Secretaria da Agricultura participa de evento sobre mitigação dos gases de efeito estufa no Rio Grande do Sul



 Encontro, promovido pela Farsul, debateu redução da emissão de carbono e aumento da produtividade gaúcha


A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) participou, nesta sexta-feira (26/6), do evento “O Estado da Arte em Adaptação e Mitigação dos Gases de Efeito Estufa no Rio Grande do Sul”, promovido pela Federação da Agricultura do RS (Farsul), em Porto Alegre.
O coordenador do plano ABC+ RS e engenheiro florestal da Seapi, Jackson Brilhante, apresentou os resultados atualizados do Plano ABC+RS, reforçando o protagonismo do RS na adoção de tecnologias sustentáveis voltadas à adaptação às mudanças climáticas e à mitigação de gases de efeito estufa (GEE) na agropecuária. “No RS, o lançamento do Plano ABC + RS no Fórum Gaúcho de Mudanças Climáticas, em 2023, representou a expansão de boas práticas agropecuárias, que hoje conta com 10 tecnologias com resultados concretos de potencial mitigação de gases de efeito estufa no Estado, como o Programa de Recuperação de Pastagens Degradadas (PRPD), Expansão do Sistema de Plantio Direto e o sistema Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF)”, destacou o coordenador do Plano ABC+ RS.
O Plano ABC+ RS, instituído pela Resolução Seapi nº 001/2023, integra estratégias de adaptação e mitigação no setor agropecuário, alinhadas ao Plano Nacional ABC+ no período 2020/2030, com foco no aumento da resiliência, eficiência produtiva e redução das emissões. O coordenador Brilhante explicou que “a intensificação de eventos climáticos extremos tem aumentado e o RS está ocupando a 2ª posição no ranking nacional em ocorrências de estiagens e enxurradas”.
Jackson Brilhante apresentou estudos que indicam aumento médio de 0,44°C na temperatura em municípios com relevância na produção, associado a maior irregularidade no regime de chuvas, com períodos mais frequentes de déficit hídrico. Esse cenário reforça a necessidade de ampliar a adoção de sistemas produtivos mais resilientes. De maneira geral, os estudos demonstram que esses sistemas nascem de práticas de Recuperação de Pastagens Degradadas (PRPD) e que o Estado já alcança 732 mil hectares (ha) recuperados, o que corresponde a 51% da meta prevista no Plano ABC+RS até 2030.
Os municípios com maior expansão de PRPD estão Alegrete, Santana do Livramento, Uruguaiana e Rosário do Sul. Já o Sistema Plantio Direto de Grãos (SPDG) apresenta desempenho destacado no Estado, com 690 mil hectares de expansão, atingindo 115,32% da meta estabelecida, posicionando o Rio Grande do Sul na 4ª posição nacional da expansão dessa tecnologia essencial para conservação do solo e redução de emissões.
No campo da mitigação, a adoção do SPDG já resultou na redução em aproximadamente de 5 milhões de dióxido de carbono equivalente (Mg de CO₂) no Estado. Os municípios que se destacam na mitigação de emissões com SPDG são Alegrete (449.854/Mg CO₂eq), São Borja (197.170/Mg CO₂eq), seguidos por Santa Vitória do Palmar, Maçambará, Itaqui, Dom Pedrito e Santana do Livramento.

A adoção dos Sistemas Integrados também apresenta crescimento relevante. Os municípios que se destacam – São Lourenço do Sul, Uruguaiana, Dom Pedrito, Santa Vitória do Palmar e São Gabriel –  apresentam essa  tecnologia com números que já proporcionaram a mitigação de aproximadamente 7,94 milhões de dióxido de carbono (Mg de CO₂) equivalente no Estado.
Sobre o Plano ABC+ RS
A execução do Plano ABC+RS conta com um modelo estruturado de governança, integrando ações de assistência técnica, capacitação, pesquisa e inovação, com monitoramento contínuo por meio da Plataforma ABC+ e do SIGABC do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Os resultados apresentados demonstram que o Estado avança de forma consistente na transição para uma agropecuária de baixa emissão de carbono, conciliando produtividade, conservação dos recursos naturais e adaptação climática. O Plano ABC+RS consolida-se, assim, como uma política estratégica para o desenvolvimento sustentável, posicionando o Rio Grande do Sul como referência nacional e internacional na agenda climática da agricultura.
O secretário adjunto da Seapi, Antônio Carlos Ferreira Neto, o diretor do Departamento de Governança dos Sistemas Produtivos, Paulo Roberto da Silva e o subsecretário de Irrigação, Márcio Amaral, também estavam presentes no evento, representando a secretaria da Agricultura.

Debate Farsul sobre o Estado da Arte em Adaptação e Mitigação dos Gases de Efeito Estufa no Rio Grande do Sul
Durante a programação, os professores e pesquisadores Cimélio Bayer e Paulo Carvalho (UFRGS) e Filipe Selau Carlos (UFPel) apresentaram painéis que destacaram os desafios da agropecuária gaúcha e as vantagens de produzir com baixa emissão de carbono. Os painelistas destacaram que plantas vivas que ajudem na fixação de carbono nas lavouras na maior parte do ano, sistemas de baixa intensidade e frequência de pastejo/desfoliação e manejo de lavouras, podem contribuir significativamente para redução na emissão de carbono e também no aumento de produção para o setor agropecuário.
A secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura do RS (Sema), Marjorie Kauffmann, apresentou painel contribuindo com o tema, destacando o esforço do governo do Estado na redução das emissões dos gases de efeito estufa (GEE).
O evento foi promovido pela Farsul com o apoio da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), Seapi, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Embrapa e pode ser acessado pelo link O Estado da Arte em Adaptação e Mitigação dos Gases de Efeito Estufa no Rio Grande do Sul


Texto: Fabrízio Fernández/Ascom Seapi
Foto: Igor de Almeida/Ascom Sema
Legenda foto: Jackson Brilhante (Seapi), apresentando painel com os resultados
do plano ABC+ RS para mitigação de gases de efeito estufa (GEE) 

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