Safra de oliva pode ser histórica no Rio Grande do Sul e coloca Estado no topo do azeite nacional

 

O campo gaúcho vive um momento de virada. Após dois anos marcados por frustrações e perdas severas, a safra de oliva de 2026 desponta com força e pode entrar para a história como a maior já registrada no Rio Grande do Sul.

Produtores, técnicos e entidades do setor convergem em um diagnóstico otimista: os olivais estão carregados, o clima colaborou e a maturidade dos pomares indica um cenário de recuperação — e até de recorde.


 De crise à retomada

Nos últimos anos, a olivicultura enfrentou um cenário desafiador. Em 2023, o Estado havia atingido um recorde superior a 580 mil litros de azeite. No entanto, o excesso de chuvas e problemas climáticos derrubaram drasticamente a produção: cerca de 193 mil litros em 2024 e pouco mais de 190 mil em 2025.

Agora, o cenário mudou.

A safra atual surge como resposta a esse período crítico, com lavouras mais equilibradas e maior carga de frutos, indicando uma recuperação consistente do setor.


 Clima e tecnologia impulsionam produção

Entre os fatores decisivos para o desempenho da safra estão:

  • Inverno com horas de frio adequadas
  • Primavera com chuvas equilibradas
  • Melhor polinização das plantas
  • Evolução no manejo técnico

Esse conjunto de condições favoreceu diretamente a formação dos frutos e elevou a expectativa de produtividade.

Além disso, muitos pomares plantados nos últimos anos estão entrando agora na fase adulta, quando atingem o pico de produção — um fator estratégico para o crescimento da olivicultura no Estado.


 Projeções indicam recorde histórico

A expectativa é alta não apenas no Rio Grande do Sul, mas em todo o Brasil. A produção nacional pode ultrapassar 1 milhão de litros de azeite em 2026, superando com folga os números anteriores.

Municípios como Pinheiro Machado e Candiota devem concentrar uma fatia significativa dessa produção, podendo responder por mais de um terço do total nacional.

Especialistas apontam que, se as projeções se confirmarem, 2026 poderá marcar um novo patamar para o azeite brasileiro, tanto em volume quanto em qualidade.


🫒 Estado lidera produção nacional

O Rio Grande do Sul já é responsável por cerca de 75% da produção de azeite do país, consolidando-se como o principal polo da olivicultura brasileira.

A atividade cresce principalmente em regiões como:

  • Campanha Gaúcha
  • Região Central
  • Serra do Sudeste

Com quase 5 mil hectares cultivados e mais de 200 produtores, o setor ganha escala e profissionalização a cada safra.


 Desafios ainda preocupam o setor

Apesar do cenário positivo, especialistas alertam para riscos que podem comprometer o avanço da cultura:

  • Oscilações climáticas extremas
  • Doenças como a bactéria Xylella fastidiosa
  • Necessidade de controle na entrada de mudas

Esses fatores seguem no radar das entidades e produtores, que buscam proteger o crescimento da atividade no Estado.


 Um novo ciclo para o agro gaúcho

Mais do que números, a safra de 2026 representa um marco simbólico: a consolidação da oliva como uma cultura estratégica dentro do agronegócio gaúcho.

Com tecnologia, investimento e valorização do produto premium, o azeite produzido no Estado ganha espaço no mercado nacional e internacional — elevando o nome do Rio Grande do Sul a um novo patamar no cenário agrícola.

Se confirmada, a safra recorde não será apenas uma boa colheita, mas um divisor de águas para a olivicultura brasileira

Por Cassiano Cortez
Diretor e Editor-Chefe do Correio Gaúcho

Cassiano Cortez é jornalista e diretor do Correio Gaúcho, com atuação em cobertura regional, agronegócio e desenvolvimento econômico no Rio Grande do Sul.

 Fontes:

  • Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul
  • Produtores da região da Campanha Gaúcha
  • Dados de entidades do setor olivícola
  • Reportagens de veículos regionais


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