A decisão de extinguir a chamada “taxa do agro” em Goiás provocou forte repercussão no agronegócio brasileiro. Criada para financiar obras de infraestrutura no estado, a contribuição gerou R$ 3,16 bilhões em arrecadação entre 2023 e janeiro de 2026, segundo dados apresentados pelo governo estadual durante a tramitação do projeto que determinou o fim da cobrança.
A medida foi aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado de Goiás após proposta do governo estadual, que justificou a decisão como necessária diante das dificuldades econômicas enfrentadas pelo setor agropecuário nos últimos anos.
O que era a taxa do agro
A contribuição estava vinculada ao Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra), criado em 2022 para financiar obras de logística, principalmente rodovias e pontes usadas para o escoamento da produção agrícola.
A taxa incidia sobre a comercialização e movimentação de produtos agropecuários e minerais, incluindo:
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soja
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milho
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cana-de-açúcar
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gado
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minérios
O objetivo do fundo era compensar perdas de arrecadação estadual após mudanças tributárias federais e garantir recursos para obras consideradas estratégicas para o desenvolvimento logístico do estado.
Bilhões arrecadados em três anos
Segundo informações oficiais apresentadas durante o debate legislativo, o fundo acumulou R$ 3,16 bilhões em receitas desde a criação da taxa. Desse total:
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78,6% dos recursos foram destinados a contratos de obras e projetos
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51,5% já foram efetivamente pagos em intervenções de infraestrutura no estado
O governo estadual argumenta que o fundo cumpriu sua função ao viabilizar investimentos em estradas e logística rural.
Pressão do setor produtivo
Desde sua criação, a taxa foi alvo de críticas de entidades do agronegócio. Produtores rurais argumentavam que a cobrança aumentava os custos de produção justamente em um momento de margens apertadas no campo.
Nos últimos anos, o setor agrícola enfrentou:
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queda no preço internacional da soja
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aumento do custo de fertilizantes e insumos
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alta do diesel e da logística
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crescimento do endividamento rural
Esse cenário ampliou a pressão política para que o imposto fosse revogado.
Debate político e econômico
O anúncio do fim da taxa também abriu um intenso debate político no estado. Enquanto o governo afirma que a arrecadação permitiu investimentos importantes em infraestrutura, críticos afirmam que a cobrança foi excessiva e prejudicou a competitividade do produtor rural.
Alguns líderes políticos defendem que os recursos arrecadados deveriam ser direcionados diretamente para apoiar o setor agrícola, especialmente em programas de crédito, seguro rural e renegociação de dívidas.
Impacto no agronegócio
Goiás é um dos principais polos do agronegócio brasileiro, com forte produção de:
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soja
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milho
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carne bovina
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etanol e açúcar
A retirada da taxa pode aliviar parte da pressão financeira sobre produtores e exportadores do estado, principalmente em um momento de volatilidade nos preços das commodities agrícolas.
Por outro lado, especialistas alertam que o fim da contribuição também levanta dúvidas sobre como serão financiadas as futuras obras de infraestrutura rural, consideradas essenciais para o escoamento da produção.
Um debate que vai além de Goiás
A discussão sobre a “taxa do agro” também reacende um debate nacional: como financiar infraestrutura no campo sem elevar a carga tributária do produtor rural.
O caso de Goiás mostra que, em um setor cada vez mais competitivo globalmente, qualquer novo custo na cadeia produtiva pode gerar forte reação do agronegócio.
Enquanto isso, o fim da taxa marca o encerramento de um capítulo polêmico na política econômica do estado — mas deixa aberta a discussão sobre o modelo ideal de financiamento para a infraestrutura do agro brasileiro.
Cassiano Cortez-Correio Gaúcho

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