Stablecoins e depósitos bancários tokenizados estão no centro da transformação digital do dinheiro, com possíveis impactos nos pagamentos, nas transferências internacionais e na liquidação de ativos.
O futuro do dinheiro pode não depender de uma única instituição ou tecnologia. A tendência discutida no mercado financeiro é a convivência entre instrumentos digitais emitidos por empresas privadas e depósitos bancários representados em redes digitais, em um cenário que aproxima bancos tradicionais, empresas de tecnologia e plataformas de ativos digitais.
A discussão foi abordada em artigo publicado pela Exame, em 17 de outubro de 2026, assinado por Marcos Viriato, CEO da Parfin. O texto analisa como as stablecoins e os depósitos tokenizados podem desempenhar funções diferentes dentro de uma infraestrutura financeira cada vez mais digital.
O que são stablecoins?
Stablecoins são ativos digitais criados para manter uma cotação vinculada a outro ativo, geralmente uma moeda fiduciária, como o dólar. Elas podem circular em redes blockchain e ser utilizadas em transferências e aplicações digitais.
Apesar da proposta de estabilidade, esses instrumentos não são isentos de riscos. A segurança depende, entre outros fatores, da qualidade das reservas, da estrutura do emissor, das regras de resgate e da supervisão regulatória.
Como funcionam os depósitos tokenizados?
Os depósitos tokenizados são depósitos bancários representados digitalmente por meio de tecnologias de registro distribuído. Diferentemente de uma stablecoin emitida por uma empresa privada, eles continuam vinculados à relação entre o cliente e uma instituição bancária.
Esse formato pode facilitar a integração entre pagamentos, liquidação de operações e gestão de recursos. A tecnologia também pode permitir que determinadas transações sejam executadas automaticamente quando condições previamente estabelecidas forem atendidas.
Como essas tecnologias podem mudar os pagamentos?
A tokenização permite representar digitalmente ativos como títulos, fundos e recebíveis. Em determinadas operações, isso pode reduzir etapas intermediárias e facilitar a coordenação entre a transferência de um ativo e o pagamento correspondente.
Na prática, uma empresa poderia manter recursos em uma conta bancária, utilizar depósitos tokenizados em algumas operações e recorrer a stablecoins em outras transferências, conforme as condições de cada transação e as regras aplicáveis.
Isso não significa que os modelos terão necessariamente a mesma função ou que um deles substituirá os demais. A adoção dependerá de fatores como custos, segurança, interoperabilidade, liquidez e exigências regulatórias.
O papel dos bancos centrais
O debate também envolve a preservação da confiança no dinheiro. O Banco de Compensações Internacionais (BIS) tem defendido que a inovação financeira precisa ser acompanhada de medidas para enfrentar riscos associados às stablecoins e preservar a estabilidade do sistema monetário.
Entre os pontos de atenção estão a proteção dos usuários, a qualidade das reservas, a prevenção a ilícitos e a capacidade de diferentes infraestruturas financeiras operarem de forma integrada.
Para o Brasil, o avanço dessas tecnologias coloca em pauta a necessidade de regras claras e de mecanismos que conciliem inovação, segurança e supervisão financeira.
O dinheiro do futuro será de quem?
A transformação em curso não se resume a uma disputa entre bancos e empresas de tecnologia. O cenário possível envolve diferentes emissores e infraestruturas, com instrumentos digitais utilizados de acordo com as necessidades de cada operação.
O principal desafio será garantir que essas formas de dinheiro possam coexistir com segurança, transparência e confiança. Mais do que definir quem emitirá o dinheiro do futuro, a questão será estabelecer como os diferentes modelos funcionarão dentro de uma mesma economia.
Fontes consultadas
Exame — O dinheiro do futuro será emitido por bancos ou por empresas de tecnologia?
Banco de Compensações Internacionais (BIS) — Inovação financeira e confiança no dinheiro
Redação Correio Gaúcho
Editor: Cassiano Cortez

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