Praga confirmada em São Paulo e Santa Catarina pode causar impactos drásticos na produtividade
A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), por meio do Departamento de Defesa Vegetal (DDV), divulga nota técnica com orientações sobre o caruru-palmeri (Amaranthus palmeri), também conhecido como caruru-gigante. Trata-se de uma planta daninha altamente agressiva, ainda ausente no Rio Grande do Sul, que representa alto risco à produção agrícola.
A praga foi confirmada no início deste ano nos estados de São Paulo e Santa Catarina, o que acende um alerta para sua possível disseminação em direção ao RS. Pode causar prejuízos expressivos, com perdas de até 79% na produtividade da soja e 91% no milho, além de elevar os custos de produção e dificultar as operações de colheita.
Classificado como praga quarentenária presente pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o caruru-gigante se destaca pela rápida disseminação, elevada produção de sementes e resistência a diferentes herbicidas, fatores que dificultam o controle.
A espécie foi identificada pela primeira vez no Brasil, em 2015, no estado de Mato Grosso, com registros posteriores em Mato Grosso do Sul, em 2022. Até o momento, as ocorrências são consideradas pontuais e estão sob controle fitossanitário.
Prevenção é fundamental
O DDV orienta que produtores rurais adotem medidas preventivas, como o uso de sementes certificadas, a limpeza de máquinas e implementos agrícolas e o monitoramento frequente das lavouras. O trânsito de equipamentos provenientes de áreas com ocorrência da praga deve ser evitado, pois essa é uma das principais formas de disseminação.
Em casos suspeitos, a recomendação é não manejar a área e comunicar imediatamente os órgãos de defesa sanitária vegetal. Segundo o diretor do DDV, Ricardo Felicetti, a colaboração dos produtores é essencial para conter o avanço da praga. “A detecção precoce e a comunicação imediata são fundamentais para evitar a disseminação do caruru-gigante e proteger a agricultura gaúcha”, destaca.
Principais medidas para erradicação e contenção
- Interdição da área infestada
- Proibição do trânsito de solo, material vegetal e outros resíduos
- Arranquio e destruição das plantas
- Levantamento de delimitação em áreas vizinhas e naquelas que compartilharam máquinas e implementos.
Alerta e orientação aos produtores
- Entre as características da planta, é uma espécie altamente adaptada a ambientes quentes
- Crescimento acelerado, podendo ultrapassar 5 cm por dia
- Espécie dióica (plantas masculinas e femininas separadas), o que aumenta a variabilidade genética
- Inflorescências femininas com aspecto espinhoso, diferentemente das masculinas; cada planta fêmea pode produzir de 200 mil a 1 milhão de sementes, pequenas e facilmente dispersáveis
- Folhas podem apresentar mancha esbranquiçada em formato de “V” invertido;
- Pecíolo geralmente igual ou maior que o limbo foliar; alta capacidade de resistência múltipla a herbicidas.
Como comunicar suspeitas
Ocorrências suspeitas devem ser imediatamente comunicadas à Seapi pelo e-mail defesavegetal@agricultura.rs. gov.br, com envio de registro fotográfico,
localização precisa (endereço e, principalmente, coordenadas geográficas).
Mais informações também podem ser obtidas pelos telefones: (51) 3288-6294 e (51) 3288-6289.
Texto: Elstor Hanzen/ Ascom Seapi
Foto: Marlon Bastini/Embrapa

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