A abertura das apresentações técnicas ficou a cargo do médico veterinário Diego Viali dos Santos, do Centro Pan-Americano de Febre Aftosa e Saúde Pública Veterinária (Panaftosa), que apresentou o cenário mundial da doença e os principais desafios para o Brasil.
“Fortalecer a prevenção, a vigilância, a detecção precoce e a capacidade de resposta rápida é fundamental diante da atual realidade sanitária brasileira”, enfatizou. Segundo Viali, o produtor tem papel central na vigilância, pois pode identificar sinais suspeitos e comunicá-los imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial. “A proteção do status sanitário é uma responsabilidade de toda a cadeia produtiva e fundamental para preservar a produção, o comércio, a renda e os empregos”, completou.
Na sequência, a pesquisadora da Embrapa Clima Temperado Ligia Cantarelli Pegoraro abordou as medidas de biosseguridade na pecuária e seus impactos na sanidade dos rebanhos e na Saúde Única, conceito que integra as saúdes animal, humana e ambiental.
“A biosseguridade é essencial para prevenir a entrada e a disseminação de agentes causadores de doenças nos rebanhos. Medidas como testes sanitários antes da compra de animais, quarentena, controle de acesso, higiene e desinfecção reduzem os riscos, as perdas produtivas e os custos da atividade. Essas práticas contribuem para a segurança dos alimentos e a saúde pública, além de favorecer a sustentabilidade e a rentabilidade das propriedades”, explicou a pesquisadora.
Responsabilidade compartilhada
O último painel foi conduzido pelo presidente do Fundesa-RS, Rogério Kerber, que abordou a participação de produtores, profissionais, entidades, empresas, agroindústrias e poder público na defesa sanitária animal.
“A defesa sanitária animal é uma responsabilidade compartilhada, e o papel do produtor é fundamental. É ele que está perto do rebanho e pode identificar suspeitas e informar ao Serviço Veterinário Oficial. Essa atuação precisa ter resposta do Serviço Veterinário Oficial, das entidades e das agroindústrias”, ressaltou Kerber.
O presidente também lembrou que o Fundesa foi criado em 2005 por sugestão do próprio setor produtivo. Após a retirada da vacinação contra a febre aftosa, representantes da cadeia de proteína animal identificaram novamente a necessidade de fortalecer o fundo e propuseram uma nova modalidade de contribuição.
Vigilância permanente
O Rio Grande do Sul é reconhecido nacionalmente como zona livre de febre aftosa sem vacinação desde 2020 e, internacionalmente, desde 2021. A condição sanitária amplia as possibilidades de acesso a mercados, mas exige a manutenção de mecanismos de vigilância e controle para reduzir o risco de reintrodução do vírus.
No Estado, o Programa de Vigilância para a Febre Aftosa (Pnefa-RS), coordenado pela Seapi, trabalha com ações de vigilância ativa e passiva, controle do trânsito de animais e monitoramento contínuo da condição sanitária dos rebanhos. Suspeitas de doenças vesiculares devem ser comunicadas imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial, permitindo a adoção de medidas de investigação e proteção.
O fórum reforçou a importância de manter produtores e demais integrantes da cadeia produtiva informados e preparados para identificar situações de risco e comunicar rapidamente qualquer suspeita. A atuação integrada é considerada fundamental para preservar a condição sanitária conquistada pelo Estado e a segurança da produção pecuária gaúcha.
Texto: Elstor Hanzen/Ascom Seapi
Fotos: Fernando Dias/Ascom Seapi


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