Após crise, cooperativa renegocia metade da dívida bilionária e recontrata funcionários demitidos



 Faturamento superou R$ 542 milhões em 2025 e credores estão recebendo em pagamentos trimestrais


Indicadores apontam que a Languiru, após uma forte crise financeira, tem alcançado bons resultados da sua reestruturação. Unidades foram vendidas, quadro de funcionários reduzido e dívidas renegociadas, detalhou o superintendente Administrativo e Financeiro da Languiru, Gustavo Marques, em entrevista ao Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha.    
Qual a situação de agora?

Estamos em liquidação extrajudicial desde 2023, fazendo uma reorganização operacional e financeira. Apresentamos os números de 2025 na última sexta-feira em assembleia. Não superamos todas as adversidades porque o rombo é significativo. Precisamos de tempo para enfrentamento adequado, mas os números sugerem que estamos efetivos no que propusemos.

A dívida, que era bilionária, está como? 

Lá em 2023, estava em R$ 1,17 bilhão. Nem todo o valor está sujeito à liquidação. Parte tem garantias reais. Do que está no processo, R$ 900 milhões, já renegociamos 52%, ou seja, os credores fizeram adesão ao nosso plano e estão recebendo em rodadas trimestrais de pagamento, o que a cooperativa enfrenta com seu próprio negócio. 

Além de uma pequena parte de varejo, o que mantém? 

Temos o nosso negócio de aves, com congelados e resfriados, além de prestar serviço à JBS. Em leite, temos o UHT e derivados lácteos, além da parceria com a Lactalis. Em ração comercial, trabalhamos junto com o segmento de grãos, que tem participação importante. Fomos a principal empresa que secou grãos para o produtor e ainda estamos colhendo milho. E nossa última unidade de varejo é o agrocenter, onde funciona também a sede, que é nosso ponto de fidelidade junto ao associado.

Como foi 2025?

Esses negócios nos levaram ao faturamento de R$ 542,9 milhões. O valor já conversa com esse porte atual da cooperativa em uma retomada de produção importante. Nosso olhar agora será para produção primária. Queremos aumentar aves de corte não só para enfrentar a dívida, mas para o crescimento da cooperativa.  

Estão recontratando funcionários demitidos? 

Quando cheguei, com o presidente Paulo Birk, em 2022, tínhamos 3,4 mil funcionários. Reduzimos a 700 e agora voltamos a 1,2 mil. Além disso, temos 1,6 mil associados ativos vendendo sua produção à cooperativa. Um número grande de famílias que dependem da Languiru. Estamos com uma capilaridade grande. (GZH)

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