Carne do Pampa Gaúcho amplia debate sobre rastreabilidade na Abertura da Colheita do Arroz

Painel IG Pampa Gaúcho - Crédito Paulo Rossi Divulgação



 Painel realizado em Capão do Leão (RS) discute certificação, mercado externo e desempenho da pecuária no Bioma Pampa


A Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas teve prosseguimento nesta terça-feira (25), na sede da Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão, com um painel sobre a Indicação Geográfica (IG) da Carne do Pampa Gaúcho e os desafios de mercado da pecuária regional. A programação reuniu produtores, pesquisadores e representantes do setor agropecuário. O debate foi moderado pelo diretor jurídico da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Anderson Belloli.

A primeira apresentação coube ao presidente da Associação dos Produtores de Carne do Pampa Gaúcho (Apropampa), Custódio Magalhães. Ele iniciou sua palestra afirmando que o diferencial competitivo do Rio Grande do Sul está associado ao Bioma Pampa, onde se concentra a maior parte da pecuária de corte do Estado. “Argentina e Uruguai se destacam porque a maior parte da pecuária de corte está no Bioma Pampa, área que imprime qualidade e sabor à carne”, observou. Segundo o dirigente, a tradição da atividade na região ultrapassa 400 anos, mas ainda é pouco utilizada como estratégia de posicionamento no mercado.

De acordo com Magalhães, o Bioma Pampa responde por cerca de 90% da pecuária de corte gaúcha, em uma área aproximada de 18 milhões de hectares. "O foco é qualificar o rebanho e ampliar a rastreabilidade para acessar novos mercados internacionais", sinalizou.

Na sequência, a técnica da Apropampa, Gabrielly Rosa Moraes, apresentou resultados do programa Pampa Gaúcho Indicação Geográfica, desenvolvido em parceria com o Frigorífico Silva. Ela detalhou o sistema de bonificação destinado aos produtores associados. “Estão aptos a participar animais que atendam aos critérios de programas já consolidados, como o Programa Angus e o Programa Carne Hereford, além de cumprirem exigências mínimas de peso de carcaça, 210 quilos para machos e fêmeas”, explicou Gabrielly.

O professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Fabiano Nunes Vaz, também participou do painel. Ele destacou que o consumidor tem ampliado a exigência por informações sobre origem e qualidade da carne. “O Rio Grande do Sul precisa avançar em conceitos como rastreabilidade e confinamento”, afirmou Vaz. O pesquisador comparou o desempenho gaúcho ao de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins, que já superam 20 arrobas por animal, enquanto o Estado registra peso médio de carcaça inferior.

Encerrando o debate, o médico veterinário do Frigorífico Silva, Alexandre Prates Machado, abordou a inserção da carne gaúcha no mercado externo. “Apesar da reconhecida qualidade, genética e certificação, a carne brasileira ainda é vista no exterior predominantemente pelo volume de produção, e não pelo padrão premium”, declarou.  Segundo Machado, a empresa ampliou a presença em países como Singapura, Alemanha, Suíça, Líbano, Itália e México, com foco na comercialização de carne certificada.

A 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas tem como tema “Cenário atual e perspectivas: conectando campo e mercado”. O evento é uma realização da Federarroz, com correalização da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), e patrocínio premium do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). Informações e inscrições gratuitas estão disponíveis no site www.colheitadoarroz.com.br.

Foto: Paulo Rossi/Divulgação
Texto: Artur Chagas/AgroEffective
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