Pesquisas eleitorais divergem sobre Lula e Flávio Bolsonaro; veja comparação dos quatro institutos

 

Lula Oficial e Charles Vieira/Campanha Flávio Bolsonaro


 PoderData/Aya e Datafolha apontam empate técnico nos votos válidos, enquanto o Gerp apresenta diferença maior entre os candidatos. Quaest registra dois pontos de vantagem numérica para Flávio nas intenções totais.

Editor: Cassiano Cortez — Correio Gaúcho

Data de publicação: 16 de outubro de 2026

A corrida presidencial de 2026 apresenta diferenças importantes entre as pesquisas de segundo turno divulgadas nesta semana. Os levantamentos de PoderData/Aya, Gerp, Datafolha e Quaest mostram resultados distintos para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), principalmente na distância numérica entre os candidatos.

O PoderData/Aya registrou 50% para cada candidato nos votos válidos. O Datafolha divulgou 51% para Flávio e 49% para Lula, resultado dentro da margem de erro. A Quaest apresentou 46% para Flávio e 44% para Lula nas intenções totais. Já o Gerp registrou 50% para Flávio e 45% para Lula nas intenções estimuladas, com diferença maior que a observada nos outros levantamentos.

Os números precisam ser interpretados com cautela: os institutos utilizam metodologias próprias, e nem todos os percentuais divulgados representam a mesma medida estatística.

1. Comparação dos resultados

InstitutoFlávio BolsonaroLulaIndicador
PoderData/Aya50%50%Votos válidos
Datafolha51%49%Votos válidos
Quaest46%44%Intenção de voto total
Gerp52%48%Votos válidos, conforme divulgação do levantamento

Fontes: PoderData/Aya — Poder360, Datafolha — Folha de S.Paulo, Quaest — Folha de S.Paulo e Gerp — CNN Brasil.

Atenção: a tabela reúne os indicadores publicados, mas os resultados totais da Quaest não devem ser comparados diretamente aos votos válidos dos outros institutos. Para isso, é necessário utilizar a mesma base de cálculo.

2. PoderData/Aya: empate nos votos válidos

O levantamento divulgado em 16 de outubro pelo PoderData/Aya apresenta 50% para Lula e 50% para Flávio Bolsonaro nos votos válidos.

A pesquisa ouviu 3.000 pessoas entre 13 e 15 de outubro, por telefone, em 644 municípios das 27 unidades da Federação. A margem de erro informada é de 1,8 ponto percentual, com nível de confiança de 95%. O registro no TSE é BR-04258/2026.

O histórico divulgado pelo instituto mostra uma aproximação dos percentuais: a diferença era de seis pontos em 8 de outubro, passou para dois pontos na rodada intermediária e chegou a zero no levantamento mais recente.

Isso demonstra uma mudança nos resultados registrados pelo próprio instituto. Entretanto, não permite concluir que a mesma movimentação continuará nas próximas pesquisas.

3. Datafolha: diferença de dois pontos, dentro da margem de erro

O Datafolha divulgou 51% para Flávio Bolsonaro e 49% para Lula nos votos válidos. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

O instituto entrevistou 2.520 eleitores em 153 municípios, nos dias 13 e 14 de outubro, por meio de entrevistas presenciais. O levantamento tem nível de confiança de 95% e registro no TSE BR-00466/2026.

Na pesquisa anterior, Flávio tinha 52% e Lula, 48% dos votos válidos. Na rodada mais recente, a diferença caiu de quatro para dois pontos percentuais.

Como a diferença atual está dentro da margem de erro, o resultado é classificado como empate técnico. Isso não significa que os candidatos tenham necessariamente a mesma intenção de voto na população, mas que a pesquisa não estabelece uma diferença estatisticamente conclusiva entre eles.

4. Quaest: dois pontos de diferença nas intenções totais

A pesquisa Quaest divulgada em 14 de outubro registrou 46% das intenções de voto para Flávio Bolsonaro e 44% para Lula. Brancos e nulos somaram 9%, enquanto 1% dos entrevistados não soube responder.

O instituto ouviu 2.154 pessoas com 16 anos ou mais, entre 10 e 13 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pela TV Globo e pelo jornal O Globo e registrado no TSE sob o número BR-08729/2026.

A diferença de dois pontos está dentro da margem de erro informada. Portanto, os números também configuram empate técnico nas intenções totais.

Para comparar a Quaest com os resultados de votos válidos dos outros institutos, é preciso fazer a conversão para a mesma base. Em uma conversão proporcional simples, desconsiderando brancos, nulos e indecisos, os percentuais equivalem a aproximadamente 51,1% para Flávio e 48,9% para Lula. Essa conversão é um cálculo a partir dos números divulgados, não uma estimativa independente adicional da Quaest.

5. Gerp: a maior diferença numérica entre os quatro levantamentos

O Gerp apresenta 50% para Flávio Bolsonaro e 45% para Lula nas intenções de voto estimuladas. Na divulgação dos votos válidos, os percentuais são de 52% e 48%, respectivamente.

Segundo informações publicadas pela CNN Brasil, o levantamento ouviu 2.400 pessoas, tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95,55%.

A distância de quatro pontos nos votos válidos é maior que a diferença observada nas pesquisas do PoderData/Aya e do Datafolha. A comparação, contudo, deve considerar que cada instituto utiliza um desenho amostral e procedimentos próprios.

O resultado do Gerp é numericamente diferente dos demais, mas uma diferença entre estimativas não comprova, isoladamente, que um instituto esteja certo e os outros errados. Para uma avaliação mais aprofundada, seria necessário examinar os relatórios metodológicos completos e acompanhar novas rodadas.

6. Por que as pesquisas apresentam resultados diferentes?

Existem algumas razões para a variação:

  • Datas das entrevistas: os levantamentos não foram realizados exatamente no mesmo período. A opinião dos eleitores pode mudar entre uma coleta e outra.

  • Forma de entrevista: o PoderData/Aya utiliza entrevistas telefônicas, enquanto o Datafolha realiza entrevistas presenciais. O desenho da Quaest também precisa ser considerado em sua documentação metodológica.

  • Amostragem e ponderação: os institutos selecionam e ajustam as amostras com procedimentos próprios, que podem gerar diferenças nas estimativas.

  • Votos totais e válidos: os percentuais não são equivalentes. Votos válidos excluem brancos, nulos e indecisos, enquanto os totais consideram essas respostas.

  • Margem de erro: pequenas diferenças numéricas podem não ser estatisticamente conclusivas, sobretudo quando estão dentro da margem informada.

Por isso, não é correto escolher apenas o maior ou o menor percentual isolado para concluir qual pesquisa descreve melhor o eleitorado. É necessário comparar períodos, métodos, amostras e indicadores equivalentes.

7. O que a comparação permite concluir?

Os quatro levantamentos mostram uma disputa em que a distância entre os candidatos varia de acordo com o instituto. PoderData/Aya registra igualdade nos votos válidos; Datafolha apresenta dois pontos de diferença, dentro da margem de erro; Quaest também indica empate técnico nas intenções totais; e Gerp publica uma diferença numérica maior.

A convergência entre três desses levantamentos em torno de diferenças pequenas é um dado relevante. A divergência do Gerp também merece ser registrada, sem que isso autorize descartar qualquer estudo apenas por seu resultado.

A avaliação mais consistente depende da leitura conjunta dos números e das metodologias, além do acompanhamento de novas pesquisas. Nenhum desses levantamentos, isoladamente, determina o resultado das urnas.

Fontes consultadas

Correio Gaúcho — Política e Eleições 2026

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