Flávio Bolsonaro concentra repercussões na reta final da campanha

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Polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida, disputa judicial no STF, pesquisa Datafolha e incêndio em carro de som movimentam a campanha presidencial nesta segunda-feira (28)

Por Cassiano Cortez | Correio Gaúcho

A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) entrou em uma sequência de episódios de forte repercussão na reta final do primeiro turno. Nesta segunda-feira (28), a agenda do candidato foi marcada por novos desdobramentos envolvendo Nossa Senhora Aparecida, uma disputa judicial no Supremo Tribunal Federal (STF), a divulgação de uma nova pesquisa Datafolha e um incidente com um carro de som durante uma atividade em São Paulo.

Os episódios ocorreram a poucos dias do primeiro turno e colocaram novamente a campanha do candidato no centro do debate político e das redes sociais.

Polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida

Um dos principais assuntos envolvendo Flávio Bolsonaro nos últimos dias foi a circulação de uma informação falsa segundo a qual, caso fosse eleito presidente, ele pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

Flávio nega essa intenção e passou a criticar a circulação da informação.

A controvérsia ganhou um novo capítulo após o candidato afirmar que pessoas ligadas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) teriam ajudado a disseminar o boato.

A CNBB, entretanto, negou participação na produção ou divulgação de informações falsas relacionadas à eleição e afirmou que a instituição não autorizou nem participou da disseminação desse conteúdo. A entidade também contestou a acusação de envolvimento sem apresentação de provas.

Nesta segunda-feira, Flávio agradeceu publicamente à CNBB pela manifestação e voltou a afirmar que a informação sobre a retirada do título de Nossa Senhora Aparecida era falsa.

Disputa chegou ao STF

A discussão também chegou à Justiça.

O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), havia determinado a retirada de uma publicação do humorista Antonio Tabet relacionada ao assunto.

Posteriormente, o ministro Flávio Dino, do STF, derrubou a decisão e determinou o restabelecimento da publicação.

Segundo Dino, o conteúdo não citava nominalmente Flávio Bolsonaro ou familiares. O ministro avaliou que não havia elementos suficientes para justificar a remoção do conteúdo naquele momento e mencionou a proteção à liberdade de expressão e religiosa.

A campanha de Flávio recorreu e, nesta segunda-feira, solicitou ao ministro Luiz Fux a suspensão da decisão de Dino.

A defesa argumenta que o caso envolve questões mais amplas sobre decisões individuais da Justiça Eleitoral, liberdade de expressão e atuação das plataformas digitais durante o processo eleitoral. Dino também encaminhou o tema para análise do plenário do STF.

Datafolha mostra disputa concentrada

No campo eleitoral, a nova pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira mostra Lula com 40% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 36% no primeiro turno.

O levantamento foi realizado entre 22 e 23 de setembro, com 2.002 entrevistas presenciais em 125 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-00304/2026.

Na simulação de segundo turno entre os dois candidatos, o Datafolha registrou 47% para Lula e 45% para Flávio Bolsonaro, diferença que está dentro da margem de erro do levantamento.

O resultado representa uma fotografia do eleitorado no período em que a pesquisa foi realizada e não constitui previsão do resultado eleitoral.

Sul aparece com cenário diferente

O levantamento também apresenta diferenças regionais.

Entre os entrevistados da região Sul, Flávio Bolsonaro aparece com 47%, enquanto Lula registra 31%. Entre eleitores evangélicos, os índices são de 47% para Flávio e 27% para Lula.

Esses números fazem parte do recorte específico da pesquisa e não devem ser interpretados como resultado de votação ou previsão eleitoral.

Carro de som pega fogo em São Paulo

Outro episódio que chamou atenção nesta segunda-feira ocorreu durante uma agenda de campanha no Brás, na região central de São Paulo.

Uma caixa de som de um carro utilizado na estrutura do evento pegou fogo antes da chegada de Flávio Bolsonaro e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O incêndio provocou bastante fumaça e movimentação entre as pessoas presentes. Extintores foram utilizados para controlar as chamas e o veículo foi retirado do local.

Segundo as informações divulgadas até o momento, não houve registro de feridos. Também não havia, naquele momento, informação confirmada sobre a causa do incêndio.

Campanha entra na fase decisiva

Os diferentes episódios acontecem em um momento de intensa disputa eleitoral.

Além das pesquisas, a campanha de Flávio Bolsonaro tem sido marcada por debates envolvendo a atuação do STF, redes sociais, desinformação e temas religiosos.

No caso de Nossa Senhora Aparecida, é importante separar duas situações: é falsa a informação de que Flávio Bolsonaro pretende retirar o título de Padroeira do Brasil, segundo o próprio candidato, enquanto a acusação de que integrantes da CNBB teriam participado da disseminação do boato foi negada pela entidade.

A disputa judicial, por sua vez, continua em andamento no STF.

Com a aproximação do primeiro turno, novos levantamentos, decisões judiciais e acontecimentos de campanha devem continuar influenciando o debate público.

📊 Números da pesquisa Datafolha

  • Lula: 40%

  • Flávio Bolsonaro: 36%

  • Augusto Cury: 5%

  • Ronaldo Caiado: 4%

  • Renan Santos: 3%

  • Brancos/nulos: 5%

  • Indecisos: 2%

Segundo turno: Lula 47% x Flávio Bolsonaro 45%.

Pesquisa: 2.002 entrevistados, 125 municípios, realizada em 22 e 23 de setembro de 2026, margem de erro de 2 pontos percentuais.

Fontes: Datafolha, Agência Brasil, CNN Brasil, Agência Estado e Metrópoles.

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