China endure regras para carros: botões físicos voltam e telas flexíveis entram na mira

 

                                                            BYD King (Divulgação/BYD) 


Novas exigências de segurança atingem comandos essenciais, bancos reclináveis e maçanetas totalmente ocultas. Proposta pode influenciar veículos chineses vendidos no Brasil, mas não determina o fim das centrais multimídia.

Data de publicação: 18 de outubro de 2026
Editoria: Automóveis | Tecnologia

A China está preparando regras mais rigorosas para o desenvolvimento e a fabricação de automóveis. O objetivo é reduzir riscos associados a soluções tecnológicas que se popularizaram nos últimos anos, como comandos concentrados em telas, maçanetas totalmente ocultas e bancos que reclinam completamente durante a viagem.

A proposta, divulgada pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China (MIIT) em conjunto com outros três órgãos governamentais em 10 de outubro, prevê exigências adicionais de testes e restrições a determinadas soluções de design. O documento ainda está em consulta pública, portanto não deve ser tratado como uma regulamentação definitiva em todos os seus pontos.

Segundo a Reuters, as autoridades querem ampliar a verificação da segurança e da confiabilidade dos veículos antes e depois da aprovação para comercialização.

Botões físicos para funções importantes

A tendência de reduzir botões e concentrar comandos em grandes centrais multimídia ganhou espaço em veículos elétricos e modelos de design minimalista. Na prática, funções que antes tinham interruptores próprios passaram a depender de menus e ícones digitais.

As regras chinesas para controles físicos, em processo regulatório próprio, estabelecem que funções essenciais precisam continuar acessíveis por comandos dedicados. Entre os exemplos estão:

  • Setas e pisca-alerta, usados para sinalizar manobras e situações de emergência.

  • Seleção de marchas, que não deve depender exclusivamente de uma tela.

  • Limpadores e desembaçadores, importantes para manter a visibilidade.

  • Buzina e chamadas de emergência, necessárias em situações específicas de risco.

  • Comandos de segurança, que precisam continuar acessíveis mesmo quando o sistema digital apresenta falhas.

A proposta busca permitir que o motorista localize e acione controles essenciais sem navegar por menus ou desviar a atenção da estrada. Isso não significa que todas as telas serão proibidas: navegação, entretenimento e outras funções digitais podem continuar presentes.

A exigência de controles físicos para determinadas funções está prevista em uma norma com implementação programada para 1º de julho de 2027, conforme informações publicadas sobre o processo regulatório chinês. <Link url="https://carnewschina.com/2026/02/16/china-to-require-physical-controls-for-vehicle-functions-reducing-reliance-on-central-control-screen/" title="Veja os detalhes da regra para controles físicos"/>.

Telas dobráveis e flexíveis entram na mira

Outro ponto da proposta anunciada em outubro envolve telas dobráveis e flexíveis. O governo chinês pretende impedir que esses equipamentos sejam utilizados em veículos sem que os riscos de segurança e confiabilidade sejam adequadamente controlados.

A iniciativa também exige testes mais rigorosos para soluções inovadoras de design. A preocupação é evitar que tecnologias cheguem ao mercado sem comprovação suficiente de resistência, durabilidade e funcionamento em condições reais de uso.

A medida não equivale a uma proibição geral de telas grandes ou de centrais multimídia convencionais. O foco está nas soluções especificamente citadas pelo documento e nos requisitos de segurança aplicáveis a cada projeto.

Bancos de gravidade zero terão restrições

Os chamados bancos de gravidade zero, projetados para reclinar o ocupante em uma posição próxima à de repouso, também estão entre os itens atingidos pelas novas exigências.

A proposta prevê que esses bancos não sejam utilizados com o veículo em movimento. A restrição também alcança bancos giratórios e configurações que transformam o assento em uma espécie de cama durante a condução.

O principal risco é o chamado efeito submarino: em uma colisão, o corpo do ocupante pode deslizar por baixo do cinto de segurança quando está excessivamente reclinado. Isso reduz a capacidade de retenção e pode aumentar a gravidade das lesões.

Maçanetas ocultas também são alvo de mudanças

As maçanetas totalmente embutidas na carroceria, populares em vários modelos elétricos, enfrentam restrições específicas na China. A preocupação é garantir que as portas possam ser abertas em situações de emergência, inclusive quando houver perda de energia elétrica ou danos após uma colisão.

A proposta de outubro prevê a proibição desse tipo de maçaneta totalmente oculta. A China já havia publicado exigências próprias para o funcionamento seguro das maçanetas, incluindo mecanismos de abertura e identificação dos comandos.

As regras fazem parte de um movimento mais amplo para que o design dos automóveis não comprometa o acesso ao veículo ou a evacuação dos ocupantes.

O que muda para os carros vendidos no Brasil?

O impacto no mercado brasileiro dependerá das decisões de cada fabricante e das versões comercializadas em cada país.

Montadoras chinesas que exportam veículos podem optar por padronizar seus projetos para atender às exigências de diferentes mercados. Isso pode resultar em modelos com mais botões físicos, alterações nas maçanetas e mudanças em alguns equipamentos de cabine.

Entretanto, não há uma determinação automática de que todos os carros chineses vendidos no Brasil terão de ser modificados imediatamente. A aplicação das regras depende do cronograma chinês, do modelo, do processo de homologação e das normas brasileiras.

A discussão também pode influenciar outras fabricantes, pois a facilidade de uso e a segurança dos comandos têm sido debatidas internacionalmente.

Segurança passa a pesar mais no design

A mudança regulatória representa uma tentativa de equilibrar inovação, estética e segurança. Telas e sistemas digitais oferecem integração de funções e atualizações de software, mas podem dificultar o acionamento rápido de comandos quando funções essenciais ficam escondidas em menus.

O desafio das montadoras será manter a conectividade e o conforto sem comprometer a operação intuitiva dos veículos.

Com novas exigências de testes e restrições a determinados equipamentos, a China sinaliza que soluções tecnológicas precisarão demonstrar não apenas apelo comercial, mas também segurança e confiabilidade.


Fontes consultadas

Redação Correio Gaúcho
Editor: Cassiano Cortez


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