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Modernização do Termasa, no Porto de Rio Grande, deve ser concluída em janeiro de 2027 e permitirá carregar até 120 mil toneladas de grãos por dia, além de receber navios de maior porte.
RIO GRANDE (RS) — A modernização do Terminal Marítimo Luiz Fogliatto (Termasa), operado pela Cooperativa Central Gaúcha (CCGL) no Porto de Rio Grande, entrou na fase final. Com investimento estimado em R$ 700 milhões, o projeto tem conclusão prevista para janeiro de 2027 e promete ampliar a capacidade logística do agronegócio gaúcho, com ganhos na movimentação de grãos destinados ao mercado internacional.
A obra permitirá quadruplicar a capacidade de carregamento, passando de 30 mil para 120 mil toneladas por dia. O terminal também será preparado para receber navios de maior porte, ampliando as possibilidades de embarque da produção agrícola do Rio Grande do Sul.
Segundo informações divulgadas pela Gaúcha Zero Hora, o cronograma foi estendido em três meses em relação à previsão inicial, que apontava outubro de 2026 para a conclusão.
Acidente em 2024 levou à reconstrução e à modernização
O projeto ganhou impulso após a colisão de um navio contra o píer do Termasa, em 6 de maio de 2024, durante o período das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul. Os danos comprometeram a estrutura e interromperam as operações de um terminal que movimentava, em média, dois milhões de toneladas de grãos por ano.
Em vez de apenas recuperar as instalações danificadas, a CCGL decidiu ampliar e modernizar o complexo, com atualização dos equipamentos, reforço da infraestrutura e melhorias nos sistemas de transporte e carregamento.
“Começamos o projeto para recolocá-lo em operação, mas aos moldes de 2026”, afirmou Guillermo Dawson Júnior, vice-presidente da CCGL e dos terminais, conforme declaração reproduzida pela Gaúcha Zero Hora.
Durante a paralisação, os aproximadamente 300 trabalhadores foram mantidos pela cooperativa e tiveram suas atividades transferidas para o Tergrasa, outro terminal operado pela CCGL.
O que ainda falta para concluir as obras?
As etapas finais envolvem a conclusão das estruturas físicas, a instalação dos equipamentos e a preparação dos sistemas para a retomada das operações.
Entre os principais componentes do projeto estão:
Conclusão do píer e das estruturas operacionais;
Finalização do armazém e do prédio administrativo;
Instalação de cinco novos tombadores rodoviários;
Melhorias na logística ferroviária;
Implantação de uma nova subestação de energia;
Atualização dos equipamentos e das instalações do terminal.
Conforme o cronograma divulgado pela cooperativa, parte das estruturas estava entre 76% e 99% concluída, com entregas previstas para dezembro. A conclusão do píer está prevista para janeiro de 2027.
O cumprimento do prazo dependerá da finalização das obras, dos testes operacionais e da preparação dos sistemas para o início da operação ampliada.
Capacidade de carregamento será quadruplicada
A principal mudança está na velocidade de expedição dos grãos. A capacidade de carregamento passará de 1,5 mil para 6 mil toneladas por hora, considerando um dia operacional de 20 horas.
| Indicador | Antes da modernização | Após a conclusão |
|---|---|---|
| Carregamento diário | 30 mil toneladas | 120 mil toneladas |
| Taxa de carregamento | 1,5 mil t/h | 6 mil t/h |
| Descarga rodoviária diária | 12,6 mil toneladas | 48 mil toneladas |
| Descarga ferroviária diária | 6 mil toneladas | 12 mil toneladas |
| Armazenagem estática | 280 mil toneladas | 400 mil toneladas |
| Capacidade instalada de energia | 13,6 mil kW | 69 mil kW |
Fonte dos indicadores: dados do projeto divulgados pela CCGL e reproduzidos pela Gaúcha Zero Hora.
O aumento da capacidade de recebimento rodoviário e ferroviário busca reduzir gargalos no transporte da produção até o porto. A expansão da armazenagem também poderá oferecer maior flexibilidade para organizar os embarques e administrar os fluxos de chegada dos grãos.
Terminal poderá receber navios de até 150 mil toneladas
Outra transformação importante será a possibilidade de operar embarcações do tipo Capesize, com capacidade de até 150 mil toneladas, conforme os dados divulgados sobre o projeto.
Antes da modernização, o Termasa atendia navios do tipo Panamax, com capacidade de até 60 mil toneladas.
A operação com embarcações maiores pode aumentar a eficiência dos embarques, desde que as condições de calado, infraestrutura portuária, acesso marítimo e demais requisitos operacionais sejam atendidas.
Para o agronegócio, a mudança é estratégica: a logística portuária influencia os custos de transporte, o tempo de espera das cargas e a competitividade da produção brasileira nos mercados internacionais.
Impacto para a soja e para o agronegócio gaúcho
O Porto de Rio Grande é uma das principais estruturas de escoamento da produção agrícola do Estado. A ampliação do Termasa poderá fortalecer essa função ao aumentar a capacidade de recebimento e expedição de grãos.
A modernização também pode beneficiar cooperativas, produtores, transportadores e empresas ligadas à cadeia de exportação. Entretanto, os ganhos efetivos dependerão da demanda por embarques, da integração com rodovias e ferrovias, das condições de mercado e da capacidade de coordenar as operações portuárias.
O investimento ocorre em um contexto no qual o custo logístico é um componente relevante da rentabilidade agrícola. Melhorias na infraestrutura podem reduzir gargalos, mas não eliminam fatores como frete, preços internacionais, câmbio e custos de produção.
Expansão também deve exigir profissionais qualificados
A CCGL projeta aumento do número de pessoas envolvidas nas operações do terminal e maior demanda por qualificação profissional.
A expansão poderá gerar oportunidades nas áreas de operação portuária, manutenção industrial, movimentação de cargas, segurança, logística e suporte técnico. A dimensão efetiva da ampliação do quadro de pessoal, contudo, não foi detalhada nas informações divulgadas.
A cooperativa central reúne 28 cooperativas associadas, que representam aproximadamente 171 mil produtores, segundo os dados apresentados pela entidade.
Uma nova etapa para a infraestrutura portuária do RS
Com investimento de R$ 700 milhões, o projeto do Termasa representa uma mudança relevante na estrutura de movimentação de grãos do Porto de Rio Grande. A quadruplicação da capacidade de carregamento, a ampliação da armazenagem e a preparação para receber navios maiores podem fortalecer o escoamento da produção gaúcha.
O próximo marco será a conclusão prevista para janeiro de 2027. Até lá, o avanço das obras, a instalação dos equipamentos e a preparação operacional serão determinantes para transformar a ampliação anunciada em capacidade efetivamente disponível para o agronegócio.
Redação Correio Gaúcho
Editor: Cassiano Cortez
Fontes
Gaúcha Zero Hora — informações sobre o cronograma, os investimentos e as características do projeto de modernização do Termasa.
CCGL — dados institucionais e informações do projeto reproduzidos na reportagem original.
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