Alta da commodity pode encarecer combustíveis, fretes, fertilizantes e elevar os custos do agronegócio no Rio Grande do Sul
O agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã voltou a sacudir os mercados internacionais e acendeu um alerta para a economia brasileira. Com o aumento do risco de interrupções no fornecimento mundial de petróleo, o preço do barril do tipo Brent, referência internacional, voltou a subir com força e se aproximou dos US$ 80, refletindo o temor de uma escalada militar no Oriente Médio.
Embora o conflito aconteça a milhares de quilômetros do Brasil, seus efeitos podem ser sentidos rapidamente no Rio Grande do Sul, especialmente por consumidores, transportadores e produtores rurais.
Por que o petróleo subiu?
O mercado internacional reagiu ao aumento das hostilidades entre Washington e Teerã e às ameaças envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta.
Cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo passa por essa estreita faixa entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico. Qualquer risco de bloqueio ou redução do fluxo faz investidores anteciparem uma possível escassez de oferta, elevando imediatamente o preço do barril.
Diesel mais caro pode atingir em cheio o agronegócio gaúcho
No Rio Grande do Sul, o impacto mais imediato tende a ocorrer sobre o diesel, principal combustível utilizado pelo setor produtivo.
Tratores, colheitadeiras, caminhões graneleiros, máquinas agrícolas e o transporte de alimentos dependem diretamente do diesel. Caso o petróleo permaneça em alta nas próximas semanas, o combustível poderá sofrer reajustes, aumentando significativamente os custos de produção.
Especialistas destacam que uma elevação prolongada da cotação internacional costuma pressionar toda a cadeia logística brasileira.
Fretes podem subir e alimentos ficarem mais caros
O aumento do diesel também encarece o transporte rodoviário.
No Rio Grande do Sul, onde grande parte da produção agrícola percorre centenas de quilômetros até portos, cooperativas e centros consumidores, qualquer reajuste no frete pode reduzir a margem de lucro dos produtores.
Além disso, produtos como carnes, leite, frutas, verduras e grãos podem chegar mais caros aos supermercados, já que o custo do transporte acaba sendo repassado ao consumidor.
Fertilizantes também entram na conta
Outro setor que pode sentir fortemente a crise é o mercado de fertilizantes.
O Brasil importa grande parte dos fertilizantes nitrogenados utilizados nas lavouras, cuja produção depende intensamente de derivados de petróleo e gás natural.
Se a crise persistir, o custo desses insumos poderá subir justamente em um momento de planejamento da próxima safra, pressionando ainda mais os produtores rurais.
Inflação pode ganhar força
O petróleo influencia muito mais do que os combustíveis.
Ele está presente na fabricação de plásticos, embalagens, defensivos agrícolas, produtos químicos, medicamentos, pneus, lubrificantes e milhares de itens industriais.
Com custos maiores de produção e transporte, economistas alertam para um possível avanço da inflação, caso o conflito continue pressionando os mercados internacionais.
O agronegócio gaúcho entra em estado de atenção
O Rio Grande do Sul é um dos maiores produtores de soja, milho, trigo, arroz, leite e carnes do país.
Toda essa cadeia depende diretamente da estabilidade dos preços dos combustíveis para manter sua competitividade.
Caso o petróleo permaneça próximo dos atuais níveis ou continue avançando, produtores poderão enfrentar custos maiores justamente em um período de recuperação após anos marcados por eventos climáticos extremos.
O que esperar daqui para frente?
Analistas afirmam que os próximos dias serão decisivos. Se houver avanço diplomático entre Estados Unidos e Irã, o mercado tende a reduzir parte da alta recente do petróleo. Porém, caso o conflito se intensifique ou ocorram novos problemas no Estreito de Ormuz, o barril poderá continuar subindo, aumentando a pressão sobre combustíveis, fretes e alimentos em diversos países, incluindo o Brasil.
Enquanto isso, consumidores e produtores gaúchos acompanham com atenção um cenário em que uma crise do outro lado do mundo pode ter reflexos diretos no custo de vida e na economia do campo.
Fontes: Agência Brasil, Reuters, CNN Brasil, UOL Economia.
Cassiano Cortez – Correio Gaúcho

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