a União Europeia caiu de 30% para 27% do comércio mundial no período.

Os Estados Unidos avançaram de 11,3% para 13,5%, enquanto Argentina e Uruguai aumentaram conjuntamente sua participação em 1,3 ponto percentual.

A Nova Zelândia continua sendo o maior exportador individual, com aproximadamente 22% do comércio global.

ARGENTINA VOLTA A ACELERAR

Um dos pontos que mais chamam atenção é a recuperação da produção argentina.

Depois de uma queda acumulada de 8% entre 2022 e 2024, o país registrou crescimento de 10% em 2025.

E o avanço continuou: no primeiro trimestre de 2026, a produção apresentou crescimento de 7% na comparação anual, segundo os dados reunidos pelo RaboResearch.

Isso significa que a Argentina pode voltar a colocar volumes maiores de produtos lácteos no mercado internacional.

E existe um detalhe que interessa diretamente ao produtor brasileiro:

o Brasil é um dos mercados mais importantes para os produtos lácteos argentinos e uruguaios.

BRASIL IMPORTA MAIS E FICA NO CENTRO DA DISPUTA

As importações brasileiras passaram de 1,3 milhão para 2,3 milhões de toneladas equivalentes de leite desde 2022.

Queijos e leite em pó estão entre os principais responsáveis por esse crescimento.

O movimento aumenta a importância do Brasil dentro do mercado regional e coloca o produtor nacional diante de uma realidade cada vez mais competitiva.

Quando mais produto estrangeiro chega ao mercado brasileiro, a oferta aumenta e a formação de preços passa a sofrer influência ainda maior do mercado internacional e dos custos de produção dos países vizinhos.

Para o produtor de leite do Rio Grande do Sul, essa dinâmica merece atenção especial pela proximidade com Argentina e Uruguai e pela forte integração comercial existente no Mercosul.

QUEIJO GANHA FORÇA NO MUNDO

O mercado de queijo também está mudando rapidamente.

O comércio mundial do produto cresceu aproximadamente 40% desde 2017, chegando a 8,96 milhões de toneladas em 2025.

Argentina e Estados Unidos estão entre os países que mais avançaram.

Segundo o RaboResearch, os dois países duplicaram suas exportações de queijo desde 2017.

A transformação mostra que a disputa internacional não está concentrada apenas no leite em pó.

Cada vez mais, produtores e indústrias buscam transformar leite em produtos com maior valor agregado.

EUROPA REDUZ LEITE EM PÓ E ABRE ESPAÇO

Enquanto Argentina e Estados Unidos avançam em determinados segmentos, a Europa reduz sua participação em outros.

As exportações europeias de leite em pó integral caíram mais de 50% desde 2017, passando de aproximadamente 387 mil para 172 mil toneladas.

Parte desse leite foi direcionada para a fabricação de queijos, manteiga e outros produtos.

A mudança abre espaço para outros exportadores — e a Argentina está entre aqueles que podem ocupar parte desse mercado.

CHINA MUDA O JOGO

A China continua sendo a maior importadora mundial de lácteos, mas deixou de comprar nos mesmos níveis observados no auge de suas importações.

O crescimento da produção doméstica chinesa é apontado pelo RaboResearch como um dos fatores que reduziram a necessidade de determinadas importações.

Isso obriga os grandes exportadores a procurar novos compradores.

E é justamente nesse cenário que Brasil, Oriente Médio e Sudeste Asiático ganham importância.

O QUE ISSO SIGNIFICA PARA O PRODUTOR GAÚCHO?

O avanço de Argentina e Uruguai não significa, por si só, que haverá queda ou alta automática no preço pago ao produtor brasileiro.

Mas significa que o mercado regional está cada vez mais conectado.

Produção, importações, câmbio, custos, demanda internacional e disponibilidade de leite nos países vizinhos podem influenciar a formação de preços e a competitividade da cadeia brasileira.

Para o Rio Grande do Sul, essa conexão é ainda mais importante.

O Estado possui uma das principais cadeias leiteiras do Brasil e está geograficamente próximo de dois importantes produtores do Mercosul.

O leite gaúcho disputa espaço em um mercado que ultrapassa as fronteiras brasileiras.

A NOVA DISPUTA PELO MERCADO DO LEITE

Os números do RaboResearch deixam uma mensagem clara: o comércio mundial de lácteos está crescendo, mas o poder de cada participante está mudando.

A Europa perde participação.

Os Estados Unidos avançam.

A Argentina se recupera.

O Uruguai mantém sua relevância.

A China muda seu ritmo de compras.

E o Brasil aumenta sua presença como comprador.

Nesse novo cenário, Argentina e Uruguai já representam 4,3% do comércio mundial de lácteos.

Para a indústria, isso representa novas oportunidades.

Para os consumidores, pode significar mudanças na oferta.

E para o produtor brasileiro — especialmente o gaúcho — significa que acompanhar o mercado internacional deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade.

A disputa pelo leite não acontece mais apenas dentro da porteira. Ela está acontecendo em todo o Mercosul e no mercado mundial.

Fonte: Diário Lechero, com informações do World Dairy Map 2026, elaborado pelo RaboResearch. Conteúdo traduzido e adaptado pela equipe MilkPoint.

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