Reguladores aprovam megacordo de compra entre Fonterra e Lactalis




A venda da divisão de consumo da Fonterra para a Lactalis foi aprovada pelas autoridades regulatórias e, agora, o acordo deve ser concluído ainda no primeiro trimestre deste ano. Essa movimentação consolida o objetivo da cooperativa da Nova Zelândia em focar nos seus serviços B2B.

O contrato de NZ$4,22 bilhões (US$2,5 bilhões) vende para a Lactalis maior parte dos negócios de consumo da Fonterra, além de parte de suas operações de foodservice e ingredientes na Austrália, Oceania, Oriente Médio, África e sudeste asiático.

A transação inclui um retorno de ações de NZ$2,00 e proporcionará aos acionistas agricultores um retorno total de capital de NZ$3,2 bilhões, equivalente a cerca de NZ$393.000 por fazenda.

Enquanto isso, a Fonterra espera distribuir os lucros gerados durante o último ano fiscal como dividendo especial, informou a cooperativa em fevereiro.

“Estamos finalizando nossas contas intermediárias e podemos indicar que esperamos que o dividendo especial do Mainland esteja na faixa de 14-18 centavos por ação, refletindo o desempenho operacional do negócio Mainland durante o primeiro semestre deste ano, impulsionado pela gestão contínua de custos e preços favoráveis de commodities de entrada”, disse o CEO Miles Hurrell.

“Isso permanece sujeito à data de liquidação da transação e à finalização de nossas demonstrações financeiras e processo de auditoria.”

O que vem a seguir para Fonterra e Lactalis?

Já se passaram quase dois anos desde que a Fonterra anunciou uma mudança estratégica significativa, buscando transferir seu foco de produtos lácteos como commodities para ingredientes de maior valor agregado e foodservice.

Esse movimento foi precedido por anos de consolidação no setor, culminando com a decisão de vender seu portfólio de negócios de consumo, foodservice e outras atividades auxiliares — conhecidos coletivamente como Mainland Group — para a Lactalis, a maior empresa global do setor lácteo em termos de faturamento.

O processo de venda foi acompanhado de perto pela indústria ao longo de 2025, e inicialmente a Fonterra avaliou tanto uma venda privada quanto um IPO.

A liderança da cooperativa visitou mercados selecionados na Austrália e Oceania para sondar investidores, apoiada por um forte desempenho fiscal do Mainland Group, antes de optar pela venda privada como a forma mais simples de se desfazer de todos os negócios colocados à venda de uma só vez.

A Lactalis acabou sendo a vencedora da disputa, depois que a multinacional francesa também havia adquirido, no início daquele verão, o negócio de iogurtes da General Mills nos Estados Unidos.

O acordo reforça significativamente a posição já dominante da Lactalis no mercado global de laticínios, dando à empresa uma presença mais forte em mercados onde antes tinha apenas participação marginal. Ao mesmo tempo, a empresa manterá sua relação de fornecimento com a Fonterra por meio de vários contratos de longo prazo, tornando-se um dos maiores clientes da cooperativa neozelandesa e ajudando a garantir estabilidade de fornecimento.

Enquanto isso, a Fonterra poderá concentrar seus esforços em manter o crescimento nas áreas de ingredientes e foodservice, incluindo investimentos para ampliar a capacidade produtiva e maior foco em produtos lácteos de alto valor agregado.

Essa estratégia já trouxe resultados fortes no último ano fiscal, quando o CEO Miles Hurrell anunciou um programa de investimentos de quatro anos voltado a ampliar a capacidade industrial.

Na ocasião, queijos e proteínas foram os principais destaques de desempenho. Com a demanda contínua sustentando o crescimento, a cooperativa agora está posicionada para direcionar ainda mais investimentos para esses motores de expansão, à medida que se transforma em uma empresa mais enxuta e focada em ingredientes.

As informações são do Dairy Reporter, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.
 

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