UPF desenvolve equipamento para tratar efluente da industrialização do leite

UPF desenvolve equipamento para tratar efluente da industrialização do leite


Tecnologia de fácil aplicação e baixo custo é aprimorada por meio da construção e de teste de protótipo

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 Foto: Carla Vailatti

Equipe realiza ajustes nos equipamentos para que seja retirada da água a maior quantidade possível de poluentes

A industrialização do leite gera efluentes que, se não tratados adequadamente, comprometem os recursos hídricos, já prejudicados por outras formas de intervenção humana. As grandes indústrias, em geral, possuem sistemas de tratamento, mas as pequenas empresas nem sempre têm condições de realizar a destinação mais adequada. Estudar e propor tecnologias de tratamento de efluentes capazes de serem aplicadas por empresas dessa natureza é o objetivo do professor Dr. Marcelo Hemkemeier, do Programa de Mestrado Profissional em Projetos e Processos de Fabricação da Faculdade de Engenharia e Arquitetura da Universidade de Passo Fundo (PPGPPF/Fear/UPF), que, junto com outros professores e estudantes, estuda uma forma simples de tornar reutilizável a água proveniente de processos de industrialização de leite.

O projeto “Reuso de efluente tratado por eletroflotação seguida de processo de separação por membranas aplicados ao tratamento de efluentes de indústrias de laticínios” foi contemplado na faixa B da mais recente Chamada Pública do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (MCTI/CNPq) e está em andamento há menos de um ano. “Optamos pelo tratamento eletrolítico por sua implantação fácil e barata, bem como a facilidade de operação, considerando que dispensa o manuseio de produtos químicos”, explica o professor.

Como funciona
A água utilizada na indústria de leite sai carregada principalmente de matéria orgânica. “Inicialmente, os poluentes estão estáveis. Precisamos acrescentar uma carga de sentido contrário para desestabilizá-los, o que resulta em flotação (espuma) ou sedimentação (lodo)”, descreve Hemkemeier. Em seguida, para completar o tratamento, a água deve passar por membranas. “Nossa ideia é que essa água possa ser utilizada novamente pela indústria”, afirma o professor, destacando a intenção de proteger o meio ambiente. “Quanto menos água retirarmos da natureza, menor será o impacto que causamos. Estudos vêm mostrando que isso é viável”, ressalta. Além disso, o resíduo oriundo desse tratamento pode ser matéria-prima para compostagem (reciclagem de lixo orgânico), fechando o ciclo de reutilização do efluente.

Hoje, a equipe trabalha na produção de um protótipo, realizando ajustes para que o processo retire da água a maior quantidade possível de poluentes. De acordo com Hemkemeier, a única desvantagem do projeto é a utilização de energia elétrica, porém, é possível minimizar esse custo ao se recorrer a formas alternativas de geração de energia.

Trabalho em equipe
A dedicação a esse projeto fez a diferença na formação da acadêmica de engenheira ambiental Bianca Carolina Ludwig, que conclui a graduação em 2015. A então bolsista explorou, em seu trabalho de conclusão de curso, uma das etapas desse projeto. “Ver a aplicação prática dos conhecimentos foi o que mais me chamou a atenção nessa pesquisa”, conta Bianca, que não descarta a possibilidade de dar continuidade aos estudos na área. Os professores Dr. Jeferson S. Piccin, Dr. Luiz Airton Consalter e Dr. Vandré Barbosa Brião, da Fear, também integram a equipe de  pesquisa, além de outros estudantes de graduação e pós-graduação da unidade acadêmica.

A pesquisa está sendo desenvolvida em laboratórios da UPF e tem sequência em 2016 e 2017.

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