A citricultura no Rio Grande do Sul vive uma safra marcada por contrastes. Embora os pomares apresentem desenvolvimento dentro do esperado, a produção atual é menor em comparação ao ciclo anterior — um cenário que acende o alerta entre produtores e técnicos do setor.
As informações constam no mais recente Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, que aponta uma combinação de fatores climáticos e fitossanitários influenciando diretamente o desempenho das lavouras.
Produção menor, mas pomares seguem produtivos
Na região de Caxias do Sul, com destaque para o município de Veranópolis, os pomares mantêm bom estado sanitário e capacidade produtiva considerada satisfatória.
Mesmo com a redução da safra, os produtores seguem investindo em manejo técnico, com aplicação de tratamentos fitossanitários, adubação e roçadas. As lavouras de laranja estão em fase de frutificação, com frutos entre 8 e 10 centímetros, indicando bom desenvolvimento vegetativo.
Mercado ativo e manejo intensificado
Na regional de Lajeado, o trabalho no campo segue intenso. Os produtores reforçam os cuidados com o controle preventivo de doenças como a pinta-preta, além de práticas como poda e limpeza dos pomares.
O raleio da bergamota verde destinada à indústria já movimenta o mercado:
- cerca de R$ 14 por caixa em São José do Sul
- entre R$ 10 e R$ 13 em Tupandi
Outro destaque é a colheita da bergamota precoce sem sementes da variedade Okitsu, que alcança preço médio de R$ 30 por caixa, mostrando boa valorização no mercado.
Clima e pragas impactam produção
O cenário muda em regiões como Santa Rosa, onde já começou a colheita de laranja do céu e da bergamota Okitsu. Apesar do avanço da safra, o estresse hídrico em áreas de solo mais raso tem causado queda de frutos, reduzindo o potencial produtivo.
Além disso, produtores enfrentam problemas fitossanitários relevantes, como:
- cancro-cítrico
- cochonilhas
- pulgões
Na regional de Soledade, a ocorrência de pulgões foi registrada de forma pontual, favorecida pelo tempo seco — mais um reflexo das condições climáticas adversas.
Um setor resiliente, mas sob pressão
Apesar dos desafios, o setor citrícola gaúcho demonstra resiliência. Os pomares apresentam boa carga de frutos e perspectiva ainda positiva para laranja e bergamota, especialmente onde o manejo técnico é mais intensivo.
No entanto, a redução da safra evidencia uma realidade cada vez mais presente no campo: a dependência do clima e o avanço de pragas exigem maior investimento, planejamento e tecnologia.
Conclusão: menos produção, mais desafio
A safra de citros no Rio Grande do Sul em 2026 confirma uma tendência preocupante: produzir continua sendo possível — mas cada vez mais desafiador.
Entre clima irregular, pressão de pragas e custos elevados, o produtor precisa fazer mais para colher menos. E, diante desse cenário, o futuro da citricultura dependerá da capacidade de adaptação a um ambiente agrícola cada vez mais instável.

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