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Nova sobretaxa de 25% pode provocar perdas bilionárias, pressionar produtores rurais e aumentar a tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos
O comércio exterior brasileiro amanheceu em estado de alerta nesta quinta-feira (16). Os Estados Unidos confirmaram a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, medida que pode atingir em cheio setores estratégicos da economia nacional, especialmente o agronegócio e a indústria exportadora. O governo brasileiro reagiu imediatamente e informou que pretende utilizar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica para responder à decisão norte-americana.
Segundo estimativas da Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio), o impacto pode ultrapassar US$ 11 bilhões em exportações brasileiras, tornando o Brasil um dos países com acesso mais restrito ao mercado norte-americano entre seus parceiros comerciais.
Agronegócio gaúcho acompanha cenário com preocupação
Embora diversos produtos do agro tenham sido preservados da nova sobretaxa, a medida gera insegurança para toda a cadeia produtiva.
Na lista de exceções divulgada pelo governo americano permanecem fora da nova tarifa itens como:
- Carne bovina;
- Café em grão;
- Suco de laranja;
- Manga;
- Mel;
- Café solúvel;
- Tilápia e outros pescados.
Mesmo assim, especialistas alertam que o ambiente de incerteza pode reduzir investimentos, alterar contratos internacionais e provocar queda na competitividade de diversos segmentos do agronegócio brasileiro.
No Rio Grande do Sul, produtores de tabaco acompanham a situação com especial preocupação. O setor afirma que a sobretaxa pode comprometer contratos internacionais, reduzir margens de lucro e afetar diretamente a renda no campo. Os Estados Unidos representam cerca de 9% das exportações brasileiras de tabaco, um dos produtos de maior relevância para milhares de famílias gaúchas.
Indústria também prevê perdas e risco de demissões
Representantes da indústria brasileira afirmam que segmentos como:
- máquinas e equipamentos;
- calçados;
- autopeças;
- produtos manufaturados,
devem sentir rapidamente os efeitos das novas tarifas.
Empresas já estudam rever investimentos e alertam para possível redução da produção caso a medida permaneça em vigor por longo período.
Governo brasileiro promete reação
O Palácio do Planalto classificou a decisão dos Estados Unidos como unilateral e anunciou que pretende recorrer aos mecanismos previstos na legislação brasileira para defender os interesses nacionais.
Entre as possibilidades estão:
- adoção da Lei de Reciprocidade;
- negociações diplomáticas;
- busca de novos mercados internacionais;
- eventual questionamento em organismos internacionais de comércio.
O que muda para o produtor rural?
Especialistas afirmam que, mesmo quando determinados produtos não são atingidos diretamente pelas tarifas, a guerra comercial provoca efeitos indiretos importantes:
- maior volatilidade do dólar;
- oscilações nas commodities agrícolas;
- aumento da cautela entre compradores internacionais;
- mudanças nas rotas de exportação;
- redução do ritmo de novos contratos.
Para o produtor, isso significa um ambiente de maior incerteza justamente no momento em que muitas propriedades planejam investimentos para a próxima safra.
Mercado acompanha próximos capítulos
Economistas avaliam que as próximas semanas serão decisivas para saber se haverá abertura para negociações entre Brasília e Washington ou se a disputa comercial poderá se intensificar.
Caso não haja acordo, setores ligados ao comércio exterior temem impactos sobre investimentos, geração de empregos e crescimento das exportações brasileiras, especialmente em segmentos que dependem fortemente do mercado norte-americano.
Fonte: Amcham Brasil, Governo Federal, USTR, InfoMoney, Poder360, CNN Brasil, Folha de S.Paulo.
Reportagem: Cassiano Cortez – Correio Gaúcho

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