Mês de fevereiro foi especialmente desafiador para a bovinocultura de leite
As temperaturas do ar médias elevadas do verão apresentaram um desafio para o manejo dos rebanhos bovinos de leite no Rio Grande do Sul, especialmente durante o mês de fevereiro. Estes são os resultados das análises de dados publicadas no Comunicado Agrometereorológico 101 - Especial Biometeorologico Verão 2025/2026, editado pelo Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDPA/Seapi).
O Comunicado analisa as condições meteorológicas ocorridas no período, como precipitação pluvial, temperatura e umidade do ar. Utilizando o Índice de Temperatura e Umidade (ITU), a publicação documenta e identifica as faixas de conforto/desconforto térmico calórico às quais os animais foram submetidos, estimando os efeitos na produção de leite.
Em dezembro de 2025, 52,6% dos municípios gaúchos apresentaram ITU médio indicativo de estresse térmico leve a moderado, com valores máximos absolutos superiores a 80 em mais da metade dos locais. Em média, os bovinos foram expostos a estresse térmico em 53,3% das horas avaliadas. O mês de janeiro de 2026 registrou ITU médio semelhante ao de dezembro, com aumento do percentual de horas em estresse severo e crítico, atingindo valores máximos absolutos de até 88,1 em Porto Vera Cruz. O estresse térmico ocorreu em 51% das horas avaliadas.
Já fevereiro apresentou o ambiente mais desafiador no manejo dos rebanhos, com 57% das horas permanecendo em estresse térmico e ITU médio de 72,2. “Onze municípios atingiram estresse crítico em algumas horas, com percentuais de períodos em estresse severo e crítico superiores aos meses anteriores, especialmente no Vale do Uruguai e Região Missioneira”, detalha a pesquisadora Ivonete Tazzo, uma das autoras do comunicado.
Vacas de maior produção de leite são mais vulneráveis ao estresse térmico calórico. “As estimativas de declínio de produção diário de leite devido ao estresse térmico no verão 2025/2026 variaram de 16,25% a 34%, dependendo da região do estado”, complementa a pesquisadora.
Para reduzir os impactos negativos do clima na produção leiteira, é preciso adotar estratégias de manejo nos períodos mais críticos de estresse térmico. “Algumas das estratégias adotadas são: disponibilizar áreas com sombreamento natural ou artificial para evitar exposição direta ao sol; garantir acesso livre e contínuo a água de boa qualidade; promover circulação de ar e resfriamento evaporativo, com ventiladores, aspersores, painéis evaporativos; ajustar dietas para reduzir o aporte calórico; e selecionar animais mais adaptados a ambientes quentes”, enumera.

0 Comentários