Produtores relatam dificuldade para conseguir combustível; máquinas já foram paralisadas em algumas regiões e Farsul acionou a ANP.
O início da safra de verão 2026/27 no Rio Grande do Sul enfrenta um novo obstáculo: a dificuldade de acesso ao óleo diesel. Produtores de diferentes regiões relatam restrições de volume, atrasos nas entregas e preços elevados.
Em Pedras Altas, na Zona Sul, produtores de arroz chegaram a interromper operações por falta de combustível. Máquinas destinadas à preparação das áreas de soja também ficaram paradas.
A situação preocupa porque o calendário regular da soja no Estado começa em 1º de outubro, aumentando rapidamente a demanda por combustível.
Máquinas paradas no campo
O produtor Maicon Pazinato, de Pedras Altas, relatou dificuldade para obter diesel para realizar a dessecação das áreas que serão destinadas à soja.
Segundo relatos reunidos pela Farsul, o problema não está concentrado em apenas um município. Há registros de dificuldades com o diesel S500 e restrições de quantidade em diferentes regiões.
Em alguns casos, produtores conseguem apenas algumas centenas de litros por vez — quantidade que pode ser consumida rapidamente por um trator durante um dia de trabalho.
Preço também preocupa
Além da disponibilidade, o preço passou a ser outro problema.
Em Pedras Altas, um produtor teria comprado diesel anteriormente por cerca de R$ 6,02 por litro e recebido posteriormente uma cotação próxima de R$ 7,90, sem disponibilidade imediata.
A diferença aumenta diretamente o custo de implantação das lavouras.
Arroz também sente o impacto
O arroz já começou a ser afetado pela dificuldade de abastecimento.
Dados do Irga atualizados em 24 de setembro apontavam 155,6 mil hectares semeados, equivalentes a 18% dos 861,8 mil hectares projetados para a safra 2026/27.
A preocupação aumenta porque a semeadura deve ganhar ritmo nas próximas semanas, justamente quando a demanda por diesel para soja também cresce.
Farsul cobra respostas
Diante das reclamações, a Farsul encaminhou ofício à ANP pedindo informações sobre estoques, produção, distribuição e previsão de normalização do abastecimento.
A entidade também relatou diferenças de disponibilidade entre municípios.
O problema ocorre após anúncio de uma cota de 14 milhões de litros de diesel S500 da Petrobras para reforçar o atendimento aos TRRs gaúchos.
O alerta para a soja
O ponto de maior atenção agora é a soja.
Com a abertura do calendário regular em 1º de outubro, milhares de produtores começam a depender de máquinas, caminhões e equipamentos movidos a diesel.
Se as restrições persistirem, o combustível pode se transformar em mais um fator de pressão sobre os custos e sobre o ritmo de implantação da safra.
O campo gaúcho entra em outubro diante de uma corrida contra o relógio: plantar no momento adequado depende também de conseguir combustível para colocar as máquinas em operação.
Fonte: Jornal do Comércio, Canal Rural, Farsul e Irga.
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