Trump fecha acordo com Putin para diesel russo e promete reduzir preços dos combustíveis

 



 Presidente dos Estados Unidos anunciou fornecimento de mais de 4,8 milhões de toneladas de diesel pela Rússia. A medida flexibiliza restrições comerciais e provoca críticas em meio à guerra na Ucrânia.

Redação Correio Gaúcho

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (9) um acordo com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, para ampliar o fornecimento de diesel russo aos mercados americano e internacional. Segundo Trump, as entregas devem superar 4,8 milhões de toneladas, em diferentes etapas, com o objetivo de aumentar a oferta e reduzir os preços dos combustíveis.

O anúncio foi feito após uma conversa entre os dois líderes e publicado na rede social Truth Social. Trump afirmou que a redução dos custos de energia é uma prioridade para os consumidores americanos, especialmente agricultores, pecuaristas e caminhoneiros, setores que dependem diretamente do diesel.

A iniciativa ocorre em um momento de forte pressão sobre o mercado de combustíveis dos Estados Unidos, com preços elevados e preocupação com os impactos sobre o transporte, a produção agrícola e a inflação.

Como será o fornecimento de diesel da Rússia?

De acordo com a declaração de Trump, o cronograma de entregas prevê diferentes volumes de combustível:

  • Mais de 300 mil toneladas: fornecimento imediato;

  • 500 mil toneladas: durante novembro;

  • 1 milhão de toneladas: na etapa seguinte;

  • 3 milhões de toneladas: em um período curto, condicionado à situação das refinarias russas.

Somados, os volumes anunciados ultrapassam 4,8 milhões de toneladas de diesel. Entretanto, as quantidades representam o cronograma informado pelos líderes e não significam que todo o combustível já tenha sido produzido, embarcado ou entregue.

A capacidade das refinarias russas e as condições logísticas serão fatores importantes para determinar quando os volumes poderão chegar efetivamente aos mercados.

Por que Trump quer ampliar a oferta?

O diesel é fundamental para o transporte de mercadorias, o funcionamento de máquinas agrícolas e diversas atividades industriais. Quando seu preço aumenta, os custos de produção e de distribuição também podem subir, pressionando os preços de alimentos e outros produtos.

Segundo reportagem da Reuters, o preço médio do diesel nos Estados Unidos chegou a aproximadamente US$ 6,28 por galão, em meio à crise internacional de energia e aos conflitos que afetam o abastecimento.

Trump argumenta que a entrada de combustível russo ajudará a ampliar a oferta e aliviar os preços. A reação dos mercados financeiros após o anúncio indicou expectativa de aumento da disponibilidade do produto.

No entanto, analistas do setor energético alertam que o efeito sobre os preços finais dependerá do volume efetivamente entregue, da demanda, da capacidade de refino e das condições do mercado internacional.

Acordo muda a política de sanções contra Moscou

A negociação também representa uma mudança relevante na política americana em relação à Rússia. Desde a invasão da Ucrânia em 2022, os Estados Unidos adotaram sanções para limitar receitas russas provenientes do setor energético.

A administração americana anunciou uma autorização temporária para determinadas importações de diesel russo, com validade prevista até 7 de abril de 2027, segundo informações divulgadas pela imprensa internacional.

A flexibilização provocou críticas de autoridades ucranianas e parlamentares americanos. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que a medida favorece Moscou e pode contribuir para sustentar os recursos utilizados pelo governo russo durante a guerra.

O governo americano, por sua vez, apresenta a iniciativa como uma medida para ampliar o abastecimento e conter os custos da energia.

Diesel mais barato pode beneficiar o agronegócio

A redução do preço do diesel tem importância direta para o agronegócio. O combustível é utilizado no preparo do solo, no plantio, na colheita e no transporte da produção até armazéns, indústrias e portos.

Nos Estados Unidos, agricultores e empresas de transporte estão entre os grupos mais afetados pelas oscilações dos combustíveis. Uma eventual queda nos preços pode ajudar a reduzir despesas operacionais, embora o impacto dependa da dimensão e da duração dessa redução.

Para o mercado internacional, o efeito também dependerá de como o diesel russo será distribuído entre os compradores e se o fornecimento representará um aumento real da oferta global ou apenas uma mudança nos destinos das cargas existentes.

Queda nos preços ainda não está garantida

Apesar da promessa de Trump, o acordo não garante, por si só, uma redução duradoura nos preços do diesel. Especialistas apontam que a oferta adicional pode ter impacto limitado diante do tamanho do mercado e das dificuldades enfrentadas pela indústria de refino.

Também permanecem questões sobre o ritmo das entregas, as condições comerciais e os efeitos da flexibilização das sanções sobre a guerra na Ucrânia.

O resultado dependerá da execução do cronograma e da evolução das condições internacionais de energia. Por enquanto, o anúncio representa uma tentativa de aumentar a disponibilidade de combustível e aliviar a pressão sobre consumidores e empresas.

Fontes: Reuters; Associated Press (AP); The Washington Post; Anadolu Agency.

Redação Correio Gaúcho

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