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Documentos apresentados em processo mostram ganhos de R$ 4,8 bilhões e perdas de R$ 4,963 bilhões em jogos de cassino durante 2025; caso também é investigado pela Polícia Federal
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Um caso envolvendo apostas online, uma disputa judicial e uma investigação da Polícia Federal chama atenção pelos valores movimentados. Documentos apresentados em um processo na Justiça de São Paulo mostram que o advogado Willer Tomaz registrou aproximadamente R$ 10 bilhões em movimentações entre ganhos e perdas em jogos de cassino da plataforma Blaze durante 2025.
De acordo com os documentos, foram aproximadamente R$ 4,8 bilhões em ganhos e R$ 4,963 bilhões em perdas, resultando em um saldo negativo de cerca de R$ 163,2 milhões no período.
Os números, porém, não significam que Tomaz tenha colocado R$ 5 bilhões em dinheiro novo na plataforma. O volume considera as sucessivas apostas: valores ganhos em uma rodada podiam voltar a ser utilizados em novas apostas.
R$ 6,6 bilhões em apostas em 18 meses
Dados apresentados posteriormente no processo indicam outra dimensão da movimentação.
Entre janeiro de 2025 e julho de 2026, Tomaz teria realizado 53.310 apostas, que juntas somaram aproximadamente R$ 6,6 bilhões.
No mesmo período, foram registrados 2.145 depósitos, totalizando R$ 325,3 milhões.
Os saques chegaram a R$ 180,3 milhões, deixando uma diferença de aproximadamente R$ 145 milhões entre os valores depositados e retirados.
A diferença entre os R$ 145 milhões e os R$ 163,2 milhões mencionados em outros documentos está relacionada aos períodos e critérios diferentes utilizados nos registros apresentados no processo.
Advogado entrou na Justiça contra a Blaze
Tomaz acionou a Justiça de São Paulo contra a empresa responsável pela plataforma.
Na ação, ele afirma ter desenvolvido ludopatia, transtorno relacionado ao comportamento compulsivo de apostar, e sustenta que a plataforma deveria ter adotado mecanismos para impedir a continuidade das apostas.
A defesa também afirma que Tomaz teria solicitado medidas de bloqueio ou restrição de sua conta e que, mesmo assim, teria continuado recebendo incentivos e publicidade relacionados às apostas.
O processo tramita na 44ª Vara Cível de São Paulo.
Blaze contesta as acusações
A empresa apresentou uma versão diferente à Justiça.
Segundo informações constantes do processo, a Blaze afirma que ofereceu mecanismos como limites de depósito e autoexclusão, mas que algumas dessas opções teriam sido recusadas pelo apostador.
A empresa também contestou a interpretação sobre determinados saques que não chegaram a ser transferidos para uma conta bancária.
Segundo documentos citados no processo, parte dos valores retornou ao saldo utilizado para apostas. A defesa de Tomaz interpreta esses episódios como um mecanismo que teria favorecido a continuidade das apostas, enquanto a empresa afirma que determinadas reversões foram realizadas pelo próprio usuário.
Justiça nega bloqueio de R$ 145,5 milhões
Em uma decisão recente, a Justiça de São Paulo negou o pedido para bloquear R$ 145,5 milhões em bens e ativos da empresa responsável pela Blaze.
O pedido havia sido apresentado por Tomaz com o argumento de garantir recursos para uma eventual condenação.
O juiz Guilherme Madeira Dezem, da 44ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo, entendeu que não havia elementos concretos suficientes para determinar o bloqueio.
Na decisão, segundo documentos divulgados sobre o caso, o magistrado considerou que o pedido estava baseado em conjecturas relacionadas ao futuro das operações de apostas e não identificou indícios materiais de que a empresa estivesse dissipando patrimônio.
Polícia Federal investiga movimentações
Além da disputa judicial contra a plataforma, as movimentações de Tomaz também entraram no radar da Polícia Federal.
A PF investiga possíveis irregularidades relacionadas às apostas e avalia a hipótese de que plataformas de jogos tenham sido utilizadas para movimentações financeiras suspeitas.
Tomaz foi alvo de medidas de investigação no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura suspeitas de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Segundo informações divulgadas pela imprensa, a investigação analisa se recursos relacionados ao esquema teriam passado por estruturas financeiras associadas ao advogado. Não há condenação de Tomaz por esses fatos, e sua defesa nega irregularidades.
Defesa nega lavagem de dinheiro
Em manifestação divulgada ao SBT News, a defesa de Tomaz rejeitou a suspeita de lavagem de dinheiro.
Os advogados afirmaram que as movimentações foram realizadas em conta própria, de forma transparente e rastreável, e negaram qualquer tentativa de ocultação ou dissimulação da origem ou do destino dos recursos.
A investigação da Polícia Federal ainda está em andamento.
Os números que chamaram atenção
Os documentos citados no processo apresentam diferentes indicadores da movimentação:
R$ 4,8 bilhões: ganhos registrados em jogos de cassino durante 2025;
R$ 4,963 bilhões: perdas registradas no mesmo período;
R$ 163,2 milhões: resultado líquido negativo apontado para 2025;
R$ 10 bilhões: aproximadamente, considerando ganhos e perdas registrados durante o ano;
R$ 6,6 bilhões: volume de apostas registrado em período de cerca de 18 meses;
53.310: número de apostas informado nos documentos;
R$ 325,3 milhões: depósitos realizados entre janeiro de 2025 e julho de 2026;
R$ 180,3 milhões: saques realizados no mesmo período;
R$ 145 milhões: diferença aproximada entre depósitos e saques nesse intervalo.
Caso reúne apostas, Justiça e investigação
O episódio coloca no centro do debate o funcionamento das plataformas de apostas online e os mecanismos de jogo responsável, especialmente em situações envolvendo apostadores que alegam comportamento compulsivo.
Ao mesmo tempo, a investigação da Polícia Federal acrescenta uma segunda dimensão ao caso: a análise sobre a origem e a circulação de recursos relacionados às apostas.
Até o momento, as acusações e suspeitas envolvendo Tomaz não equivalem a uma condenação criminal. A disputa contra a Blaze também continua na Justiça, enquanto a investigação policial permanece em andamento.
Correio Gaúcho
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