![]() |
| Imagem IA |
Chuvas excessivas, granizo e ventos fortes atingiram mais de 30 mil propriedades em 101 municípios do Rio Grande do Sul, segundo levantamento da Emater/RS-Ascar
Por Cassiano Cortez — Correio Gaúcho
O campo gaúcho ainda contabiliza os prejuízos provocados pela sequência de eventos climáticos registrada na segunda quinzena de julho. Chuvas excessivas, ventos fortes e granizo atingiram 30.007 propriedades rurais em 101 municípios, provocando perdas estimadas em 143.363 toneladas de produtos agropecuários.
O levantamento da Emater/RS-Ascar, divulgado pelo Correio do Povo, mostra que os danos ultrapassaram as lavouras. Estradas rurais, sistemas de armazenamento, fontes de água, pastagens e a cadeia leiteira também foram atingidos.
Entre as culturas mais prejudicadas estão o tabaco, com mais de 40 mil toneladas perdidas, a olericultura, com aproximadamente 61,5 mil toneladas, e os grãos, que acumulam perdas superiores a 34,7 mil toneladas.
Tabaco lidera perdas entre as principais culturas
O tabaco aparece entre os produtos mais afetados pelo excesso de chuva e pelos temporais, com uma estimativa de 40.060,28 toneladas perdidas.
Nos grãos — grupo que reúne cevada, milho, trigo, canola e aveia — as perdas chegaram a 34.791,86 toneladas.
Somente o trigo registrou aproximadamente 19,6 mil toneladas de perdas, enquanto a canola teve redução estimada em 7,8 mil toneladas.
Hortaliças concentram mais de 61 mil toneladas de perdas
Um dos maiores impactos ocorreu na olericultura.
Hortaliças, tubérculos, raízes, bulbos, condimentos e outros produtos somaram 61.544,15 toneladas de perdas.
O excesso de água e as enxurradas prejudicaram principalmente culturas que estavam em desenvolvimento ou próximas da colheita.
O resultado representa um duro golpe para produtores que dependem de ciclos curtos e de produção contínua para manter a renda das propriedades.
Fruticultura também foi atingida
Na fruticultura, as perdas chegaram a 6.966,92 toneladas.
Os citros foram os mais prejudicados, com 6.890 toneladas, sendo aproximadamente:
- 5.725,75 toneladas de laranja;
- 1.162,33 toneladas de bergamota.
Ao todo, 493 produtores de citros foram afetados, representando praticamente a totalidade dos produtores avaliados nessa atividade.
Estradas destruídas ameaçam o escoamento
O prejuízo não ficou restrito à produção.
Segundo a Emater/RS-Ascar, aproximadamente 18 mil quilômetros de estradas vicinais foram afetados pelos eventos climáticos.
O problema comprometeu o transporte de produtos, dificultou o acesso às propriedades e também prejudicou serviços essenciais.
No setor leiteiro, as consequências foram especialmente graves.
Mais de 2,3 milhões de litros de leite deixaram de ser comercializados
A combinação entre estradas danificadas, falta de energia elétrica e dificuldade de acesso aos resfriadores provocou interrupções na coleta de leite.
De acordo com a Emater/RS-Ascar, aproximadamente 192.806 litros de leite por dia deixaram de ser coletados.
No acumulado, foram 2.382.710 litros de leite não comercializados, afetando diretamente 1.788 produtores.
O volume equivale a cerca de 12 dias de coleta diária comprometida.
Pastagens também entram na conta
Mais de 100 mil hectares de pastagens nativas e cultivadas foram afetados.
A perda média de produtividade foi estimada em aproximadamente 26%.
O cenário preocupa porque a redução da disponibilidade de pasto pode elevar os custos de alimentação dos animais nos próximos meses.
Com menor oferta de alimento, produtores podem precisar aumentar a utilização de ração e suplementação, pressionando ainda mais os custos da pecuária.
Mortes de animais e perdas na piscicultura
Apesar de a pecuária ter sofrido impacto menor em comparação com outras cadeias produtivas, também foram registradas perdas de animais.
O levantamento aponta a morte de:
43 bovinos de corte, 25 bovinos de leite e 51 suínos.
Na piscicultura, as enxurradas e o excesso de precipitação provocaram a perda de 17,40 toneladas de peixes, atingindo diretamente 39 produtores.
Água contaminada e famílias afetadas
Outro problema provocado pelos temporais foi a contaminação de 173 fontes de água.
Mais de 1,2 mil famílias ficaram sem abastecimento adequado em razão dos danos.
A infraestrutura de armazenamento também foi atingida. Segundo o levantamento, 207 armazéns e silos sofreram danos.
O desafio agora é reconstruir
Para a Emater/RS-Ascar, o momento exige uma mudança de foco: depois da emergência, começa a etapa de avaliação dos prejuízos e recuperação da capacidade produtiva.
A prioridade, segundo a assistência técnica, deve ser a recomposição das condições de vida das famílias atingidas e, posteriormente, a recuperação das propriedades rurais.
O desafio será devolver ao produtor a capacidade de produzir, gerar renda e manter a atividade agropecuária funcionando.
O tamanho do prejuízo
| Atividade | Perdas estimadas |
|---|---|
| Olericultura | 61.544,15 toneladas |
| Tabaco | 40.060,28 toneladas |
| Grãos | 34.791,86 toneladas |
| Fruticultura | 6.966,92 toneladas |
| TOTAL | 143.363,21 toneladas |
Os números revelam a dimensão de um novo capítulo da relação entre o clima extremo e o agronegócio gaúcho.
Para milhares de produtores, o problema não termina quando a chuva para. Começa, então, uma longa caminhada de reconstrução das lavouras, estradas, pastagens, estruturas e da própria capacidade de produzir.
Fonte: Emater/RS-Ascar, com informações divulgadas pelo Correio do Povo.
Redação: Cassiano Cortez — Correio Gaúcho

0 Comentários