Edificações de Passo Fundo são pioneiras na obtenção de etiqueta nacional de conservação de energia

Arquitetos e urbanistas formados pela UPF são os responsáveis pelo projeto arquitetônico e pela consultoria para etiquetagem dos prédios

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Foto: Reprodução
Etiqueta é fornecida pelo Inmetro e pela Eletrobrás/Procel Edifica 


Os consumidores já têm o hábito de verificar a etiqueta de eficiência energética, que mostra o nível de consumo de energia, na hora de escolher equipamentos eletrônicos. Essa referência começa agora a ser utilizada em edificações e dois projetos de Passo Fundo são pioneiros no Brasil na obtenção da etiqueta nacional de conservação de energia (Ence), fornecida pelo Inmetro e pela Eletrobrás/Procel Edifica. O Smart Morom Residence é a primeira edificação residencial do Rio Grande do Sul a obter a Ence das unidades habitacionais e das áreas de uso comum: ambas têm nível A de eficiência energética em projeto. O novo edifício administrativo da empresa Biotrigo Genética também conquistou o nível A de eficiência energética e é a primeira empresa do agronegócio no Brasil a ser etiquetada pelo Procel.

Ambos os projetos contaram com a consultoria de Júlia Luvisa Gauer, egressa do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Passo Fundo (UPF) e são de responsabilidade do arquiteto e urbanista Fernando Canali Lângaro, também egresso da UPF.

Vantagens ao consumidor, a cidades e ao meio ambiente
O programa de Etiquetagem da Procel é nacional e estimulado pelo governo federal e tem como propósito conscientizar a população para a redução do consumo de energia elétrica. De acordo com Fernando, existem poucas construções planejadas com essas diretrizes, por fatores como a falta de consciência do consumidor, falta de conhecimento técnico de projetistas e pela falsa sensação de que essas construções são muito mais caras do que as construções convencionais. “De fato, o custo de construção pode chegar a ser 7% maior, porém, o consumidor ganha em contas de água e energia mais baratas; as cidades com edifícios mais inteligentes; e o meio ambiente com menos emissões de gás carbônico”, resume o arquiteto. Fernando lembra que algumas cidades do Brasil adotam o IPTU Verde, benefício tributário ao contribuinte para construções que adotem estratégias de economia no consumo de água.

Júlia explica que as obras projetadas para serem eficientes energeticamente alcançam uma média de economia no consumo de energia elétrica e água em torno de 50% se comparada a uma edificação convencional. A arquiteta ressalta que a forma mais inteligente de ter uma construção certificada é planejar as estratégias de economia desde a fase de projeto, uma vez que a adequação posterior torna-se mais complicada e onerosa.

O planejamento de um edifício com princípios de sustentabilidade começa na escolha do terreno onde será implantado. “A insolação e a ventilação urbana são muito importantes para que possamos projetar essas edificações. Além disso, a escolha dos materiais construtivos deve ser feita para potencializar ao máximo o isolamento térmico e acústico”, explica Fernando.

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Smart Morom
A economia de energia proporcionada pelo Smart Morom Residence é fruto de diversas estratégias: máximo aproveitamento da iluminação natural, ventilação cruzada, brises para sombreamento das fachadas, bom posicionamento solar das esquadrias, sistemas de paredes e cobertura com baixa transmitância e absortância térmica, instalação de equipamento para aquecimento de água nível A e chuveiro e bacia sanitária dual flux com menor consumo de água. Nas áreas do condomínio, serão instaladas lâmpadas de maior eficiência, sensores de presença nos corredores e garagens, fotocélula ou timer nas lâmpadas externas, torneiras e bacias sanitárias com menor consumo de água, bombas de recalque de água nível A, sistema de coleta da água da chuva em cisternas para lavagem de pisos, calçadas e rega de jardins, equipamentos do salão de festas (geladeira, fogão) nível A e elevadores com eficiência energética nível A. Em construção no cruzamento das ruas Morom e Tiradentes, em Passo Fundo, o prédio deve ficar pronto em 2018.

Biotrigo
O prédio administrativo da Biotrigo foi construído com paredes externas em camadas, compostas por alvenaria e painéis de alumínio (ACM), criando paredes espessas com uma grande camada de ar. Isso aumenta consideravelmente o desempenho térmico, também aprimorado pelo uso de vidros de alto desempenho, telhas sanduíche e cores que refletem boa parte dos raios solares. Na iluminação, a economia fica por conta da utilização de lâmpadas led e fluorescentes de alto desempenho, bem como o uso de interruptores inteligentes, que permitem desligar as lâmpadas próximas às aberturas de forma independente.

No sistema de condicionamento de ar, todas as unidades internas convergem para somente algumas unidades externas de maior desempenho e os equipamentos têm ciclo reverso, o que impossibilita o aquecimento e o resfriamento do ambiente concomitantemente. A economia de água é alcançada através da utilização de bacias sanitárias com descarga de 3 ou 6 litros, e mictórios com descarga de 3 litros. Os chuveiros e torneiras têm arejadores, diminuindo o consumo. O aquecimento da água é feito com aquecedores à gás para os chuveiros e solares para as torneiras. Além disso, a água da chuva é reservada em uma cisterna e utilizada para a rega dos jardins e lavagem de pisos. Ainda, a edificação tem automação nos sistemas de iluminação e condicionamento de ar, possibilitando o controle à distância.

Vantagens de uma obra certificada
De acordo com Júlia, providenciar a certificação de uma obra é uma atitude de vanguarda, uma vez que o Plano Nacional de Eficiência Energética prevê que em 2030 todos os prédios residenciais brasileiros devem ser etiquetados e, até 2025, os edifícios comerciais. Desde junho de 2014, é obrigatória a etiquetagem de edificações públicas, com recursos federais.

O arquiteto Fernando acredita que hoje raramente os consumidores se atentam à eficiência energética na hora de adquirir um imóvel, mas logo isso tende a mudar. “Na Europa, isso já é uma realidade. As pessoas exigem a certificação e optam por um imóvel por sua classificação energética. Essas atitudes irão refletir no bolso do consumidor, com uma conta de energia enxuta, um menor consumo de água e de ar-condicionado”, considera.

Mudança de hábitos
Não basta ter um imóvel projetado para ter um bom nível de consumo, é necessário utilizá-lo com bom senso. “É preciso trabalhar a consciência do consumidor, para que entenda que alguns hábitos devem ser modificados. Fazer uso de lâmpadas econômicas, adquirir eletrodomésticos com etiqueta A, optar pela ventilação cruzada em determinadas épocas do ano e utilizar equipamentos sanitários com menor vazão de água são algumas das atitudes que podem ser adotadas, inclusive por quem ainda não tem um imóvel integralmente projetado para a economia de recursos, mas quer começar a mudar algumas práticas.

Escassez de água e energia
O uso racional é essencial para amenizar a crise hídrica e energética enfrentada pelos brasileiros atualmente. “As edificações são responsáveis pelo consumo de 40% do consumo total de energia produzida no mundo, portanto atitudes como essas, de redução nos gastos energéticos e consumo de água, são fundamentais na atual conjuntura do país”, finaliza Fernando.




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