Julgamento de ovinos incorpora teste de DNA para confirmar paternidade

 

Segundo Dia Julgamento Ovinos - Crédito Érika Ferraz AgroEffective Divulgação

Exame valida a ascendência dos animais e dá mais segurança às informações genealógicas usadas na seleção


O julgamento de ovinos chegou ao seu segundo dia e reúne nesta edição 934 animais de 14 raças na 49ª Expointer. A programação  acontece em uma das pistas centrais do Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS), com exemplares voltados à produção de carne, lã e pele. Participam as raças Corriedale, Merino Australiano, Ile de France, Ile de France Naturalmente Colorido, Crioula, Suffolk e Texel, que  lidera as inscrições, com 303 animais, entre outras.

Embora compartilhem características comuns à espécie, os grupos apresentam aptidões diferentes. O Merino Australiano, por exemplo, registra um bom desenvolvimento corporal, constituição robusta, conformação angulosa e grande volume de lã. A raça é especializada na produção de lã fina, com equilíbrio zootécnico orientado em 80% para lã e 20% para carne. Já o  Ile de France tem grande formato, constituição robusta e conformação voltada à produção de carne. Atualmente, é considerado uma raça de duplo propósito, com equilíbrio zootécnico de 60% para carne e 40% para lã.

A raça Crioula tem como características a face e as extremidades descobertas, além de velo formado por mechas de aspecto cônico, com coloração que varia do branco ao preto e inclui tons intermediários. Os animais apresentam tamanho médio em comparação com outras raças ovinas brasileiras, além de comportamento gregário e facilidade de manejo.

O Suffolk, por sua vez, apresenta grande desenvolvimento corporal, constituição robusta e conformação voltada à produção de carne. O corpo é comprido e musculoso, enquanto as extremidades são desprovidas de lã e revestidas por pelos negros e brilhantes. A conformação da cabeça e o formato das orelhas também são características da raça.

O coordenador do Colégio de Jurados de Ovinos da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), Márcio Armando Gomes de Oliveira, afirma que é preciso enfatizar que cada raça possui características próprias. “Devemos observar as aptidões positivas de cada grupo direcionadas para um tipo de produção. Em resumo, analisamos três coisas: característica racial, funcionalidade e parte econômica e produtiva”, destaca.

A novidade desta edição é que todos os animais inscritos terão a paternidade comprovada por DNA. O procedimento permite validar a ascendência paterna por meio de exame de genotipagem molecular e confirmar o reprodutor registrado como pai do exemplar. A medida tem reflexos para a identificação dos exemplares e para a segurança das informações genealógicas utilizadas na seleção. “É importante qualificar os animais junto com os seus pais, garantindo que aquele animal é filho de determinado genitor. Isto agrega valor ao animal”, afirma a superintendente de Registro Genealógico da Arco, Magali Moura.

A avaliação também é utilizada pelos criadores na definição da finalidade dos animais. Segundo Magali, é necessário considerar se o ovino será destinado à produção de carne, lã ou pele, além das características da região onde será criado.

Um dos criadores com histórico de premiações na Expointer é Élvio de Oliveira Flores, que teve ovinos Suffolk, entre machos e fêmeas, premiados nas seis últimas edições da feira. Na edição deste ano, Júnior Enrique Pezzini, da Cabanha Santa Angelina, de São Francisco de Paula, teve a fêmea Texel Angelina 111, de 11 meses, premiada. “Escolhi a raça pela carne, o desempenho da carcaça e a sua beleza”, afirma.
 
Os resultados dos julgamentos podem ser conferidos no site da Arco na aba exposições e depois em resultados. A participação da Arco na Expointer tem o patrocínio de Supra, mais que produtos, resultados, e de Senar, conhecimento que movimenta o Agro (Termo de Fomento FPE 2787/2024).

Foto: Érika Ferraz/AgroEffective
Texto: Adriana Machado/AgroEffective

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