| Créditos:Leandro Malósi Dóro Cartunista, jornalista e autor |
Projeto iniciado em 1995 transforma a memória de Passo Fundo em um gibi e busca parceiros para publicação e distribuição
Por Cassiano Cortez | Editor — Correio Gaúcho
Uma história que começou em 1995, ficou guardada por aproximadamente três décadas e agora ganha uma nova oportunidade de chegar às mãos dos leitores. O projeto “História de Passo Fundo em Quadrinhos” transforma acontecimentos, personagens e memórias do município em uma narrativa ilustrada em formato de gibi.
A proposta é levar a história de Passo Fundo para além dos livros tradicionais e aproximá-la principalmente das novas gerações, utilizando a linguagem dos quadrinhos como ferramenta de conhecimento, memória e educação.
O projeto busca agora formas de publicação, distribuição e circulação, especialmente em escolas, bibliotecas, universidades, espaços culturais e outras instituições do município.
Uma ideia que nasceu nos anos 1990
A história do projeto começou em 1995, quando o autor decidiu pesquisar e transformar a trajetória de Passo Fundo em quadrinhos.
Para desenvolver o roteiro, foram consultadas obras de pesquisadores e escritores ligados à história local, entre eles Marília Mattos, Delma Rosendo Ghen e Antonino Xavier e Oliveira.
A pesquisa também ganhou um componente familiar.
Antonino Xavier e Oliveira tinha ligação com a família do autor. Ele frequentava o hotel de Natalino Dóro, avô do autor, e acabou entrando também nas histórias familiares contadas por sua mãe, Hilda.
Essa combinação entre pesquisa histórica e memória pessoal ajudou a construir a identidade do projeto.
“Terra de Passagem” virou eixo da narrativa
Em 1996, durante as tentativas de viabilizar a publicação, o autor conheceu Ney Eduardo Possap D’Ávila.
Foi nesse período que entrou no projeto uma ideia que se tornaria um dos elementos centrais do roteiro: Passo Fundo como “Terra de Passagem”.
A expressão ajudou a construir uma narrativa sobre a própria formação do município e sua relação histórica com os caminhos, viajantes e diferentes grupos que passaram pela região.
Assim, o gibi não pretende apenas apresentar datas e acontecimentos.
A proposta é contar a história da cidade por meio de personagens, cenas e acontecimentos capazes de aproximar o leitor da memória de Passo Fundo.
O projeto ficou guardado por quase 30 anos
Apesar da pesquisa e dos desenhos iniciais, o projeto encontrou um obstáculo comum para produções independentes: o custo de impressão.
Na década de 1990, publicar uma obra extensa em quadrinhos exigia um investimento que acabou inviabilizando a primeira tentativa.
O material foi então guardado.
O que poderia ter sido o fim do projeto acabou se transformando em uma pausa de aproximadamente 30 anos.
Agora, com novas ferramentas digitais disponíveis, a história voltou a ser trabalhada.
Inteligência artificial ajudou a recuperar os desenhos
A retomada do projeto aconteceu com o apoio de ferramentas de inteligência artificial.
Segundo a proposta apresentada pelo autor, a tecnologia foi utilizada como ferramenta de apoio para revitalização dos desenhos, pesquisa visual e organização das cenas.
A intenção foi preservar a essência do material produzido originalmente, mantendo personagens e pesquisas históricas, enquanto a parte gráfica recebia uma nova abordagem.
A tecnologia, nesse caso, aparece como parte de um processo de recuperação de um trabalho antigo.
Mais de 2 mil páginas produzidas
A “História de Passo Fundo em Quadrinhos” também faz parte de uma produção muito maior.
Ao longo dos anos, foram produzidas mais de 2 mil páginas de quadrinhos, muitas delas relacionadas à memória de Passo Fundo, seus personagens e histórias.
Parte desse acervo permanece disponível na internet, enquanto outros materiais estão reunidos em livros, contos e arquivos pessoais.
Entre os espaços onde parte dessa produção pode ser encontrada estão os blogs Arquivo Doro e Memórias de Quebra-Cabeça.
A existência desse acervo amplia o projeto para além de um único gibi.
Trata-se de uma produção voltada à preservação de histórias e memórias que poderiam acabar dispersas ou esquecidas.
Quadrinhos podem aproximar os jovens da história
A proposta ganha uma dimensão especialmente interessante quando relacionada ao ambiente escolar.
Para muitos estudantes, conhecer a história de uma cidade significa entrar em contato com datas, nomes e acontecimentos por meio dos livros didáticos.
Os quadrinhos permitem outra experiência.
Personagens, cenários, diálogos e ilustrações podem transformar acontecimentos históricos em uma narrativa mais visual e acessível.
É justamente nesse ponto que o projeto pretende encontrar espaço em escolas, bibliotecas, universidades e instituições culturais.
A ideia é fazer com que a história de Passo Fundo possa ser conhecida também por meio de uma linguagem que dialogue com crianças, adolescentes e jovens.
Um presente para os 170 anos de Passo Fundo
A retomada do projeto ocorre em um momento simbólico para o município.
Com a proximidade dos 170 anos de Passo Fundo, a proposta é fazer com que a obra deixe os arquivos particulares e passe a circular pela cidade.
A intenção é buscar parceiros interessados em viabilizar a publicação e distribuição do material.
Entre os possíveis caminhos estão parcerias com instituições públicas e privadas, escolas, universidades, entidades culturais, editoras, empresas e organizações ligadas à preservação da memória local.
De 1995 para uma nova geração
O mais curioso na trajetória do projeto talvez seja justamente o tempo.
Uma ideia que começou quando a internet ainda dava seus primeiros passos, quando a produção gráfica era muito mais cara e quando a inteligência artificial sequer fazia parte do cotidiano, atravessou três décadas.
Os desenhos permaneceram.
A pesquisa permaneceu.
As histórias permaneceram.
E agora uma nova tecnologia ajudou a reabrir esse arquivo.
O resultado é uma tentativa de conectar a memória do passado com as ferramentas do presente.
Uma história que ainda pode ganhar novos capítulos
Mais do que publicar um gibi, o projeto coloca uma pergunta para a própria cidade: como preservar e contar a história de Passo Fundo para as próximas gerações?
A resposta encontrada pelo autor passa pelos quadrinhos.
A expectativa agora é encontrar parceiros que possam ajudar a transformar o material em uma publicação acessível e fazer com que ele chegue às salas de aula, bibliotecas e espaços culturais.
Depois de aproximadamente 30 anos de espera, a história que nasceu em 1995 está pronta para iniciar uma nova etapa.
E talvez o próximo capítulo seja justamente aquele em que “História de Passo Fundo em Quadrinhos” deixa os arquivos e começa a circular pelas ruas da cidade que ajudou a contar.
Onde conhecer parte do acervo
Parte da produção relacionada às memórias e histórias pode ser encontrada nos blogs Arquivo Doro e Memórias de Quebra-Cabeça, que reúnem materiais produzidos ao longo dos anos.
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Fonte: informações fornecidas pelo autor do projeto História de Passo Fundo em Quadrinhos.
Leandro Malósi Dóro
Cartunista, jornalista e autor
Parte desse material está disponível nos blogs Arquivo Doro (https://arquivodoro.blogspot.
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