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Estado amplia área, avança na irrigação e pode alcançar marca histórica na produção de pluma na safra 2025/26
Por Cassiano Cortez | Correio Gaúcho
A Bahia está ampliando seu espaço entre os grandes produtores de algodão do Brasil e caminha para atingir um novo recorde na produção de pluma.
Segundo estimativas divulgadas em 2026, o Estado permanece na segunda posição nacional, atrás apenas do Mato Grosso, e responde por mais de 20% da produção brasileira em algumas projeções.
O avanço ocorre principalmente no Oeste baiano, região que se transformou em um dos principais polos de produção de algodão do país.
🌱 Produção pode superar 1 milhão de toneladas
A expectativa mais recente da Agroconsult, divulgada durante a Etapa Algodão do Rally da Safra, aponta para uma produção de aproximadamente 882 mil toneladas de pluma na Bahia na safra 2025/26, alta de 10,6%.
A estimativa de produtividade chega a 335 arrobas de algodão em caroço por hectare.
Já estimativas divulgadas pela Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) apontam para um cenário ainda mais expressivo: a produção poderia ultrapassar 1 milhão de toneladas de pluma, com cerca de 417,9 mil hectares cultivados.
A diferença entre as estimativas mostra que os números ainda podem sofrer ajustes conforme a conclusão da colheita e a consolidação dos dados.
💧 Irrigação muda o perfil da produção
Um dos principais fatores por trás do avanço baiano é a expansão da agricultura irrigada.
De acordo com a Agroconsult, a área irrigada já representa quase metade da área cultivada com algodão no Estado.
A estratégia permite reduzir a dependência das chuvas e aumentar a estabilidade produtiva.
A projeção da consultoria é de 425 mil hectares plantados na Bahia, com a expansão das áreas irrigadas compensando a redução do cultivo de sequeiro.
🚜 Oeste baiano concentra a força do algodão
Municípios como Luís Eduardo Magalhães, São Desidério, Barreiras, Correntina e Formosa do Rio Preto estão entre os principais polos da produção.
A região combina grandes áreas agrícolas, mecanização, irrigação, tecnologia e estrutura de beneficiamento.
Esse modelo transformou o algodão em uma das principais atividades do agronegócio regional.
A Bahia também investe em tecnologias de manejo do solo, biotecnologia e rastreabilidade, elementos importantes para atender compradores internacionais.
🇧🇷 Bahia ganha importância enquanto produção nacional enfrenta ajustes
O crescimento baiano ocorre em um momento em que a produção brasileira de algodão apresenta diferentes comportamentos entre os estados.
A Agroconsult estima a produção nacional de 2025/26 em aproximadamente 4,2 milhões de toneladas de pluma, queda de 1,5% em relação ao ciclo anterior. Ao mesmo tempo, a Bahia teria crescimento de 10,6%.
No Mato Grosso, maior produtor nacional, a produção estimada pela consultoria é de aproximadamente 2,9 milhões de toneladas de pluma, recuo de 5,6%.
O cenário ajuda a explicar por que a participação relativa da Bahia vem ganhando importância.
🌎 Algodão brasileiro conquista o mercado internacional
O avanço da produção ocorre paralelamente à expansão das exportações brasileiras.
Segundo a Conab, o Brasil exportou 3,02 milhões de toneladas de algodão em pluma em 2025, volume recorde. Para 2026, o setor projetava embarques próximos de 3,06 milhões de toneladas.
A qualidade da fibra brasileira e a competitividade da produção ajudaram o país a conquistar novos compradores.
Para a Bahia, o mercado internacional representa uma oportunidade importante de crescimento.
📦 China e Ásia estão no radar
Parte significativa do algodão produzido no Oeste baiano é destinada ao mercado externo.
Entre os mercados compradores aparecem países com grandes indústrias têxteis, como China, Paquistão, Vietnã, Turquia e Bangladesh.
Isso coloca o produtor baiano diretamente conectado às oscilações do mercado mundial.
Preços internacionais, câmbio, custos de fertilizantes, fretes e demanda da indústria têxtil podem influenciar diretamente a rentabilidade da lavoura.
⚠️ O desafio: custos e preços
Apesar do avanço tecnológico e produtivo, a expansão do algodão não elimina os desafios econômicos.
Dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia apontam que os custos elevados de produção e os patamares de preços continuam sendo fatores de preocupação para a rentabilidade da cultura.
A cotonicultura exige máquinas específicas, sementes, defensivos, fertilizantes, irrigação, mão de obra especializada, beneficiamento e logística.
Por isso, produtividade elevada precisa vir acompanhada de eficiência econômica.
🌱 Sustentabilidade entra no centro da discussão
O crescimento da cotonicultura também aumenta a pressão por práticas sustentáveis.
O governo baiano destaca iniciativas de agricultura de baixo carbono, recuperação de áreas degradadas, eficiência no uso de recursos naturais e adaptação às mudanças climáticas.
A combinação entre tecnologia, irrigação, produtividade e sustentabilidade deverá ser cada vez mais importante para a competitividade da fibra brasileira.
📈 Bahia quer subir ainda mais
Os números mostram uma transformação importante.
A Bahia saiu de uma posição regional para se consolidar como um dos principais polos nacionais de algodão, com forte concentração produtiva no Oeste.
Agora, o desafio é transformar o aumento de área e produtividade em maior rentabilidade, mais exportações e maior valor agregado.
Se as estimativas mais otimistas forem confirmadas, a safra 2025/26 poderá marcar uma nova página na história do algodão baiano, com a produção de pluma superando pela primeira vez a barreira de 1 milhão de toneladas.
🌾 A nova potência do algodão brasileiro
A Bahia está mostrando que o algodão deixou de ser apenas uma cultura importante para o Nordeste.
Com grandes áreas mecanizadas, irrigação, tecnologia, produtividade elevada e conexão com o mercado internacional, o Estado se consolidou como um dos protagonistas da cotonicultura brasileira.
E a próxima safra poderá colocar a Bahia diante de um novo marco: mais de 1 milhão de toneladas de pluma produzidas em um único ciclo.
Fontes: Conab, Governo da Bahia/SEI, Seagri, Agroconsult/Rally da Safra e Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa).

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