Mosca-branca ameaça lavouras de soja e pode provocar perdas de até 70%

 

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Calor e seca associados ao risco de El Niño elevam a preocupação para a safra 2026/27. Especialistas recomendam monitoramento precoce para identificar a praga antes do fechamento das lavouras.

Data de publicação: 29 de outubro de 2026, às 17h11
Redação Correio Gaúcho
Editor: Cassiano Cortez

A mosca-branca está entre as ameaças fitossanitárias que exigem atenção dos produtores de soja na safra 2026/27. A combinação de temperaturas elevadas e períodos de seca pode favorecer o desenvolvimento da praga e aumentar o risco de perdas nas lavouras, especialmente em regiões produtoras do Matopiba, Goiás e Minas Gerais.

Crédito: Ouro Fino


Segundo reportagem publicada pelo Agrolink em 28 de outubro, o pesquisador Germison Tomquelski, da Desafios Agro, estima que a infestação sem controle adequado pode provocar perdas de 10% a 70% da produção, dependendo das condições encontradas na lavoura.

O alerta não significa que essas perdas estejam confirmadas para a próxima safra. O impacto depende da intensidade da infestação, das condições ambientais, do estágio da cultura e da eficiência das medidas de manejo adotadas pelo produtor.

Quais regiões estão sob maior atenção?

O alerta dos especialistas destaca o Matopiba, região agrícola que reúne Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Goiás e Minas Gerais também aparecem entre as áreas que podem enfrentar maior pressão da praga diante de condições de seca e calor.

A avaliação considera o risco de influência do El Niño sobre o cenário climático da safra. Entretanto, os efeitos variam de acordo com a região, e a ocorrência do fenômeno não significa que todas as áreas produtoras terão o mesmo comportamento meteorológico.

Para o produtor, acompanhar as condições locais é fundamental para avaliar o risco real e definir as estratégias de proteção da lavoura.

Fonte: Agrolink — Técnicos alertam para perdas por mosca-branca na soja.

Como a mosca-branca prejudica a soja?

A mosca-branca, conhecida cientificamente como Bemisia tabaci, é um inseto sugador que se alimenta da seiva das plantas. Ao retirar nutrientes das folhas, pode comprometer o desenvolvimento da soja e provocar desfolha precoce em situações de infestação elevada.

Outro problema é a liberação de uma substância açucarada sobre a superfície foliar. Esse material favorece o aparecimento da fumagina, um fungo que forma uma camada escura sobre as folhas e pode prejudicar a fotossíntese.

Em determinadas condições, a mosca-branca também pode transmitir vírus a plantas suscetíveis, ampliando os prejuízos potenciais.

Os danos variam conforme o nível de infestação e as condições da lavoura. Por isso, a identificação precoce é importante para evitar que a população do inseto aumente sem ser percebida.

Ninfas exigem atenção durante o monitoramento

As ninfas são formas jovens da mosca-branca e permanecem principalmente na parte inferior das folhas. Por serem pequenas e imóveis, podem passar despercebidas em inspeções superficiais.

O pesquisador Germison Tomquelski recomenda monitorar a lavoura antes do fechamento das linhas e observar a presença de duas a três ninfas por folíolo como referência para avaliar a necessidade de intervenção.

Esse número é uma orientação atribuída ao especialista citado pelo Agrolink, não uma regra universal para todas as situações. A decisão de controle deve considerar o estágio da soja, a intensidade da infestação e a orientação de um profissional habilitado.

O monitoramento frequente permite identificar focos iniciais e planejar o manejo antes que a praga se espalhe pela lavoura.

Manejo exige planejamento e orientação técnica

O engenheiro agrônomo Eric Ono, da Sipcam Nichino Brasil, destaca a importância de atuar sobre as fases jovens do inseto. Segundo ele, o controle das ninfas pode contribuir para interromper o ciclo de desenvolvimento da população.

A empresa menciona o produto Fiera®, apresentado como regulador de crescimento destinado ao manejo da praga. Essa informação faz parte do conteúdo técnico divulgado na reportagem original e não representa uma recomendação independente do Correio Gaúcho.

A escolha de defensivos deve respeitar o registro para a cultura e o alvo, as instruções da bula e a orientação de um engenheiro agrônomo. O manejo adequado também deve considerar a rotação de mecanismos de ação e o acompanhamento dos resultados das aplicações.

O que o produtor deve observar na safra 2026/27

Com a possibilidade de condições favoráveis à multiplicação da mosca-branca em determinadas regiões, os especialistas recomendam atenção desde as fases iniciais da cultura.

Entre os principais cuidados estão:

  • Inspecionar regularmente a parte inferior das folhas;

  • Observar a presença de adultos e ninfas;

  • Intensificar o monitoramento antes do fechamento das linhas;

  • Acompanhar as condições de temperatura, chuva e umidade do solo;

  • Buscar orientação técnica para definir o momento e a estratégia de controle.

A preocupação com a mosca-branca reforça que o potencial produtivo da soja não depende apenas do avanço do plantio ou do volume de chuvas. A sanidade das plantas e o manejo preventivo também podem influenciar o resultado final da colheita.

Conclusão: a mosca-branca pode causar perdas expressivas quando não é controlada adequadamente, segundo a estimativa citada pelo Agrolink. Para a safra 2026/27, o monitoramento precoce será importante nas regiões sob maior risco, mas os prejuízos efetivos dependerão das condições de cada lavoura e das medidas adotadas.

Fonte

Redação Correio Gaúcho
Editor: Cassiano Cortez

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