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| Foto: IA |
Proposta em debate no Congresso deve elevar custos do agro e impactar inflação
O possível fim da escala 6x1 no Brasil, previsto na PEC 8/2025, pode provocar um forte impacto no agronegócio, com aumento de custos, risco de perda de competitividade e pressão sobre os preços dos alimentos. A proposta, apoiada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deve entrar em discussão na Câmara em maio e já mobiliza o setor produtivo.
Impacto imediato no custo do agro
A mudança na jornada de trabalho — com dois dias obrigatórios de descanso semanal — deve gerar um choque estrutural de custos no campo.
Dados da Frente Parlamentar da Agropecuária indicam que:
- A produção de etanol pode ter aumento entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões
- O setor de proteínas (suínos e aves) pode enfrentar impacto de até R$ 9 bilhões
- Cooperativas agroindustriais podem registrar alta de R$ 2,5 bilhões
O principal motivo é a necessidade de novas contratações para manter o ritmo de produção.
Campo sente mais que a cidade
Diferentemente de setores urbanos, o agronegócio opera com ciclos contínuos e pouco flexíveis.
Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada:
- 96,6% dos empregos formais do setor rural seriam afetados
- Isso representa mais de 1,5 milhão de trabalhadores
- O custo da hora trabalhada pode subir 9,6% sem ganho de produtividade
Atividades como plantio, colheita e manejo de animais exigem operação constante, o que dificulta a adaptação à nova jornada.
Risco de perda de empregos
Apesar da proposta ter impacto menor em outros setores, no campo o cenário é mais delicado.
Estimativas apontam que o fim da escala 6x1 pode levar ao fechamento de cerca de 28 mil vagas no curto prazo, resultado da tentativa de equilibrar custos e produtividade.
Setores mais afetados
Estudo do Ministério do Trabalho indica que áreas como:
- Agropecuária
- Construção
- Comércio
podem ter aumento de custos entre 7,8% e 8,6%, acima da média geral (4,7%).
Já segmentos como transporte aquaviário e indústria de alimentos podem registrar elevação ainda maior, chegando a 10,5%.
Paraná pode ter prejuízo bilionário
No Paraná, um dos principais polos do agro nacional, o impacto seria expressivo.
Levantamento da Federação da Agricultura do Estado do Paraná aponta:
- Custo adicional de R$ 4,1 bilhões por ano
- Necessidade de 107 mil novas contratações
A avicultura e a suinocultura concentram a maior pressão, com impacto de R$ 1,72 bilhão anual.
Debate no Congresso ganha força
A proposta é de autoria da deputada Erika Hilton e deve avançar na Câmara sob a condução do presidente Hugo Motta.
Parlamentares ligados ao agro defendem que o tema seja debatido com cautela e participação de todos os setores.
O governo, por sua vez, sinaliza abertura para ajustes, enquanto estudos oficiais ainda estão em andamento.
O que pode acontecer agora
Se aprovada, a mudança na jornada pode desencadear um efeito em cadeia:
- Aumento no custo de produção rural
- Reajuste nos preços dos alimentos
- Impacto na inflação
- Redução da competitividade internacional do agro brasileiro
PROJEÇÃO
O debate sobre o fim da escala 6x1 vai além das relações de trabalho. Ele coloca em jogo o equilíbrio entre direitos trabalhistas, custos de produção e o preço final dos alimentos.
Nos próximos meses, a discussão no Congresso deve definir se o Brasil seguirá para um novo modelo de jornada — e qual será o custo dessa mudança para o campo e para o consumidor.

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